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domingo, 27 de dezembro de 2009

Carta Aberta XI - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
Tal como suspeitava, o Madeiro, mais uma vez, era brutal em tamanho. Muitas foram as vezes que ouvi da boca do povo, em Penamacor, nos dias que aí passei na quadra Natalícia: “É um exagero”.
Quanta verdade. E que triste verdade.
Interroguei algumas pessoas sobre qual a quantidade de lenha ali depositada no largo do alto da praça. Seguramente mais de 100 (cem) toneladas, ouvi.
Que desperdício. Mas, mais grave é ainda todo o aparato do acendimento do madeiro.
Sr. Presidente
É o piroso exacerbado no seu melhor.
Por momentos ainda pensei se não seria um simulacro realizado pelos Bombeiros Voluntários de Penamacor, com excessivo realismo. Contei três viaturas dos bombeiros, não em vigia, mas em actuação permanente a controlarem o acendimento / queima do madeiro.
O combustível gasto, o CO2 libertado.
E quem tudo paga?
Nós todos, e o planeta, desnecessariamente.
Comete-se um exagero e repara-se com outro.
O núcleo do madeiro, com toda aquela lenha seca, era perigo real com o potencial energético nele contido. O vidro da montra do café “Flor do Adro” partiu. As ondas de calor propagaram-se e fizeram-se sentir, a água pulverizada lançada pelos bombeiros, fria, também lá chegou.
A permuta térmica cumpriu o seu dever.
Quem ressarcia o valor do vidro partido da montra?
Vi os vitrais da igreja “protegidos”. Com algum cepticismo, interrogo-me se a medida foi eficaz.
Veremos.
Igualmente vi na manhã de dia 24, como a brutal pilha de lenha quase tinha desaparecido. Sobravam as toradas mais grossas, que delimitavam a cratera interior do núcleo do madeiro.
Depois da Missa do Galo, a ausência de pessoas era notória.
Que saudade dos tempos idos de antigamente, onde o convívio e a animação, música, cantos, comes e bebes, era uma constante noite fora, até ao nascer do dia.
O já “pouco” e desarrumado madeiro, quase apagado, apenas fumegante, assim continuava no dia 26.
Onde andaram os mancebos do ano?
No meu ano, o ano dos Duros de 61, Madeiro de 81, ardeu lentamente, sempre arrumadinho, sempre aceso, até ao Dia dos Reis.
Patrocina a Câmara todo o festival televisivo da cobertura do acendimento, por segurança deveria ter providenciado os meios necessários para arrumar os “restos” do Madeiro logo pela manhã, e evitar aquele degradante espectáculo de toradas desalinhadas, farruscas de fumo.
Sr. Presidente
Para que tal deprimente espectáculo não se repita mais, urge criar a:
CONFRARIA DO MADEIRO DE PENAMACOR”.
Perpetuar-se-á a tradição, na excelência do seu melhor.
Deixei-lhe algumas sugestões em anterior Carta Aberta, que poderão passar, a uma das actividades da futura Confraria.
Deixo-lhe igualmente expressa, a minha disponibilidade, assim o deseje, para ajudar na fundação da “Confraria do Madeiro de Penamacor”, e deixo-lhe acima de tudo, a todas e todos, as / os naturais e residentes do concelho de Penamacor, os votos sinceros de Boas Entradas em 2010.
Com os melhores cumprimentos
Zé Morgas

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PANTERINHAS

OLÁ PANTERINHAS

Sem querer ser plagiador, permito-me aqui transcrever neste post três citações, de outros tantos comentários feitos neste blogue, pelo Matos Martins.
Desde há já um tempo que andava com a ideia de fazer novo convívio com a malta da FAP, 3ª de 78. Agora, espicaçado assim, não há forma de parar.
Senão, passem a ler:

"Sou o Matos Martins de Matosinhos teu camarada na luta da Guerra de 1978 em Ota. Somos uns valentes guerreiros agarrados à caneca, garanto.
Já falei com o Luís Gonçalves, o “Bragança” para se fazer um Encontro da Malta para beber e chorar. Muito".

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"Boa viagem amigo. Diverte-te à brava aí pelas espanhas. Bom regresso à Pátria Mãe e boa jantarada com os de 61.
Prepara o "rancho" para depois (pró ano) com os guerrilheiros de 78 em Ota.
Grande abraço"
.
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"Já somos uns rapazes ó Zé Penamacor!
Há 30 anos rapazinhos meninos. Aquela malta toda pá. Crescemos um pouco, e tu inesquecível companheiro desfrutas este mundo Global qual Cavaleiro nas Cruzadas.
Boa sorte e até ao reencontro"
.

Já contactei alguns Panterinhas por e-mail, e os primeiros feed-backs, apontam já para um local, a terra do chefe: Mangualde.
Assim, espero também um esforço da vossa parte, (o meu já foi brutal, ter "descoberto" toda aquela malta que participou no jantar dos 25 anos, em 2003), a mínima educação assim o exige, que me respondam a sugerir datas. Mande endereço de e-mail quem tiver. Sem ninguém querer influenciar, proponho a data de 13 e 14 de Março. É uma data intermédia entre o Carnaval e a Páscoa. A ressaca do Carnaval já se foi, há que começar os treinos estomacais para a Páscoa.
O nosso Comandante se encarregará de eleger o local para um almoço alancharado. Ficará a dormir de Sábado para Domingo em Mangualde quem assim o desejar. Por mim não quero correr mais riscos e meter-me à estrada depois de bem comido e bem “boído”.
Termino, deixando-vos um conselho:
Nesta quadra Natalícia comam e bebam à vontade. Lembrem-se sempre, que o que vos engorda não é o que comem entre o Natal e o Ano Novo, mas sim, todos os abusos que cometem entre o Ano Novo e o Natal.

Com um grande abraço

Desejo-vos um Feliz Natal

Zé Morgas
O Penamacor

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Jefatura de Tráfico

Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha

Eu, José Salgueiro Cunha De Almeida, cidadão Europeu, nascido em Portugal, na Vila de Penamacor, a residir em Vila Nova de Santo André, venho por esta forma relatar um facto ocorrido em Espanha, na via A 49, sentido Sevilha - Huelva, ao quilómetro 0003,500 no passado dia 30 – 11– 2009, cerca das 10 horas e 40 minutos, auto nº: 410700703272.
Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha
Tenho milhares de quilómetros percorridos de mota por Portugal de Lés a Lés, Espanha, Marrocos e Madeira
Espanha, desde há muito que é um dos lugares de eleição para os meus passeios moto turísticos.
Enumerar aqui todos os locais que já visitei em Espanha, seria tarefa difícil, não me lembraria por certo de todos. Permito-me contudo lembrar alguns dos mais importantes, passeios de dois, três dias, e, alguns de uma semana:
Santiago de Compostela; Picos da Europa; Santander, Bilbau; Valladolid, Pinguinos; Salamanca; Cuenca; Granada; Ronda; Puerto de Santa Maria, foi em Puerto, que tentaram roubar-me a mota, por incrível que pareça, devidamente estacionada num parque, frente ao edifício do tribunal, apenas não a levaram, porque, ao “chantarem” os fios, depois de todos cortados, por erro?!, queimaram o fusível geral, sorte a minha, azar o dos larápios; Mérida; Córdoba; Sevilha.
Foi no regresso a Portugal, deste meu último passeio de 4 dias por terras de Espanha. Quando circulava na via referenciada, reparei pelo retrovisor que um carro da polícia se aproximava. Ouvi o barulho das sirenes e via os pirilampos ligados. Regressavam comigo a Portugal, mais duas motas e um carro.
Observei que a autoridade começava a “forçar” a ultrapassagem ao carro português e isso aconteceu. Posicionaram-se na traseira da minha mota, e começam a forçar nova ultrapassagem. Pensei ser um carro batedor da polícia. Desviei-me um pouco para a direita, todos circulávamos na faixa da esquerda, e dou com a viatura ao meu lado. Olhei de soslaio pelo canto da viseira, e reparo que um agente me faz um sinal para me desviar par a direita. Cumpri, vão com pressa, deixa-os seguir, foi o que pensei.
Eis senão quando, reparo que me começam a encostar, a meter a frente da viatura sobre a minha mota e a gesticular.
Nem queria acreditar, sabia estar em Espanha e não no Far West.
Sem saber o motivo de tal actuação, lá fui andando até parar, encostado à traseira da viatura da polícia, junto aos rails do lado direito da via.
Antes mesmo que tivesse tempo para tirar o capacete, sai um agente da viatura e começa a fotografar a minha mota. O que se passa? Interroguei-me.
Tirei apenas o capacete, mantive sempre a balaclava colocada, ver o meu rosto não devia ser coisa importante, porque nem me pediram para a tirar, e, começa um agente por me perguntar se tinha residência em Espanha, disse-lhe que não, de facto não tenho. Diz-me então que tinha de pagar uma multa. Se tinha dinheiro comigo. Dinheiro, Dinheiro, ou então tinha que os acompanhar até um”cajero”, julgo que se trata de uma caixa Multibanco.
Interroguei o agente da autoridade, o porquê da multa. Percebo então, que pelo facto de ter, uma pequena bandeira do meu país, que anda naquela mota desde o Europeu de 2004, outra lá andou desde o dia em que a comprei, outras andaram noutras motas que já tive, pendurada, tinha originado todo aquele aparato
Pela atitude do agente percebi, que outra solução não me restava senão pagar.
Os olhos pareciam brilhar de ganância.
Foi o que fiz.
Admirado fiquei também, quando reparei, que no local onde assinei, tinha uma nota a dizer, que a assinatura não implica conformidade. Pudera, conformidade para quê? Se o que querem é dinheiro, vivo de preferência, ali na hora. Identificação dos agentes, só um número. Parecia que estava no terceiro mundo e não num país europeu, dito civilizado.
Como era a primeira vez que era confrontado com tal situação, fiquei sem na realidade saber o que fazer, e quais os direitos que me assistem como cidadão europeu. De uma coisa apenas tinha a certeza: o agente apenas queria o dinheiro, prova é que escreveu o valor da multa na mão, apontava com o dedo, dizia que tinha que pagar, pagar, enquanto o seu colega, sem nunca nada ter dito, se limitava a escrever num desses aparelhos que a tecnologia lhes faculta.
Senti-me um mero cidadão impotente, que apenas têm direito à indignação.
Pergunto?
O que fazer, se não estiver de acordo com a multa?
Pagar no momento, soube posteriormente, invalida que possa contestar a multa. Como fazê-lo sobre a forma de depósito?
O que o agente viu numa simples e inofensiva bandeira. O tratamento que tive naquela via é digno. Quem assistiu, deveria ter pensado que eu era o mais perigoso bandido da península ibérica. Aquele acto deixou preocupados, os meus companheiros de fim-de-semana, por não saberem o que se estava a passar. Encontrei-os à minha espera, no posto de combustível próximo.
Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha
Durante o resto da viagem de regresso a Portugal, duas interrogações me ocorreram:

