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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pirinéus 2010 - 3

Quinta-feira, 24-06-2010
Bilbao-Barcelo Hotel Nervion.
Mais uma vez a rotina do costume, check-in, parqueamento das motas na garagem do hotel, banhinho, etc, e à que partir à redescoberta de Bilbao.
Alguns de nós, já lá tínhamos estado, em 2004, no regresso do passeio que fizemos aos Picos da Europa. Que bonito passeio.
Como quase sempre, o grupo dividiu-se. Amigo não empata amigo, os gostos não têm de ser necessariamente iguais. Além de uma grande amizade, une-nos acima de tudo a Paixão pelas Motas. Desde 1996 que este núcleo duro do Grupo Mototurismo Litoral Alentejano, está junto na realização de memoráveis passeios.
Bilbao é a capital da província de Vizcaya, nas margens do rio Nervión, que se comunica com o mar Cantábrico, situado a cerca de 11 km.
É a principal cidade de Euskadi e seu motor económico.
Em Bilbao concentra-se aproximadamente metade da população total do País Vasco e possui o maior porto comercial da Espanha. A cidade foi fundada na Idade Média mas o seu florescimento industrial data de meados do século XIX, quando se começou a extrair ferro das minas próximas. O crescimento de Bilbao ao longo do século XX esteve sempre ligado ao desenvolvimento industrial na margem esquerda do rio, bem visível no passeio de barco que o grupo fez, na qual se estabeleceram importantes empresas, hoje quase todas ao abandono.
Bilbao, tornou-se internacionalmente conhecida ao abrigar a sede europeia do Museu Guggenheim, em 1997.
O Museu Guggenheim de Bilbao nasceu no dia 18 de Outubro de 1997 como uma iniciativa da fundação norte-americana Guggenheim para acolher, na Europa, uma parte de sua vasta colecção de arte contemporânea. O museu foi desenhado pelo arquitecto canadense, residente em Los Angeles, Frank O Ghery.
Passear à beira rio, foi a opção de um grupo.
O meu grupo optou por partir à procura de um bar para “enxugar umas cañas” e comer umas tapas de Pata Negra.
Não foi difícil, lembrava-me perfeitamente da zona onde se situam os melhores bares, e sempre bem frequentados.
A diferença notada para as pacatas noites passadas em Luz- St-Sauveur.
Foi uma noite divertida.
Sexta-feira, 25-06-2010
Dia livre…
Sem nada combinado de véspera, todos se levantaram cedo. Juntos a tomar o pequeno-almoço, resolvemos fazer uma visita ao museu Guggenheim.
Proliferava pela cidade o chamariz à visita das obras expostas.
Treze Euros, foi o valor do bilhete de ingresso.
Há quem chame arte a tudo. Nunca vi uma exposição com tanto lixo, tanto ferro velho, e, pasme-se, tanto cagalhão, (feitos com uma qualidade de cimento desenvolvido para o efeito).
Assim mesmo, com toda a verdade.
Foi geral o desalento. Só me lembrava a história do rei que ia nu.
Meu rico dinheirinho, esbanjado sem proveito.
Chega a hora do almoço. Se há quem goste de umas comidinhas leves, tipo plástico, eu adoro material mais consubstanciado. Cada grupo foi à procura do que mais lhe agradou, com encontro marcado no bar da recepção do hotel, para a hora do jogo Portugal – Brasil, que se disputava a meio da tarde.
Sentada num banco ao balcão do bar, uma escultural portuguesa que assistia ao jogo, não me deixou ver o jogo “comédado”.
Mas pouco me importou, no íntimo até agradeci.
Terminado o jogo, com um empate a zero bolas, fizemos um passeio de barco pelo rio, é simplesmente espectacular observar a arquitectura do museu a partir do rio.
Contudo, também e triste ver a degradação da zona industrial, anda por ali muita ferrugem, deixada por aquelas unidades metalurgicas, outrora prósperas, agora ao abandono.
Findo o passeio de barco, tempo ainda para outro passeio, de metro de superfície, pela cidade. Vale a pena também.
