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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Carta Aberta XII - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
Li no jornal “Reconquista” a notícia da inauguração em Penamacor, com pompa e circunstância, da via estruturante sul, agora rebaptizada de Avenida da República, pelo Exmo. Sr. Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva. Aproveitando o facto de ter ido a Penamacor passar uma folga, e movido pela curiosidade de saber o que estava inscrito na placa comemorativa da inauguração da referida Avenida, dirigi-me até ao local.
Para espanto meu, vi que não consta na placa o nome do Sr. Presidente da República. Omissão ou deliberado?
Será que o Sr. Presidente da República, ao olhar para essa rotunda, tão mal parida, perdoem-me o vulgarismo da expressão, não quis ver o seu nome impresso na placa?
Daqui a uns tempos ninguém recordará o nome do Presidente que inaugurou a Avenida.
Foi apenas… um Presidente da República.
Uma curiosidade minha: Será o pai dessa rotunda, o mesmo pai do colossal mamarracho do Sumagral?
Olhei para a Vila e resolvi dar uma voltinha Pelo Cimo de Vila e observar a tal Avenida lá do alto do miradouro.
Alertei nestas Cartas Abertas do Zé Morgas, o Sr. Presidente da C.M.P. para o real perigo que representava, a existência de uns cabos eléctricos no chão do miradouro. Verifiquei agora, que foram colocados dois candeeiros de solo no miradouro. Infelizmente a solução usada não é satisfatória. Encandeiam os utentes do miradouro, dificultando a vista, e servem apenas para iluminar a estratosfera.
Com tanta solução…
Mais, está no local um poste de iluminação, sem lâmpada, e o abat-jour do candeeiro está caído do lado de fora do miradouro, no meio dos arbustos.
Convinha recuperar, e devolvê-lo aonde pertence.
E por falar em iluminação…
Continuei o meu passeio até ao Castelo.
Sr. Presidente
Nota-se que muitos dos candeeiros da iluminação pública, colocados na rua que vai até ao castelo são recentes.
Deveria ter havido algum cuidado na escolha dos candeeiros usados nessa rua, em todo o Cimo de Vila. Estamos a falar da zona medieval da Vila de Penamacor.
Contei seis ou sete modelos de candeeiros.
Fico com a sensação que é comprar o que apanham em saldos. É um péssimo cartão de visita para turista ver. Mais, merece essa zona que desapareçam os cabos aéreos, merece que a alimentação seja feita por via subterrânea.
Recomendo vivamente a Vª Exª. um passeio pedonal por essa zona do Cimo da Vila, e já agora, também uma visita ao mamarracho do Sumagral, para constatar “in locko”, o lastimável estado, e o perigo que representa, o piso do mamarracho.
Sr. Presidente
Não sou daqueles que acredita em dogmas, não acredito em verdades como certezas absolutas, mas tenho a certeza que há muito não passa nos locais que referenciei. Acredito que se o tivesse feito, já teria arranjado a solução que tais problemas exigem.
Ao dispor
Zé Morgas

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cenas da Vida

O mar é belo, sempre o ouvi dizer por estas bandas.
E, hoje está particularmente belo. É simplesmente magnífico o espectáculo que aqui observo, frente à Praia do Burrinho, (areia nem vestígios, está maré-cheia), a reflexão dos raios solares sobre a superfície da água.
Há que curtir esta vista, porque o sol pira-se num ápice.
É neste pendor contemplativo com os olhos postos no oceano, que me deixo transportar nas minhas passagens e memórias de vida, que me conduzem a um misto de alegria e tristeza.
Alegria, porque ontem, reencontrei no FB, uma Prima, que apenas vi uma vez na minha vida. Soube da sua existência, por um acaso, em Agosto do ano de 1997, num fim-de-semana passado em Penamacor, no regresso de uma viagem que fiz a Cabo Verde, ás ilhas do Sal, Santiago e S. Vicente.
Com os poucos dados de que dispunha, os meios disponíveis para pesquisa também não abundavam como nos dias que correm, consegui, contudo, em pouco tempo descobri-la.
Um telefonema, apresentações feitas, e combinei uma visita para conhecê-la no seu local de residência. Isso aconteceu em Setembro de 1997, no dia 20.
Havia já algum tempo que tinha feito a reserva de alojamento no Hotel Estoril Sol, entretanto demolido, para o fim-de-semana de 19 a 21 de Setembro de 1977.