- Será que o agente, por ver a bandeira do meu país, se lembrou do desaire de Espanha no Campeonato Europeu de Futebol de 2004?

- Será que o agente, por ver a bandeira do meu país, e ser véspera de uma tão importante data para o povo português, Revolução da Independência de 1 de Dezembro de 1640, por revanchismo me resolveu multar?
Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha
È sempre com desagrado, que oiço e vejo nos média, notícias sobre problemas com actos de terrorismo. Espanha já sofreu alguns desses actos. Creio ser um bom prémio para o agente que me multou, ser colocado num desses grupos anti-terrorismo: quem vê o perigo que viu, numa simples e inofensiva bandeira, o que não verá esse agente em mecanismos realmente perigosos…
Com os mais respeitosos cumprimentos
José De Almeida

domingo, 13 de dezembro de 2009

Flandria

Ao olhar a escadaria de acesso ao ENSI, assalta-me à memória as vezes que as desci na minha Flandria. (Guardo-a na minha garagem, aqui em Vila Nova de Santo André, totalmente restaurada, de vez em quando dou umas voltinhas com ela).
Havia sempre uns "malandrecos" dispostos a ajudarem-me a subir a motorizada para o hall de entrada, onde a punha a trabalhar, dava uma voltinha rápida, tocava a sineta, que estava do lado esquerdo da porta de entrada na secretaria, e... baldava-me porta fora pelas escadas abaixo. O que isso irritava a Dª Augusta...
É verdade também, que tais abusos ainda me valeram umas "chibatadas" nas orelhas, com uma caninha da índia, dadas pelo marido da Dª Augusta, o Sr. Paiva, inveterado fumador de Mini Kayak.
Que me perdoem, eram actos irreflectidos, próprios da idade.
Idade que não volta mais, e que deixa saudade.
Zé Morgas

sábado, 12 de dezembro de 2009

AAENSI

Recebi por e-mail, um pedido para publicação no meu blog, do texto que se segue. Faco-o com gosto, afinal, também ali passei naquele ENSI, quase seis anos da minha mocidade.
Começei lá o 1º ano, fiz o 1º trimestre, mas fiz o 2º e 3º trimestres na Escola Preparatória Ribeiro Sanches, assim como todo o 2º ano. Regressei ao ENSI no 3º ano (1º ano do curso liceal) até ao 7º ano (2º ano do curso complementar dos liceus) . Foi entre os anos de 1971 a 1978. Aqui envio beijinhos e abraços a todas/os as/os que por lá passaram nessa data, igualmente deixo o compromisso de ajudar a futura associação no que me for possível.
Zé Morgas
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Associação dos Antigos Alunos do ENSI Penamacor

Projecto de Objectivos e Competências

1. Promover a preservação, defesa e divulgação do património vivo do Externato e seu espólio disperso pelo território nacional e além fronteiras, promovendo automaticamente o concelho de Penamacor;

2. Fomentar e apoiar a valorização cultural e científica;

2.1. Promover colóquios e conferências na sede de Concelho aproveitando as valências científicas dos seus membros e estando os mesmos ao dispor das Institituições concelhias para esse efeito;

3. Cooperar com as Instituições do poder local em tudo o que seja consentâneo com os fins da Associação;

4. Promover junto de escolas e poderes constituídos acções de formação recorrendo às valências científicas dos seus membros;

5. Criar uma revista de periocidade anual de divulgação do espólio e actividades que promovam em primeira instância o concelho;

6. Criar condições de promoção sérias e tendo por objectivo a divulgação do concelho beirão onde se inseriu e mantém vivo o espólio do ENSI;

7. Criar e manter assiduamente um sitio na Internet que surgirá na ultima semana de Julho de 2010 e promover as actividades da Associação;

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta Aberta X - Sr. Presidente C.M. Penamacor