Arredados destes passeios estiveram dois elementos do grupo. Passaram a tarde a “ferrar” as suas motas.
Chegou a hora de jantar.
Fomos todos comer ao restaurante onde o meu grupo tinha jantado na noite anterior. Chegamos em boa hora, a clientela aparecia sem parar. Comemos e bebemos muito bem, todos gostaram.
É bonito ver um grupo satisfeito.
Relembrada a hora de partida para o dia seguinte, recolheram os habituais amantes do "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer", aos seus aposentos.
Aqueles, para quem a noite é um encanto, de chamarizes irresistíveis, optámos por visitar mais umas capelinhas, tão abundantes por aquelas ruas, ainda mais apinhadas de gente, que na noite anterior.
Sábado, 26-06-2010
Bilbao – Ávila, Hotel Reina Isabel.
AP 68 - AP 1 (Burgos) - A 1 ( Saída 99) - N110 (Segóvia) – Ávila.
Quase todos chegaram à mesma hora para tomar o pequeno-almoço, a oferta farta e variada. Cada um atestou os taipais como quis e pode, houve mesmo quem se aviasse com umas valentes “sandochas” para comer na viagem.
À espera do atrasado do costume, o Q.F., para seguir viagem, resolve S. Pedro brindar-nos com uma chuvinha, tipo molha tolinhos.
Indecisos entre vestir ou não vestir o fato de água, sempre houve quem o fizesse.
O Nosso Grande Comandante lá augurou:
- Isto é passageiro.
- Espero que tenhas razão, disse-lhe
Só três ou quatro elementos se equiparam.
Foi com um vaticínio assim, que no regresso de um passeio a Granada, em Ronda, nos disse:
-Consultei o tempo na net, vai chover em Sevilha, o melhor é vestir os fatos de água.
Equipados a rigor atravessámos Sevilha debaixo de forte calor, acima dos 40 graus centígrados. Chuva nem vê-la. Foi sofrer a derreter.
Felizmente que desta vez acertou.
Decorreu a viagem sem incidente, com apenas uma paragem para atestar as motas e ludibriar o apetite.
Chegados ao hotel, o habitual ritual das chegadas.
Com a fome a apertar, entrámos num bar de tapas, pertinho do hotel.
Faltava o Nosso Grande Comandante.
A ideia era enganar o estômago, até à hora de jantar. Queríamos jantar num qualquer restaurante típico dentro das muralhas.
Mais uma vez a sorte nos acompanhou, fomos bem servidos com uma boa variedade de petisquinhos.
Satisfeitos, e prontos para o passeio pedonal, surge o Nosso Comandante.
Alguém pergunta por onde tinha andado.
- Estive a comer no hotel.
- No hotel?
Na altura do check-in, todos ficamos com a sensação que estava a ser servido um banquete, num casamento que se realizava no salão do hotel.
- Sim, diz o Nosso Comandante, entrei no salão, dirigi-me ao balcão, pedi uma cerveja e um pouco de comida da que estava exposta.
Quando pedi a conta é que me disseram que era só para os convidados.
Paguei só a cerveja, a comida foi oferta.
Ah Grande Comandante.
Logo ali, por um elemento mais atrevido do nosso grupo ( o tal que a pianista Sonsoles pôs em sentido) foi alcunhado de:
“Capitão Penetra”.
Quando a fome o aperta, é abismal o à vontade com que penetra em qualquer lugar.
Fica o registo.
Caminhando, chegámos à zona medieval.
Ávila é uma Cidade Património Mundial.
Rodeada de muralhas medievais ainda intactas, Ávila é a capital de província mais alta de Espanha e também a que sofre um Inverno mais cruel.
As muralhas do século XI têm mais de 2000 metros de extensão e são pontuadas por 88 torres cilíndricas; a secção do lado leste forma a abside da Catedral, com um exterior invulgar de fortaleza e o interior a exibir uma mistura dos estilos românico e gótico.