Recorda-me de ter chegado ao hotel por volta das 18 horas de sexta-feira, feito o check-in, foi-me atribuído o quarto 617, um banhinho, e esperei por uns companheiros no bar panorâmico que existia no 8 andar, se não me trai a memória, com uma deslumbrante vista sobre o Tejo e o mar.
Um copinho de aconchego e boas vindas, chegaram os meus amigos e fomos jantar nessa noite a um restaurante de nome “João Padeiro”, em Cascais.
Acabámos a noite no “Rasputine”, um conhecido bar no Estoril.
Sábado, passei a manhã a assistir a um show-room, com almoço incluído. Após o almoço, desloquei-me a casa da Prima que nunca tinha visto. Conheci então, a minha Prima, e toda a sua família. Do meu Tio, tenho a vaga ideia de um dia o ter visto em Penamacor, num funeral de um familiar.
Como o tempo não era muito, pouco conversámos. Tinha nesse dia marcado o jantar no salão Preto Prata do Casino Estoril. Estava em cena um espectáculo com a Rita Guerra e o Júlio César.
Acabado o jantar, tempo para derreter umas moedinhas nas slot-machines.
Bafejou-me a sorte nessa noite, ganhei uns 40 contos. Com mais dois amigos, fui então até um outro meu conhecido bar na zona, ali para os lados da Parede, o "Iate Ben", onde estoirei parte do dinheiro ganho no casino, a beber uns “ Swing”.
Domingo, dormi até poder, levantei-me e fui fazer um passeio pela Serra de Sintra e Sintra, onde algures comi algo para enganar o estômago. Tinha para esse dia combinado o jantar com o meu grande Amigo "O Nalgas".
Jantei com ele, a mulher e a filha, no “Farta Pão”, restaurante com um ambiente campestre, na Malveira da Serra.
Nesse fim-de-semana, pela segunda vez, depois do jantar, fui novamente até ao “Rasputine” dar uma voltinha e beber o copinho da sossega. Tinha que estar em Sines ás oito horas de segunda-feira.
Quis o destino que nessa noite, já de regresso a Sines, fosse abalroado na traseira do meu carro, parado num semáforo, na Cruz Quebrada, no cruzamento de acesso ao Estádio Nacional. Na outra viatura, ao volante, um fulano com uns canecos bem bebidos e umas brocas bem fumadas, apenas me dizia:
- Desculpe, desculpe, não o vi, não o vi.
Como também já estava com alguma aceleração, apenas lhe pedi para assinar uma declaração amigável, que logo se prontificou, problema foi escrever, os dedos tremiam em demasia. Lá conseguiu assinar, e cheguei a Sines a horas de ir trabalhar.
Tempos em que a resistência física era outra.
Mas, não é esta já constatada diminuição de resistência física, que me leva e este, também, estado de tristeza. Não, não é.
Ao lembrar-me das minhas idas de outrora ao “Rasputine”, obrigatoriamente vêm-me ao pensamento a imagem do meu Grande Amigo Zé De Vasconcelos, a quem em Maio do ano passado, tive a ousadia de dedicar umas palavras nestes modestos trechos do Zé Morgas.
Estive há dias no Seu jantar de despedida da empresa, no passado dia três do corrente mês, no restaurante "Altinho do Lobo", nas Relvas Verdes. Nunca vi jantar com tanta gente, e outro houve passados dias.
Merecias mais, Amigo, todos o sabemos.
Ainda tenho presentes as palavras que nos ofereceste, e o que ainda te martiriza pensar, que alguns colegas te pudessem ter detestado, ou ainda detestar, pela tua rigidez. Ainda tive a sensação que deixarias cair alguma lágrima. Deus sabe o esforço que fizeste mas nunca deixaste cair nenhuma.
Zé De Vasconcelos, prefiro apenas recordar aqueles que foram pródigos nos louvores à inteireza do teu carácter, pessoalmente compreendo essa tua rigidez, apenas pelo teu inesgotável desejo de saber mais, e a vontade de ensinar da forma como tu tão bem sabes fazê-lo.
Não conheço ninguém tão intrinsecamente honesto, nem que acredite tanto nas pessoas.
As conversas contigo são um prazer, intermináveis, tal como as histórias, e é uma história que “vivemos” os dois, que tu tanto contas, que aqui vou partilhar.