Sr. Presidente
Pela segunda vez, realizou a malta do ano de 61, do século passado do milénio transacto, uma jantarada convívio, no restaurante “O Venetas”.
Foi a minha primeira presença, já que na primeira jantarada, não compareci por motivos profissionais e inadiáveis. Ficou-me a mágoa de não ter participado.
Desde essa altura que tinha em mente uma ideia para apresentar, e que agora aqui me proponho revelar a Vª. Exª.
Surgiu-me, ao ver o Madeiro de Penamacor, 2008, o maior de Portugal.
Era grande, muito grande, demasiado grande, brutalmente grande.
Maior que todos os anteriores, ou muito mal empilhado - arrumado!?
Isso assustou-me, continua a assustar-me, a continuar assim dentro de um futuro próximo, não haverá sobreiros no concelho de Penamacor.
A lenha acaba, o Madeiro morre, a tradição esfuma-se.
Ninguém quer que tal aconteça.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, todos nos adaptamos ás novas circunstâncias e realidades.
Registo com particular alegria, saber que a tradição durante longos anos, só de homens, conta desde há já algum tempo com a participação das “moçoilas” do ano.
Essas criaturas, Mulheres, que são a forma superior da beleza, acima da qual nada mais há a dizer, há muito que o deveriam ter feito. Ter-se-iam pintado… quadros belos, de outra cor.
Os meus parabéns ás pioneiras.
Mas a mudança deve continuar, obrigatoriamente.
Sr. Presidente
Todos conhecemos os danos que o planeta sofre com as mudanças climáticas, e que cada vez mais se agravam. Prova disso é a cimeira da ONU sobre alterações climáticas, que começou há dois dias em Copenhaga, onde os milhares de delegados dos 192 países presentes, assistiram à projecção de um filme acerca das consequências catastróficas do aquecimento global. Temos que reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. A queima do madeiro liberta alguns. Perpetuar a tradição não implica a “brutidade” dos madeiros a que nos últimos anos temos assistido.
É brutal o potencial energético contido naquelas montanhas de troncos de sobreiros. Sem contar com o perigoso abuso que é deitar para a fogueira, pneus e óleo queimado.
Já aconteceu por várias vezes, as persianas das janelas de algumas casas da praça derreteram, devido ao forte calor gerado. Situação inadmissível. É igualmente um desperdício de recursos, humanos e materiais, as soluções usadas, os bombeiros a controlarem a queima com o auxílio de carros e água.
Gostava de voltar a ver as imagens que ainda guardo na minha memória do meu tempo de menino, do arranque do madeiro, feito na noite - madrugada do dia 8, a chegada à vila, religiosamente à hora de saída da Missa do Meio-Dia, do dia 8 de Dezembro.
No meu ano, 1981, isso se cumpriu.
Entrámos na Vila e chegámos ao alto da praça, orgulhosamente transportados num carroça puxada por uma junta de bois, pertença de “Joy Manata”.
Os primeiros troncos foram descarregados e empilhados à força de braços.
O baile do Madeiro de dia 8, apinhado.
O acendimento no dia 24, no meu ano assim o foi, porque, um grupo de duros mancebos unidos, Zé Morgas, Luís “Pé Leve”, O Nalgas, Borrego, Manta, Quim Amaral, Vítor Jack, infelizmente já falecido, Tó Maria, Esteves “O Guedes”, Canês “Papagaio do Rato”, Chico Abreu “O Socratiniano”, (assim apelidado pelos meus companheiros motards, no primeiro passeio realizado a Penamacor) e outros, fizeram de guardiões do madeiro durante todas as noites.
Depois de aceso, era sempre uma festa o “coçó ó madeirinho” com robustos cajados de pau de marmeleiro, (os que eu julgava roubar ao meu avô materno, que na realidade eram por ele ali deixados para o efeito, evitava assim que sumissem os que lhe convinha), cujo manejo exigia pulso forte e habilidade.
O convívio puro das gentes, nas mais adversas condições de tempo, chuva, frio, neve, depois da saída da Missa do Galo, a festa…comes e bebes, que se prolongava noite fora até à manhã do dia 25.
O Madeiro, anos havia em que chegava aceso até ao Dia de Reis, celebrado no mês de Janeiro já do ano seguinte.
Sr. Presidente
Voltando à ideia, aproveito o momento para revelá-la:
Se não queremos que o madeiro acabe, temos que plantar sobreiros, sobreiras, avivar o sobreiral. Queremos cortiça, bolota, madeira compacta e rija, carvão de sobro…e como tudo morre, até as árvores, no final troncos para o madeiro.
Perdoem-me a minha ignorância, mas desconheço em absoluto qual a melhor data do ano para plantar sobreiros e como se faz.
Sabê-lo-ei.
E esta é a data chave. Cada vez as pessoas são menos no concelho. A quem está fora, há que aliciá-las a voltarem mais vezes ás origens, mas com festa.
Juntaram-se as moças aos moços, juntemos também: residentes, emigrantes, imigrantes, migrantes, etc; os que passarei a denominar de “Madeiro de ...":
Bronze - ( 10 anos depois da 1ª participação)
Prata - ( 25 anos depois da 1ª participação) e
Oiro - ( 50 anos depois da 1ª participação )
Quero dizer, reunir em data: dia e mês a combinar, (a rapaziada do ano, após pesquisa, elaborará lista com os condecoráveis, e fará chegar aos “Madeiro de ...” o convite por carta, telefone, sms, e-mail, são muitos os meios à disposição ); propícia à plantação de novas árvores, e teremos aqui uma função pedagógica, ensinar a quem pretende arrancar, que primeiro é preciso semear, plantar, e como se faz; cada participante plantará no mínimo uma: a rapaziada do ano do madeiro, e quem o tenha feito há 10 (bronze), 25 (prata) ou 50 (oiro) anos.
Junta-se assim a malta com 20, 30, 45 e 70 anos.
Escolhido o local onde será feita a plantação, aí mesmo se fará uma “grelhada” bem regada, seguida da condecoração dos “Madeiro de bronze, prata e oiro".
Uma coisa simples, um tronco de madeira pintado, que valerá apenas e tão só pelo seu simbolismo.
Mais, estou certo de que colherão os mancebos do ano, algumas valias com a realização de tais condecorações. Levará a generosidade e o agradecimento, a contribuir com “uns cobres” para um fundo necessário à realização do madeiro e eventos associados:
comida e bebida gratuita para todos na noite do arranque, e "tocador" no bailarico de dia 8.
Quanto ás enormes quantidades de lenha queimadas, tal torna-se desnecessário, para manter a tradição, basta uma pequena pilha, como antigamente, e como feito no meu ano, deitar-lhe o fogo antes da Missa do Galo. Haverá brasa e borralho quente suficiente, para os fiéis e restante povo, se aquecerem no final da Missa do Galo e noite fora.
Deixo a ideia. Há que passar às acções.
Penso que seria legítimo, a Junta de Freguesia, tal como faz com o Magusto, ser a entidade organizadora, orientadora dos mancebos. Conhecerão sem dúvida alguma, os elementos da Junta de freguesia, locais onde se possa plantar umas árvores, fazer a tal grelhada, bem regada, onde existirão umas árvores secas para derrube, e posterior queima.
Eleve-se o Madeiro, a mais uma imagem de marca do nosso concelho, pela Excelência da Qualidade, e não pela brutalidade da quantidade de lenha empilhada para queima.
Será sempre bem recebido, quem queira colaborar, naturais e forasteiros.
Estou certo que muitos comparecerão.
Sr. Presidente
Para terminar e porque é Natal, deixo-lhe aqui um pedido, já não estou em idade de pedir nada ao Menino Jesus, uma prenda de Natal para o Povo de Penamacor, que muito lhe agradecerá:
Veja Sr. Presidente. a vergonha e o real perigo, e a tendência será sempre o constante agravamento, que é o piso desse colossal mamarracho, da autoria dessa Câmara a que Vossa Excelência preside.
Mais um elefante branco para sorver as já depauperadas finanças da Câmara Municipal de Penamacor.
Isso evita-se com a demolição total (já foi parcialmente demolido, veja-se pela foto) do mamarracho do Sumagral.
Mata-se o mal pela raiz.
A todos um Feliz Natal.