Dentro das muralhas, por todo o lado se lia:
- Ávila em Tapas - .
Decorria um concurso gastronómico para eleger a "Tapa" rainha.
Adquiridos os habituais "recuerdos", havia que procurar o conforto de uma cadeira numa esplanada de bar.
Sorte a nossa, por cada três cervejas servidas, oferta de um pires de tapas à nossa escolha.
Cumprimos a nossa tarefa degustando o maior número possível de variedades.
Como estavam deliciosas. Todos trabalhavam para ganhar o primeiro lugar.
Para facilitar a digestão, e ajudar a abrir o apetite para o jantar, um passeio de trem, com a duração de quase uma hora e quatro euros de custo, por toda a zona histórica, e parte exterior da muralha. Recomenda-se.
Foi-se a vontade de jantar para alguns. O meu grupo, sempre disposto a mais um aconchego, terminou a noite numa agradável esplanada, de volta de mais umas tapas, acompanhadas por mais umas cañas. Nunca vi um empregado trabalhar com a eficiência e rapidez como aquele que nos atendeu.
Sozinho, despachava toda a esplanada, que era grande e estava repleta de clientes.
O sono chegou.
Domingo, 27-06-2010
Ávila – Vila Nova de Santo André
N110 – Plasencia – A 66- Cáceres – EX 100 – Badajoz – Montemor – Santo André
De todos os hotéis onde pernoitamos, o Hotel Reina Isabel era o classificado com mais estrelas: quatro.
Tendo bastante qualidade, contudo não foi onde nos serviram o melhor pequeno-almoço, o que não invalidou que fizesse como a maioria dos meus companheiros, além de comer o que quis, ainda fiz uma “sandocha bem atulhada de conduto” para a viagem.
Mas uma surpresa estava para acontecer.
Como o povo têm sempre razão:
Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”.
Tantas foram as vezes que martelámos o Q.F. pelos constantes atrasos nas partidas, sacrificando toda a gente à sua espera, que pela primeira vez, estava no grupo dos primeiros despachados, prontinho para a partida.
Sem se fazer sentir o frio, a manhã estava fresca. Iniciamos a viagem, a estrada era de bom piso.
Primeira paragem num povoado de nome Tornavacas.
O Capitão Penetra e a Lálá não resistem ás cerejas. A qualidade do artigo era excelente.
Uns compraram para levar, outros para comer logo ali no local.
Também comi algumas, não tinha espaço na mota para transportar mais nada.
Retomada a viagem, nova paragem em Novaconcejo, para atestar as motas, e hidratar os corpos. Puxei da “sandocha” que trouxe do hotel. Como me soube bem, acompanhada com uma cerveja fresquinha. Creio que se vai tornar hábito.
Todos os meus companheiros das duas rodas sabiam que, chegados a Plasencia, eu tomava a direcção de Portugal, com destino a Penamacor. Desde a partida que já tinha decidido, no regresso, passar por Penamacor e ficar por lá três ou quatro dias.
Assim despedi-me de todos, parti na dianteira do grupo e “reboquei-os” até à saída de Plasencia. A todos mandei seguir com um aceno de boa viagem.
Continuei sozinho, por uma estrada que tão bem conheço, por onde já circulei vezes incontáveis, de noite e de dia.
O calor começou a apertar.
No meu pensamento desfilava uma série de factos e elementos, de um colorido lindo, que me conduziam a outros estados da alma.
Cheguei a Penamacor, enviei uma sms ao P.C.
Algum tempo volvido recebo um telefonema do P.C.,
- Estamos já em Elvas, vamos almoçar.
Pedi-lhe para desejar Bom Apetite ao grupo, e, alguém enviar sms quando chegassem a Santo André.
Correu tudo lindamente.
A todas e todos, companheiras e companheiros da viagem
Até um novo passeio
Votos de Boas Curvas
Zé Morgas

1 comentário:

  1. E eu que andava a programar uma visita ao tão célebre guggenheim...mas na expectativa de ver coisas mais interessantes do que "cagalhões".

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