Foi na década de noventa do século passado. Tinha vindo de Cuba havia pouco tempo. Numa das minhas muitas idas ao “Rasputine”, conheci uma mulher bonita, muito sensual. Conversei algum tempo com ela, bebemos uns “Swing”, o whisky da minha eleição, fumei um puro havano, e disse-lhe que tinha que me deslocar a Sines, pois aqui trabalhava, aqui tinha a minha empresa. Dei-lhe o meu número de telefone, deu-me o dela e despedi-me.
Uns dias depois telefonei-lhe a convidá-la para jantar, num sábado. Nesse dia decidi-me pelo restaurante “A Ginginha Transmontana”, em Cascais. É um local muito agradável, à luz da vela, com uma decoração em ferro velho muito original, e onde os pratos são confeccionados na telha, telha mourisca. È uma delícia tanto o peixe como a carne. Com a pontualidade que me é característica, à hora combinada estava no local acordado, e fomos para o restaurante. Durante o jantar as confidências e inconfidências, sucederam-se, e no final fomos novamente ao “Rasputine”. Dois ou três whiskies depois, outras tantas danças, estava a convidá-la a vir a Sines visitar a minha empresa: A Petroquímica de Sines, a empresa do Sr. Engenheiro Pena, pois tempos houve, em que na vida da noite, assim era conhecido. Assinava os cartões de identificação das garrafas com esse pseudónimo. Bem o sabes, Amigo.
Reparei nalguma hesitação, insisti, mas, um bom jantar num bom restaurante, de outros que frequentava lhe falei, bom vinho, bom whisky, havanos puros, engravatado, … foram argumentos mais que suficientes para o sucesso do convite.
Veio comigo para Sines. Muitas foram as vezes durante a viagem que silenciosamente me interroguei: Como me vou safar?
Foi então que me lembrou de consultar o meu horário de bolso e saber quem a essa hora estava de turno.
É o turno do Vasconcelos, Estou safo, pensei logo.
Dou comigo à portaria e a falar pelo telefone interno com o meu Grande Amigo Zé De Vasconcelos.
- Vasco, estou entalado, tenho aqui comigo alguém a quem disse que era o dono disto.
- Já aí vou, espera um pouco.
Fui para o carro, e lá lhe disse, que por uma questão de formalidades de segurança, e não ser permitida a entrada de visitas na unidade, durante o período da noite, esperaria ali na portaria pelos meus colaboradores.
Para minha surpresa, apareceu o Zé De Vasconcelos, mas acompanhado com mais duas ou três pessoas, que se fizeram passar pelos respectivos chefes das unidades fabris do complexo.
- Sr. Engº Pena, boa noite, como está?
- Bem, obrigado, e vocês?
Em pouco tempo relatou a pseudo!? situação da fábrica. Fantástico.
Zé De Vasconcelos, só um Grande Homem como tu, inteligente, com sentido de humor inabalável, comunicador nato e exímio improvisador, poderia ter feito "aquele jeito".
Impressionaste a minha conhecida de tal forma, que pouco mais precisei de falar. Ainda hoje terá sérias dúvidas se serei de facto o dono da petroquímica de Sines
Foi deixar rolar… curtir até o sol raiar.
Saudades.
Cenas da vida.
Desta vida que ainda merece ser vivida.
Zé Morgas

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Moncarapacho

Foi o primeiro passeio do ano, do Grupo Mototurismo Litoral Alentejano. Para variar um pouco o local de encontro e partida, desta vez foi eleita para o efeito, a pastelaria “Celeiro Doce”.
Sábado, dia 30, pelas nove da matina.
Apesar das previsões do tempo serem animadoras, compareceram sete motas, um enlatado, num total de “apenas” doze pessoas.
Devido a um inadiável compromisso assumido para Domingo, A.G., Grande Companheiro nestas andanças asfálticas, presenteou-nos sábado, com a sua companhia até final do almoço…e tratou da sua vida.
O ex - líbris deste primeiro passeio era um luxo relaxado no resort gourmet golf spa, Vila Monte, Sítio dos Caliços em Moncarapacho, no Algarve.
Como habitualmente o traçado do percurso foi delineado maioritariamente por estradas municipais e desertas de trânsito, uma forma de conhecer o nosso bonito Portugal mais recôndito.