Zé Morgas

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Córdoba - Sevilha

Sexta-feira, dia 27 de Novembro de 2009. Acordei cedo, levantei-me, a primeira coisa que fiz foi olhar pala janela e observar o estado do tempo. Tudo o que tinha lido na net, de véspera, deixava-me com dúvidas. Com dúvidas continuei, mas decidi equipar-me normalmente, apenas protegido contra o frio que se fazia sentir. Sai de casa e fui fazer a reza da parede, oração Multibanco. Começaram a cair umas pingas de água. Como sempre me disseram que mais vale prevenir que remediar, resolvi voltar a casa e equipei-me “contra a água”. Vestir impermeáveis sobre o equipamento já molhado, é viagem dolorosa.
Fui ter com os outros companheiros e companheiras de viagem. Desta vez um grupo reduzido, mas como diz o velho ditado popular, poucos mas bons. Seis motas e nove pessoas. Estava combinado pelas 8 horas e 30 minutos, a partida do grupo desportivo da Repsol rumo a Córdoba.
Saímos com algum atraso, chovia uma morrinha inicial, que se intensificou a partir de Santiago do Cacém, e uma primeira paragem na Cova do Gato, um companheiro fartou-se de apanhar molha e resolveu vestir o impermeável.
Continuámos viagem e por ironia do destino, pouco depois, ao passar frente ao cruzamento de Aldeia de Ruins deixou de chover.
Paragem em Rosal de La Frontera, para abastecer as motas e aconchegar os estômagos. Nova partida, e poucos kms andados, pela primeira vez, em muitos anos que vou a Espanha, entre Higuera de la Sierra e Aracena vi dois radares, montados como é habitual nas nossas estradas: escondidos, numa caça pura à multa.
Passamos sem problemas, seguimos viagem, entramos na A 66, e antes de Sevilha, saída para Algabá, apanhámos a A 436. Segunda paragem em Alcolea del Rio, para novo abastecimento das motas, e, mais um pequeno aconchego sólido e líquido dos condutores e penduras. A partir de Lora del Rio seguimos pela A 431 até Córdoba.
A, A 436 e A 431 são paralelas ao rio Guadalquivir. Têm zonas de condução divertida.
Chegada a Córdoba, ao Hotel NH Califa.
Feita a distribuição dos quartos, banhos, mudança de roupas, etc, foi o grupo dar uma volta pela parte histórica da cidade.
Começou com uma visita aos Banhos Árabes, houve quem fizesse uma marcação para a manhã seguinte, de acordo com as vagas existentes, umas tapas e umas cañhas numa agradável “bodega”, passeios pelas ruelas, visitas ás lojas para algumas compras e chega a hora de jantar.
Entrámos na Bodega Taberna Rafaé no centro histórico. Não desgostei.
Para “desmoer” o jantar, novo passeio por novas zonas da parte histórica. O piso das ruelas é martirizante para os pés, é feito com pedrinhas do rio, seixos, colocados a cutelo. As minhas botas de segurança ficaram em Santo André…Como o lamentei.
Sábado de manhã foi parte do grupo para os banhos árabes. Eu, decidi ir à procura de bordados com o brasão de Córdoba. Depois de uma vintena de “tiendas” visitadas, lá descobri o material pretendido.
Depois de terminados os banhos e as massagens, quem por elas optou, fomos todos visitar a Catedral de Córdoba, antiga Mezquita. O bilhete de ingresso custou oito euros, mas é dinheiro bem empregue. É uma obra colossal.
A Mesquita - Catedral de Córdoba, é hoje uma mistura de estilos arquitectónicos sobrepostos que sucederam ao longo de 9 séculos de construções e restauros.
A construção da Mesquita foi iniciada nos finais do século VIII, ano de 785 por ordem de Abd alRahman I. No seu exterior existe uma muralha fortalecida por torres quadradas por onde se abrem as diversas portas para o edifício. Em 1236 a Mesquita foi convertida em catedral por S. Fernando. A torre, obra de Hernán Ruiz, realizada sobre os restos da torre árabe construída por Abd alRahman III, e coroada por um “San Rafael”, obra do escultor cordobés Pedro de Paz.
Finda a visita foi o grupo almoçar ao restaurante Federacion de Peñas. Dada a já sentida desidratação dos organismos, foi o almoço bem regado com tinto de superior qualidade.
Novas caminhadas, visita á Plaza De la Corredera, sempre com animação constante, e coisa que nunca tinha visto, a Feira del Bélem de Córdoba 2009. Milhares de peças para enfeitar - compor o presépio. Surpresa total, até macacos tinha. Vimos idêntica feira em Sevilha e ainda maior.
Continuamos com mais uma caminhada junto ao rio Gualdalquivir, uma fotos de grupo na ponte romana, em restauração, visitas a locais de interesse e chega novamente a hora de jantar.
Decidiu o grupo entrar na “Bodega Mezquista”, onde se lia à entrada num placard estratégicamente colocado: “Mais de 40 tapas e mais de 60 Viños”. Optámos por escolher um sem número de tapas que fomos pinchando, sempre acompanhadas de um tinto de qualidade.
Prefere o grupo a qualidade em detrimento da quantidade.
Pormenor castiço, os comensais clientes anotam os pedidos pretendidos, num bonito bloco com lapiseira, posto à disposição conjuntamente com a lista. Trouxe um bloco de recordação.
Não regressou o grupo ao hotel, sem primeiro “atabojar” em cima do jantar, uma porção de docinhos, chocolates e gelados caseiros de esmerado fabrico.
Domingo foi dia de partida, uns, com destino de regresso a casa, outros com destino a Sevilha. Decidimos ficar mais uma noite para ver um show de canto e dança sevilhana e flamenca.
S. Pedro não teve pena de nós. Chovia impiedosamente e assim rolámos durante mais de sessenta kms, pela A4 rumo a Sevilha.
Antes de Sevilha, dividiu-se o grupo, conforme o destino. Ficamos cinco, mais tarde juntou-se a nós um casal companheiro nestas aventuras moto turísticas.
Chegados ao Hotel Fernando III, a rotina do costume. Uma agradável surpresa, o parqueamento das motos foi oferecido, só os carros pagam.
Quando nos preparávamos para sair, para passear e visitar a Catedral, começou a chover.
Comprei em tempos um pequeno guarda-chuva em Puerto de Santa Maria que sempre transporto na minha mota. A finalidade principal é só mesmo proteger essencialmente a cabeça, e os óculos, da chuva. Dirigi-me à recepção onde estavam duas esculturais e belas Sevilhanas, uma com uns cabelos lindos, cor de seara madura. Fez-me recordar uns cabelos igualmente lindos que já vi algumas vezes. Pedi-lhes que me abrissem o portão da garagem. O acesso à garagem é feito pelo exterior, e a entrada do hotel é em portas de vidro mas com abertura retardada por efeito do detector de movimentos. Desconhecia o facto. Assim, antes de sair do hotel e dirigir-me para a garagem, permiti ao meu olhar uma nova oportunidade de deleite e mirar tão bonitas criaturas. Sabia que vinha na trajectória exacta da porta, virei a cabeça e curti a vista. Mas meu Deus, quando novamente me viro e me preparo para sair porta fora, sem nada esperar, afinco um cabeçadão naquela porta de vidro, que até recuei dois passos. Envergonhado com o ridículo da situação, e com uma forte dor na testa, sai, fui buscar o guarda-chuva, e agradeci com um aceno de mão a gentileza de me terem aberto o portão. Reparei que com algum esforço controlavam o riso. Pudera. Ainda hoje, sinto um “galozito” na testa.
Como a finalidade de ter ficado em Sevilha era ver um show de dança e canto flamenco, partimos à descoberta dos melhores locais.
Los Gallos, El Arenal, Pátio… junto ao museu taurino, eram os locais de eleição. Foi-nos permitido observar os locais, disseram-nos os horários dos espectáculos e os preços. Todos muito iguais e bastante caros.
Resolvemos entretanto fazer um city-tour pela cidade, só ontem reparei que o bilhete era válido por dois dias,
Findo o passeio, fomos a pé, visitar A Catedral de Sevilha, também conhecida como Catedral de Santa Maria da Sede. É a maior de Espanha, e o terceiro templo maior do mundo atrás do São Pedro do Vaticano, no Vaticano, e São Paulo, em Londres. Tem uma arquitectura interior majestosa. Visite-a quem puder.
Finda a visita, e para retemperar forças impunha-se beber umas cañas e comer umas tapas de Pata Negra. Isso se cumpriu na Taberna Sacristia, bem perto da Catedral.
A melodia que foi ouvir por várias vezes o som dos sinos instalados na Torre da Catedral.
Depois de três ou quatro cañhas, decidimos o local onde iríamos ver a show de sevilhanas e flamenco, optámos pelo Tablao El Arenal. www.tablaoelarenal.com.
Um momento bem passado.
Findo o espectáculo decidimos ir jantar. Foi de todos o melhor jantar em termos de qualidade. Fica o restaurante situado junto ao hotel onde pernoitamos.
Segunda-feira foi dia de regresso a casa, e, com uma história vivida no início da viagem, saída de Sevilha, na A 49, sentido Huelva, que me permitirei aqui relatar em carta aberta, assim que a enviar para as autoridades que julgo dever enviar. Brincadeira que me fez disparar o custo da viagem para uma milhafra de €uroses estoirados.
Almoçou o grupo junto, na Azenha do Mar, num restaurante com o mesmo nome. O preço, metade do que normalmente pagávamos em Espanha, e a qualidade de longe superior.
Mas, terminou tudo bem, depois de quase mil kms percorridos. A minha mota contabilizou 990 Kms e alguns hectómetros.
Depois de duas noites de árduo trabalho, é tempo de mais logo rumar até Penamacor, onde já não vou há dois meses, no gozo de mais uma merecida folga.
Tenho à espera, sábado, os meus companheiros de 61 para uma valente jantarada.
Escreveu o meu amigo Karraio num comentário, neste meu blog, que eu era um perigoso hedonista. Não Amigo, permite-me que te diga com honestidade, creio ser mais um manso epicurista, ou talvez alguém, que vive uma doutrina ou uma filosofia de vida intermédia, entre o hedonismo e o epicurismo.
Até que a morte me permita
Zé Morgas

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Andaluzia

Lá fora está a chover, que maravilha, ouço as bátegas a bater nas janelas, e interrogo-me se sexta-feira choverá também. Isto, porque sexta-feira, pelas 8h e 30m, parto de mota rumo a Córdoba, na Andaluzia, para mais um dos meus passeios moto turísticos. Por certo o último grande passeio deste ano. Na incerteza do estado do tempo, mais não me resta que preparar todo o equipamento de chuva. Se necessário, apenas tenho que o vestir. Venha chuva que boa falta faz. Os campos agradecem, nós também.
Córdoba é uma cidade média, com um núcleo antigo que foi declarado Património da Humanidade pela Unesco. "Descobri-la-ei" e dela falarei.
Domingo, no regresso, jantarei em Sevilha, cidade que já visitei por várias vezes, e onde quero assistir a um show de dança e canto, de sevilhanas e flamenco. É um espectáculo fabuloso. Dormirei em Sevilha, aliás o hotel já está reservado e pago, tal como em Córdoba.
Segunda-feira estarei de volta a Santo André para quarta-feira viajar de novo, de carro, até Penamacor, no gozo de mais uma merecida folga. Dia 5 de Dezembro, sábado, espera-me uma jantarada com os nascidos em 61 do século passado. Fui um dos mentores da ideia de realizar uma jantarada convívio anual. Ironia do destino, por motivos inadiáveis e alheios à minha vontade, faltei o ano passado. Este ano, não posso, não quero faltar.
Quero viver todos estes pequenos, mas belos momentos da vida.
Zé Morgas