Santo André, Santiago do Cacém, Alvalade, Castro Verde, Almodôvar, Serra do Caldeirão, São Brás de Alportel, Faro.
Em Faro paragem para o almoço. A churrascaria Santo António, foi o restaurante escolhido. Fomos recebidos pelo meu já velho conhecido e amigo Ramiro, com a sua habitual simpatia e boa disposição.
Olhão, Moncarapacho, Vila Monte Resort – Relais & Chateaux.
Feito o check-in da entrada foi o grupo informado do que poderia usufruir durante a estadia: Kasbah Spa, Hammam Árabe, banho turco, esfoliações berberes, massagens de relaxamento e outras experiências spa. Ou mesmo umas aulas de iniciação de golfe. Apesar de todas estas ofertas, continuo a pensar que o preço do alojamento toca o proibitivo.
Cada qual aproveitou o tempo da forma que melhor lhe aprouve; ficou apenas combinado a hora e o local para o jantar, Olhão, restaurante Olho D’Água, para degustar a famosa feijoada de lingueirão. Estava deliciosa, disse quem a comeu, eu decidi-me por uma fresquinha dourada, escalada na brasa. Convinha compensar o abuso do almoço, comi uma valente costeleta de novilho e mais uns secretozinhos de porco preto para acompanhar um tintinho de boa qualidade.
Domingo, dia de regresso.
Com almoço já marcado em Moreanes, no Restaurante Pires, foi a viagem parcialmente feita por terras de Espanha.
Várias foram as vezes que o Grupo já almoçou em Alcoutim, com os olhos postos do lado de lá do rio, em Sanlúcar de Guadiana.
Decidimos desta vez, mirar Alcoutim do lado de Sanlúcar. Por muito que me custe aceitar, cais de embarque, ancoradouros, estradas, aqueles espanhóis andam uns largos anos à nossa frente.
Entrámos em Portugal pela nova ponte sobre a ribeira de Chanza, bem em frente à barragem com o mesmo nome, antes do Pomarão. È a segunda vez que a atravesso de mota com o grupo. A primeira vez, foi pouco tempo após a inauguração, entrámos em Espanha, mais a norte, por Rosal de la Frontera.
Foi esta ponte feita há relativamente pouco tempo, e, as estradas de acesso, tanto do lado português como do lado espanhol, feitas na mesma altura. Do lado espanhol está uma estrada bonita com um piso convidativo a rolar com algum divertido excesso.
Do lado português, da primeira vez que por lá circulei, buracos, havia mais que muitos, agora, embora consertada, não deixa de ser triste ver tanto remendo numa estrada tão nova.
Obras à boa moda portuguesa.
Chegados a Moreanes, para meu conforto, e de todos, à nossa espera estava o almoço.
Por mais que se pintem os espanhóis, comer é do lado de cá da fronteira, e o Pires, assim se chama o dono do restaurante, nessa matéria é um “Catedrático Professor”. A confirmá-lo, casa sempre cheia, a maioria da clientela vêm do lado de lá da fronteira.
Pela minha parte “marchou” uma dose de javali estufado e uma "provazinha" de cozido de grão. Tudo sem defeito.
E... para sobremesa, aquela divinal sericaia! Nem em Portalegre, na feira dos doces conventuais, comi "iguaria" tão boa.
Eu e o meu amigo P.C., este, nem Pinto nem portista, em comum apenas as preocupações, o outro, com os casos da bola, este, com as já habituais distracções de trajectórias do Nosso Comandante, deixámos já a encomenda feita de umas cabecinhas de borrego assadas no forno. Uma delícia que partilharemos com certeza com mais companheiros, que facilmente se rendem aos prazeres da gula. Não duvido que surgirão muitos interessados. Breve lá estaremos. Até porque, ficou decidido durante o almoço, que o Grande Passeio de 2010 será até Davos, na Suiça. Vamos elaborar três ou quatro percursos, ida, volta, locais a visitar, serão discutidos, decidiremos qual o mais interessante, e nada melhor que sentados ao redor de uma mesa bem composta.
Mértola, Cruzamento do Pulo do Lobo, Alcaria Ruiva, Castro Verde, Aljustrel, Ermidas, Boticos, Santiago do Cacém, Vila Nova de Santo André, foi o caminho de regresso.
Tudo é bonito quando tudo corre bem.
Com as melhores saudações motards, em especial ás "duras Penduras".
Zé Morgas