terça-feira, 10 de novembro de 2009

1ª Vez

Foi no Domingo. Passava um pouco das nove horas e lá partiu o grupo, de mota, rumo a Portimão. Ficou em terra um companheiro do núcleo duro, o P. C., este sportinguista, uma deslocação da retina a isso o obrigou. Aqui lhe deixo expresso, o desejo das rápidas melhoras. Como de costume o percurso estava traçado por estradas secundárias. O prazer da condução é outro, e mais, por essas estradas de montanha ainda se respira aquele ar silvestre tão saudável, tão do meu agrado. Em Odemira, foi o percurso alterado, uma pendura, começou a sentir dores nas costas, seguimos por estrada mais suave.
Chegados a Portimão, fomos visitar o museu, instalado na antiga fábrica de conservas Feu. Vale a pena a visita. Mais, está patente até 3 de Janeiro de 2010, uma exposição subordinada ao tema "As carrinhas de Portimão".
Terminada a visita dirigiu-se o grupo para o restaurante “O Ténis”. Cada qual escolheu o que mais lhe agradou. Resolvi fazer uma “vaquinha” com um companheiro do asfalto, optámos por uma feijoada de lingueirão e uma massada de peixe. E porque há sempre alguém, mesmo que as doses por vezes nem sempre tenham a quantidade desejada, a quem sobra sempre um pouco. Soterrámos a massada e a feijoada com uns secretos de porco preto, tudo regado com um tintinho agradável. Nas sobremesas, e sem ser muito guloso, ainda arranjei um espaçozinho para um D. Rodrigo e um Morgado da Serra. Tanto doce! …carências?, interrogar-se-ia a minha saudosa avozinha.
Para “matar” o doce, um café e dois medronhos da serra do Marmelete. O medronho tinha um travo a figo.
E, porque enquanto se come também se pode falar, ultimaram os interessados os pormenores da próxima viagem, a realizar já nos dias 27, 28, 29 e 30 do corrente mês, a Córdoba, Espanha.
Ficou assente que no regresso, a noite de 29 para 30 é passada em Sevilha, jantar com espectáculo de sevilhanas.
Ficou igualmente alinhavado o grande passeio do próximo ano, lá para o mês de Junho: sul de França. Andorra, travessia dos Pirinéus, visita ao Santuário de Lourdes, e outros locais...
Pretende o grupo fazer o baptismo no TGV, no trajecto de ida, entre Sevilha e Barcelona. Vamos saber se é possível transportar as motas no TGV. Aproveitaremos a estadia dia 30 em Sevilha, para obter informações.
Para terminar o passeio de Domingo a Portimão em beleza, quis o destino que se soltasse o elo de ligação da corrente da minha mota. Fiquei sem transmissão na Via do Infante, antes de Bensafrim. Pela primeira vez, (como na vida, há sempre uma primeira vez para tudo, até no amor) accionei a assistência em viagem. Com alguma demora perfeitamente justificada, o trato foi de qualidade. Vim de táxi até V. N. Santo André, aguardo apenas a chegada da mota, para ser reparada. Hoje mesmo tratei de encomendar o material necessário. Córdoba e Sevilha esperam-me, como me espera já este sábado, um faustoso banquete de enguias da Lagoa de Santo André.
Chorarei os faltosos.
Há que dar vida aos anos, morrer, mas farto.
Zé Morgas

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Magistral

Com os companheiros motards do costume, domingo passado, saí de Vila Nova de Santo André, rumo ao Autódromo Internacional do Algarve em Portimão, pelas sete da matina, para assistir ás corridas, do Campeonato Mundial de Superbikes:
O programa era/ foi o seguinte:
08:00 - 08:10, Warm-up Superstock 1000 (10 minutos).
08:20 - 08:40, Warm-up Superbikes (20 minutos).
08:50 - 09:10, Warm-up Supersport (20 minutos).
09:40 - 10:00, Corrida Superstock 1000 (12 voltas).
11:00 - 11:40, Primeira Corrida Superbikes (22 voltas).
12:25 - Corrida Supersport (20 voltas).
13:30 - Corrida Superstock 600 (10 voltas).
14:30 - Segunda Corrida Superbikes (22 voltas).
Fomos para a bancada “A”, onde o meu amigo “Capitão Espargo” já tinha os lugares reservados. E como já estava tão bem composta. A vista agradeceu.
Levámos farnel suficiente para fazer um “bodo”.
As corridas foram disputadas como esperado: renhidas, impróprias para cardíacos assistirem. Terminaram assim:
Superbikes -
O piloto norte-americano Ben Spies (Yamaha) sagrou-se, pela primeira vez, campeão mundial de Superbikes em motociclismo, após conseguir uma vitória e um quinto lugar nas duas corridas disputadas no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. Noriyuki Haga (Ducati) caiu na primeira corrida, não pontuou. Na segunda corrida ficou em segundo lugar, não foi suficiente para alcançar o desejado título mundial.
Supersport -
O piloto irlandês Eugene Laverty, da equipa portuguesa Parkalgar Honda, venceu a última corrida da temporada no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, sagrando-se vice-campeão mundial de pilotos em Supersport.
O piloto da Parkalgar Honda tinha de vencer e aguardar que Crutchlow não se classificasse entre os 10 primeiros. O britânico terminou em quarto e arrebatou o título de campeão do Mundo, com mais sete pontos do que Laverty.
Superstock 1000 -
O título mundial de Superstock 1000 já estava atribuído ao belga Xavier Simeon.
Superstock 600 -
A corrida do Campeonato da Europa de Superstock 600, onde pontificam as jovens estrelas do futuro, foi, como é habitual, das mais animadas. O mesmo acontece nas 125 no mundial de MotoGP. O britânico Gino Rea sagrou-se campeão por apenas um ponto, para o que lhe bastou o 3º posto atrás de Marco Bussolitti e Vincent Lonbois, e estes pilotos, os três primeiros do campeonato ficaram separados por apenas três pontos.
Foi um Domingo bem passado, memorável.
Mas a alegria maior, foi saber que aos trinta anos, 13 de competição ao mais alto nível, o meu ídolo Valentino Rossi, continua a demonstrar que é um piloto à parte no motociclismo mundial, a conquista do nono título mundial, o sétimo na categoria rainha, confirma-o.
No mesmo circuito que apadrinhou a sua estreia em provas do Mundial de motociclismo, há 13 anos, Valentino Rossi festejou o seu sétimo título mundial de MotoGP - depois de também ter sido coroado nas classes de 125 (1997), e 250 (1999). Na altura contava com a irreverência e a força dos 17 anos. Hoje, é a experiência dos 30 anos que permite ao " IL DOTTORE" (alcunha que qualifica a qualidade da sua condução) controlar os adversários, todos eles um par de anos mais novos, que ameaçam roubar-lhe o estatuto de campeão. Foi o que aconteceu, domingo, na Malásia, quando Valentino Rossi, (Yamaha) que apenas necessitava de acabar no quarto lugar para garantir o título, acabou a corrida em terceiro. Casey Stoner (Ducati) foi o vencedor e o espanhol Daniel Pedrosa (Honda) subiu ao segundo lugar do pódio de uma prova que começou com um atraso de 35 minutos devido à forte chuva que caiu.
E a alusão às vantagens da maturidade, mediatismo, popularidade... devem-se também à simpatia e irreverência na forma como festeja as vitórias, as quais não se coíbe de exibir publicamente, como aconteceu, esta época, em San Marino - ganhou e subiu ao pódio com orelhas de burro. Rossi quis justificar o erro que cometeu no GP Estados Unidos e que lhe tirou o triunfo, Antes, tinha corrido com o burro Shrek estampado no capacete. O talento de Rossi tem a mesma dimensão das suas excentricidades. Algo que ficou bem evidente e exposto na camisola que envergou no final da corrida de domingo, em Sepang, com a ilustração de uma galinha em idade avançada acompanhada pela magistral frase "Galinha velha faz boa canja". Pouco depois, o divertido piloto explicou: "Em Itália, diz-se que as galinhas velhas dão boas sopas, mas já não põem ovos. Eu, aos 30 anos, sou como as galinhas velhas, mas ainda ponho ovos: é o nono", brincou Rossi.
Rossi tem mais oito anos que Jorge Lorenzo e mais seis que Casey Stoner e Dani Pedrosa, os principais rivais. Nada que assuste o italiano, cujo objectivo, domingo publicamente assumido, é o de chegar a novo título na prova rainha do motociclismo. O que a acontecer superaria o recorde de oito mundiais ganhos pelo seu compatriota Giacomo Agostini.
Vamos a isso Rossi. Vamos ao Décimo título. Dá-me essa alegria.
Zé Morgas

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nas Nuvens

Pela quarta vez na minha vida estive na Madeira, a segunda este ano, estive lá em Maio, fui de barco e levei a minha Mota.
Foi a minha terceira “aterragem” no aeroporto do Funchal. Ainda recordo as que lá fiz em 79 e 80 do século passado. Que diferença a sentida. Ainda bem, em nome da segurança.
Espero ainda, mais vezes lá aterrar, não quero morrer sem “viver” pelo menos uma passagem de ano no Funchal.
Visitei os mesmos locais que já tinha visitado de mota em Maio, (mais, desta vez até a praça / mercado do Funchal visitei, coisa que nunca fiz na terra onde vivo), mas isso se impunha, e afinal reviver / visitar coisas lindas é sempre bom, ia com um grupo de colegas de trabalho, treze no total, para muitos a primeira ida à Madeira, e para alguns, creio que dois, foi mesmo o baptismo de voo. Há muito que tínhamos combinado o jantar na Madeira, tínhamos tudo organizado: viagem e alojamento pago e os carros de aluguer reservados.
Correu tudo bem e todos gostámos. Ficámos com a vontade de repetir um novo passeio, outra jantarada, a um outro qualquer bonito local.
Todos adoraram as vistas das alturas: Pico dos Barcelos, Miradouro da Eira do Serrado, Cabo Girão, etc…as vistas impressionam, assustam mesmo os mais medrosos.
Eu andei sempre nas alturas, nas nuvens, acima das nuvens…, onde estas paisagens me transportaram…
Chegados a Lisboa, por volta das 20 horas do dia seguinte ao da partida, e como já adivinhado, dividiu-se o grupo nas decisões. Como amigo não empata amigo, cada grupo decidiu o seu destino, afinal a grande maioria “apenas” tinha que estar presente no dia seguinte, em Sines, pelas 8 horas, no complexo petroquímico numa acção de formação. Como eu estava sozinho, vim só no meu carro, e para aproveitar o facto de estar por Lisboa, tinha telefonado do Funchal, a um Grande Velho Amigo do meu ano de 61, desafiando-o para beber uma copa antes de rumar a V.N. Santo André.
Aceitou, e quando cheguei ao local combinado, fiquei a saber que tinha o jantar em sua casa à minha espera, um magnífico jantar. Como à minha espera para jantar estava a sua Família.
Neste trecho do Zé Morgas aqui fica o registo do meu obrigado, e as desculpas pelo incómodo causado.
Pouco após o início do jantar, novas visitas chegaram a sua casa. Pessoas que conheço, e que me conhecem de pequenino, do tempo do berço. Como diria a minha saudosa avó, -que descanse-carinhosamente tratada por "Ti Conceição Pereirinha", na sua natural e genuína pureza: Gente muito boa e bonita; e digo eu, uma particularmente bela, demasiadamente bela. Mas eis que algo me acontece. Sem querer ser desonesto comigo mesmo, porque também não gosto de o ser com ninguém, tenho que admitir que um inesperado e apertado, não desejado, nó no estômago, quase me impediu de jantar. A melhor e mais apertada banda gástrica, não surtiria semelhante e eficaz efeito. Facto que não passou despercebido a alguém, pois me disse:
- Estás a comer tão pouco!
- É do cansaço da viagem, respondi.
Terminado o jantar, uma breve mas agradável conversa, despedidas, e fiz-me à estrada.
Sem saber porquê, viajava com a sensação de ter “voado” no Paraíso, e só agora, ter começado a aterrar.
Não creio haver caneta que consiga relatar, a felicidade vivida no silêncio do meu olhar. Como Friedrich Nietzsche tinha razão quando afirmou:
Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura”.
Rolei até Santo André, da forma como tinha andado na Madeira, sempre nas nuvens.
Nas nuvens aprendi uma lição:
O passado não dita o futuro.
E porque, esta passagem pela vida, nada mais é, que umas pequenas férias que a morte nos concede, que devemos aproveitar sem reservas, este fim-de-semana irei até ao autódromo internacional de Portimão, (paragem obrigatória no Rogil para comer uma empadinha e os viciados esfumaçarem um cigarrito) assistir ás corridas do campeonato mundial de Superbikes. E para que possa continuar nas nuvens, comprei um bilhete para a bancada “A”, no ponto mais alto de onde se observa toda a pista. Tenho ainda bem presente a corrida do ano passado, assisti na bancada “TMN”, e o show dado por Troy Bayliss. Foi no final da sua carreira com a equipa Ducati Xerox, onde ganhou 30 corridas e reclamou 19 posições na pole, que Troy nos ofereceu bons espectáculos na pista, que surgiu como uma lenda que irá perdurar, ao vencer dois campeonatos mundiais em três temporadas.
Espírito de equipa, paixão, precisão e tenacidade mental - eram estes os seus pontos fortes. Carismático, falador, aberto e cheio de vida - este era o seu carácter.
Esta época a luta pelo título de Superbike entre Noriyuki Haga (Ducati) e Bem Spies (Yamaha) vai ser renhida uma vez que ambos têm o mesmo conhecimento da pista algarvia e chegam em alta performance ao final do Campeonato, a diferença entre ambos é de apenas 10 pontos.
Espero ver um bom espectáculo. Mas menos molhado que o ano passado, choveu copiosamente.
Na categoria de Supersport a decisão do título vai ser entre o piloto da equipa portuguesa Parkalgar Honda, Eugene Laverty e Cal Crutchlow (Yamaha). Miguel Praia é o único representante luso na modalidade e está determinado em obter o seu melhor resultado da época e terminar num lugar no pódio.
Igualmente este fim-de-semana, realiza-se o MotoGP da Malásia. Basta um quarto lugar para o meu ídolo Valentino Rossi, ser campeão mundial de motociclismo pela nona vez. Quarto foi o lugar que hoje conquistou nos treinos livres.
Sem nunca esquecer os bons conselhos da minha Querida Mãe Maria: “Vale mais prevenir que remediar”, de seguida vou colocar os forros térmicos no meu equipamento, casaco e calças. Se o calor apertar, tenho sempre a possibilidade de tirar ou despir alguma peça. Se o frio começar a rachar, e nada tiver para o remediar, é sofrimento garantido, fisicamente doloroso. Sei o que custa.
Há outros “sofrimentos”, não físicos, "desalmadamente sofridos".
Zé Morgas

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Prisioneiro

Ninguém tem o direito de alhear-se dos problemas da sua terra”. Ouvi esta frase proferida pelo Exmo. Sr. Presidente da República, na Mensagem a propósito da realização das Eleições Autárquicas. Alhear!!! Algo passado bate forte na minha mente:
…os olhos não podem ficar alheios…
Cumpri com o meu dever, votei, e resolvi dar uma voltinha pelo Recinto de Nossa Senhora Do Incenso, a Padroeira de Penamacor, a Padroeira dos Penamacorenses.
Sentei-me na exacta posição, onde vezes sem conta, já me sentei, sempre que o tempo mo permite. Tirei esta foto, no degrau em frente à porta principal da Capela de Nossa Senhora Do Incenso
É um sítio onde vou com alguma frequência, das vezes que estou em Penamacor.
Incrivelmente é um extraordinário local para reflexão.
Sempre me intrigou a linha traçada com o olhar: entrada principal da igreja, cruzeiro, entrada central no recinto, castelo.
A entrada da capela está virada para o Castelo.
Sinto que houve intenção na localização da construção da Capela.
A Fé e o Poder associados?
Curiosamente a entrada principal da Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, também está virada para o Castelo de Penamacor. Igualmente no Recinto da Senhora do Bom Sucesso existe um cruzeiro, este ligeiramente fora do alinhamento: Capela, Castelo.
É ali, naquele Recinto da Padroeira de Penamacor, foi ali, que algumas vezes, silenciosamente me interroguei sobre a vida e a forma de vivê-la.
É ali, naquele Recinto de Nossa Senhora do Incenso, foi ali, que algumas vezes, anotei notas soltas, nas soltas páginas de um livro, que algumas o vento já levou, um livro, que um dia teimarei em substituir. Cheguei sempre à mesma conclusão:
A finalidade da vida não é ser religioso ou cumpridor. A finalidade da vida é ser intensamente feliz. É por isso que se é religioso e cumpridor. Ao cumprir os deveres, esquecemo-nos da sua razão de ser, esquecemo-nos de viver a vida. A vida passa-nos ao lado com todas as excelentes oportunidades para amar e ser feliz.
Vejo as dores como dores, não como oportunidades de amar. Vejo os prazeres como prazeres, não como momentos de felicidade. Vejo os deveres como deveres, não como caminho para a verdade. Vejo a vida como vida, não como parte da eternidade.
Achar que vou ser feliz no Céu e não perceber que o Céu é já cá, sabendo que o Céu veio viver e morrer aqui mesmo. Por se estar à espera do Céu, está a desperdiçar-se o Céu. Não se deve viver a Cruz, sabendo que já foi a Ressurreição.
É por isso que acho que a simplicidade é a melhor forma de encarar a vida. É certo que há situações complicadas mas existe sempre ao longe um farol. O pior é o irremediável. E o irremediável é a morte, e irremediavelmente para ela caminhamos.
Mas da morte e dos mortos também se faz a luz.
Vêm-me à memória uma notícia saída há dias na imprensa, e amplamente divulgada a nível mundial.
Um esqueleto de uma fêmea de hominídeo primitivo que viveu há 4,4 milhões de anos demonstra que os humanos não evoluíram do antepassado comum aos homens e aos chimpanzés. A investigação revela que ao contrário do que se pensava, não há um antepassado comum para as duas espécies, mas sim dois. Assim, os humanos descendem de uma espécie e os grandes símios provêm de outra. A pesquisa indica ainda que os chimpanzés não são um modelo desse misterioso antepassado, e que foram os símios africanos que evoluíram bastantes desde os tempos do último antepassado comum. Esta investigação põe em causa o decorrer da evolução humana e está a provocar um debate internacional.
Caiem por terras todas as teorias evolucionistas da espécie, de Charles Darwin, que aprendi no meu 1º ou 2º ano do curso complementar dos liceus.
Como por terra, constato, nas tertúlias entre umas “bejecas” com os amigos, se vão desmoronando parte das regras e comportamentos que defendia sobre as mulheres, as conquistas, os métodos, em suma: cama e sexo. Muitos homens, onde ainda me incluo, continuam a defender os velhos costumes do aqui, agora, já. E se não se consegue dormir com a mulher que acabámos de conquistar, enchemos-lhe a cabeça de paranóias: que alguma coisa de errado se passa com ela, que as outras conquistas / namoradas que tivemos não eram nada assim, e outras baboseiras que não me ocorrem. Se nada disto as faz mudar de ideias, optamos pela estratégia da vítima: que o problema é nosso, que não somos lá muito atraentes. Outros há e alguns conheço, que mal se apanham à mesa com uma infeliz, massacram-na com a história triste da sua vida, com o relato dos enganos a que foram sujeitos e oferecem-se a troco de cama, para aspirar a casa, passar o esfregão nos bicos do fogão, ir buscar as crianças à escola, ou o que mais for preciso, revelando um estado de desespero que envergonha qualquer homem nas proximidades.
Uns copos mais tarde, mudam o discurso e apressam-se a descrever feitos extraordinários executados sem a ajuda do “azulinho” ou do Kama Sutra e – indiferentes aos olhos abertos da interlocutora – enumeram engates e perguntam, sem inibições, medidas e marcas de lingerie. Perante esta triste figura, a fulana trata mas é de chamar imediatamente um táxi e alegar, apesar dos seus 50 bem aviados anitos, que a mãe não a deixa entrar em casa depois da meia-noite.
Não há nada pior que possa acontecer a um homem, que não tendo quem lhe passe a mão pelo pêlo, que deixar que toda a gente, o mulherio incluído, perceba o triste estado de precisão a que chegaram.
Ficar sem mulher acontece a qualquer um. Só que por muito que um homem cante de galo, e as estatísticas indiquem que há sete fêmeas para cada macho, a verdade nua e crua é que há fases de sequeiro, em que as ditas nem vê-las. Mas um tipo que os tenha no sítio não dá parte de fraco. Continua a tratar as criaturas com frieza e distância, a moderar as atenções, a servir telefonemas e sorrisos com parcimónia. A agenda está sempre preenchida e só com esforço se arranja uma vagazita para um rápido almoço. Com serenidade, marcam depois um jantar e mais tarde uma ceia porque sabem que só assim chegarão ao prato desejado.
Um tipo sabido nestas coisas continua a usar a aliança, nem que já se tenha divorciado há um par de anos, a um solteiro também dá jeito, usa-a, porque também aqui se aplica a inveja feminina daquilo que têm a vizinha.
Qual é a mulher que quer dar guarida a um gajo que não têm onde cair morto? Talvez a Rainha Santa Isabel, aquela do “são rosas”, mas é bom não contar muito com isso, porque essa senhora já se finou há muitos anos.
E aí, mais dia menos dia, o peixe vem à rede, que com o isco certo não há nenhuma que escape. É que mesmo com estas modernices da carreira e afins, elas são felizes é de volta dos tachos, a preparar o jantarinho aqui para os fregueses. Mas a malta, pá, tem que continuar sempre a dizer que se quiser vai comer ao restaurante.
- Zé Morgas, sabes que o resultado deste paleio é desastroso nessa tua alma atormentada. Essa Alma que vive de uma trilogia – passado, presente e futuro.
Passado é memória
Presente é hoje
Futuro é esperança
Tem a esperança futura com uma Fé inabalável, que saberás emendar-te. Aprenderás a emendar-te. Tem a esperança que ainda saberás escrever o livro da tua vida, com amor, em páginas douradas, debruadas a ouro, firmemente fixas à lombada.
Talvez devido à espiritualidade do local, estas foram as palavras que pensei ou julguei ouvir.
Em verdade, descobri recentemente, lendo um trecho de Gabriel Garcia Marques que fala de despedida, como chega o amor. Ele fala de tantas coisas que aprendeu com os homens e me ensina que: «quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão pela primeira vez o dedo de uma mão de sua mãe, a tem prisioneira para sempre».
O que ele talvez não tenha imaginado é a sensação de se ter o dedo apertado de uma só vez por duas poderosíssimas mãos que chegam de repente. É inútil tentar, além disso, também descobrir a fonte do amor. Já basta saber que ele chega de repente e que só precisa de um coração disponível para fazê-lo definitivamente prisioneiro.
Como dizia Shakespeare: “O amor sendo cego, os enamorados não podem ver as loucuras que cometem”.
Agora acredito, quero continuar a acreditar, que se pode ter raízes e ter asas.
Zé Morgas

Carta Aberta IX - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
Em primeiro lugar e através desta carta aberta do Zé Morgas, permita-me que lhe dê com a maior sinceridade os meus Parabéns, e a todos os demais elementos eleitos, câmara, assembleia municipal e junta de freguesia, pela vitória obtida, nas eleições realizadas no passado domingo, dia 11. Ganha quem têm maior número de votos. Teve mais votos. Ganhou. Mais uma vez os meus Parabéns A minha educação, e, o meu desportivismo democrático isso exige. Em segundo lugar, deixo a solene promessa que continuarei a relatar em carta aberta, com a mesma honestidade e frontalidade que me caracterizam, os meus olhares atentos sobre a terra que me viu nascer. É com grande satisfação que constato, que alguns dos meus reparos foram solucionados. Observei nesta minha última estadia, que o problema das grades junto ao Museu Municipal, foi parcialmente resolvido. A grade, apenas foi soldada.
Sr. Presidente Sem querer avaliar da qualidade do trabalho efectuado, deveria no mínimo, a zona soldada, ter sido escovada e pintada, evitava aquela oxidação já visível. Uma pequena escova de aço e um spray de zinco, bastava. Acredito que não foi feito, porque talvez, quem o executou, não tivesse esses artigos disponíveis. Na escadaria de acesso, Selva da República ao Museu, continuam por colocar / soldar, os prumos em substituição do arame farpado. O perigo continua à solta. Sei que o mandará fazer, e mais, como brinde pela vitória obtida, presenteará o Povo de Penamacor com a pintura de todo o gradeamento / corrimão. Verde, até é a cor da esperança. Como ficará bonito, tudo pintadinho. Existe no mercado tinta de qualidade excelente, (Barbot) para aplicação directa sobre o ferro, nas condições em que se encontra. Evita os custos com a decapagem e a aplicação de primários. Sr. Presidente Para terminar, perdoando-me o humor gastronómico, por vezes ácido, desejo que tenha um estômago, “são e alarve” como o meu, para digerir em definitivo, durante o mandato que se segue, todos os problemas, ou a grande maioria, do nosso concelho. Para que os músculos do meu estômago não acusem flacidez futura, amanhã, voarei até terras do Jardim, O João, para me “atabojar” numa valente espetada madeirense em pau de louro, regadinha a verdelho.
Como muitas vezes, por aí ouvi:
"Com comida não se brinca, nem se estraga, vale mais fazer mal, que sobrar".
Atentamente
Zé Morgas

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"Então é da Vela"

As eleições autárquicas estão à porta. São já Domingo.
Como vou votar a Penamacor, e quarta-feira vou jantar à Madeira, ao Estreito da Câmara de Lobos, e sempre que viajo, gosto de o fazer sem preocupações, aproveitei o dia de ontem para passar em Sines, depois de sair do meu emprego, para pagar as quotas do condomínio do meu apartamento, até ao final do ano.
O dia estava bonito, a vista sobre o mar era espectacular, os barcos ancorados ao largo enfeitavam o quadro.
Aproveitei para fazer mais uma reflexão, em quem vou votar.
A reflectir, a olhar o mar, em busca de uma sábia e certa decisão, veio-me ao pensamento, uma passagem ouvida, durante o jantar, na segunda-feira, no restaurante “Fontanhão” no concelho de Penamacor.
Contou o meu amigo “A Velha de Malcata” que estava um dia no café, junto com o “Tero Ferranho” a beber um copo de "três", a ouvir umas "estórias" quando chega um amigo do “Tero Ferranho”, bastante preocupado.
Queria regar a horta, mas o seu velhinho Pachancho, sempre operacional, desta vez, teimava em não puxar a água do poço.
“Tero Ferranho”, homem com um saber de experiência feito, adquirido com a dedicação de uma vida, corpo e alma, ás lides agrícolas, pensa, e … pergunta?
- Mas olha lá, o motor pega?
- Sim, trabalha, respondeu o amigo.
- E não tira água?
- Não, foi a resposta
- Então é da vela.

Foi o exclamado sábio veredicto de “Tero Ferranho”.
Votemos nós, Domingo, com a sábia mas certa decisão, da melhor escolha.
Zé Morgas

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Jaricos 2009"

Como prometido, estive no convívio " Os Jaricos” em Penamacor, no passado dia 3.
Jerico ou jarico? Levantou-se a discussão. Após pesquisa feita, o termo encontrado, e correcto, é jerico.
Contudo, desde sempre me lembro, de ter ouvido por parte do pessoal mais idoso em Penamacor o termo jarico. Assim, acredito ser mais um daqueles termos do léxico regional, que não consta nos dicionários, mas que o povo tão bem usa para seu belo prazer.
Doravante, pessoalmente sou de opinião que continuará a ser “jarico”, o termo usado, em futuros encontros. Aliás já o era, e, existe mesmo um hino ao “jarico”, que o Tó Alexandre tão bem canta. Mas, que não me lembro de ter ouvido cantar-se…
Muita gente bonita presente, muitas criançinhas, que deram uma divertida alegria e um especial colorido ao encontro, enfim, muitas/os amigas/os juntas/os.
Muita comida, pecou pelo excesso, muita bebida, diria mesmo que o consumo final, total, poderia ser avaliado, não em termos de litros, mas talvez em hectolitros. Contribui com a minha parte consumista, e, com uma directa em cima, valeu-me uma retemperadora “sorninha”, batida no meu “***** Mobile Ritz*****” .
Gostei.
Os meus parabéns aos “jaricos” organizadores.
Sem saber quem serão os próximos organizadores, "jaricos 2010", ofereço desde já a minha disponibilidade para ajudar no que for necessário em futura realização.
E, para que não venha “ougado” ou “aguado”, o porquinho no espeto terá presença obrigatória.
Entradas como as que foram servidas, é uma brutalidade, um estrago desnecessário, só refreiam o apetite.
Entradinhas sim, uma sopinha, um pratinho quente para as crianças, sem dúvida alguma, servido nesse espaço no 1º andar, mas, para ao núcleo duro, nada como um porquinho no espeto, a começar logo pelo almoço, ao ar livre. Têm outro sabor.
Pão, “boida”, um alguidarinho de salada e muita chichinha da boa…cortadinha na hora.
Ver-vos-ei a alguns, dia 11. Irei votar, aí em Penamacor. Façam o mesmo.
Beijinhos e abraços a todas/os as/os presentes
Zé Morgas

Ps:
As fotos são de uma matança de um porco preto, criado "caseiramente", para uma lestada, com o meu grupo de companheiros do asfalto, do Grupo Mototurismo Litoral Alentejano.

"Carne mais boa, nunca comi".

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MotoGP Estoril 2009

É já no próximo dia 4 do corrente mês, que o Autódromo do Estoril servirá de palco para a próxima etapa da temporada de MotoGP 2009.
Valentino Rossi, “The Doctor”, actual campeão do mundo de MotoGP, é a estrela mais aguardada no circuito português, não só por ser o nome que granjeou maior número de fãs nos últimos anos, onde me incluo, conquistando oito campeonatos mundiais de motociclismo, como também, pelo ano recheado de triunfos que está a ter.
Tenho a convicção de que se sagrará novamente campeão este ano. Leva uma vantagem de 30 pontos sobre o seu colega de equipa, o espanhol Jorge Lorenzo.
Contudo, é com a maior mágoa que este ano, não estarei presente no Estoril.
Dia 3 de Outubro, realiza-se em Penamacor, o convívio dos “Jaricos”, no recinto de Nossa Senhora do Incenso. Autêntica maratona gastronómica. Invariavelmente termina sempre pela madrugada. Fui convidado, seria deselegante da minha parte recusar o convite.
Ainda equacionei, partir com uma directa para o autódromo, assistir ás corridas, e no final da tarde, regressar a Penamacor.
Mas…tenho lá tantas presenças, é hora de aprender a poupar-me a algumas loucuras, para o ano há mais. "Curtirei" as emoções próprias das corridas de mota, no próximo dia 25 de Outubro em Portimão. Realiza-se nessa data, mais uma prova do campeonato mundial de Superbikes. Ontem mesmo, O Grande Capitão Espargo, fez a reserva dos bilhetes pela Net, para o grupo do costume.
A todos os companheiros do asfalto, que irão estar presentes no Estoril, desejo
Boas curvas, momentos divertidos,
E que ganhe o Valentino “The Doctor" Rossi.
Zé Morgas

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Carta Aberta VIII - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr Presidente
Desde Dezembro de 1985, foi nessa data a última vez que votei, que guardava religiosamente o meu cartão de eleitor, aqui em casa, numa gaveta, junto com outros, já caducados, documentos.
E, porque me fartei de demagogias, de falsas promessas, de ser vítima de opções erradas e autoritárias, por parte de sucessivos governantes, decidi, como forma de ajudar à mudança, participar activamente na discussão da escolha, com a consequente ida ás urnas, depositar o meu voto. Isso fiz em consciência, no passado dia 27, aí em Penamacor, pois é aí que estou recenseado. Sinto orgulho em viver há 26 anos neste Alentejo Litoral, em Vila Nova De Santo André, terra que vi crescer e desenvolver-se, mas que ainda não consegui adoptar como minha.
O meu amor continua nessa terra que me viu nascer, e pelas gentes dessa terra.
Foi durante essa curta estadia, de três dias, que reparei num gigantesco out-door colocado em frente à: “A Selva da República”, outrora “O Jardim da República”, com um vistoso e enganoso título:
“A OBRA ESTÁ À VISTA”.
E que obra, Sr. Presidente?
Via estruturante sul!? Outro mamarracho, uma boa ajuda a quem mais depressa queira sair, para engordar a desertificação.
Centro Educativo…, começaram as obras, verdade; seguirão o exemplo das obras do salão Paroquial? Nunca mais acabam...
Reabilitação do Ex-quartel.
Sonhei em ver nascer ali, a Pousada de Santo Estevão Impressionante como sobressai nessa foto, em fundo, o casario em ruínas do Cimo de Vila. Ficaram por fazer, as necessárias alterações ao PDM, o que temos migrou de qualquer lado e aterrou aí de para quedas, que permitiriam corrigir muitas situações que por aí se encontram. Nada se faz, porque nada deixam fazer. Mas, falta nesse out-door, a foto da maior obra feita em Penamacor:
O colossal mamarracho do Sumagral.
Ou será que não foi colocada, a foto, porque efectivamente o mamarracho vai abaixo? Eu acredito piamente que irá!
Sr. Presidente
Mamarracho demolido, voto obtido.
Acredito que as coisas mudarão. E por acreditar, dia 11 de Outubro, farei mais um esforço, em tempo, kilometros, dinheiro, e voltarei a usar o meu cartão de eleitor, na freguesia de Penamacor. Sou daqueles que não troca o certo pelo incerto, a firmeza pela indecisão, a autoridade pelo autoritarismo, o diálogo pelo silêncio, o dinamismo pelo conformismo.
Penamacor precisa de regressar ao caminho do progresso, e isso só poderá fazer-se com os pés bem assentes na terra, ou seja, sem promessas vãs e sem optimismos que só pretendem mascarar a realidade. Tenho todas as razões para acreditar com esperança no futuro.
Quero ver trabalho empenhado na afirmação de Penamacor e de todas as freguesias do seu concelho. Quero ver uma aposta numa gestão pública inovadora, com a participação de todos.
Quero ver promoção e incentivos a dinâmicas sociais e comunitárias.
Quero ver planos e projectos para o presente e o futuro do concelho de Penamacor.
Quero ver um compromisso sério.
Quero ver em força:
Todos pelo concelho de Penamacor.
Todos por Penamacor.

Zé Morgas

sábado, 12 de setembro de 2009

Numa Encruzilhada

Há decisões que se tomam no meio de alguma indecisão. Tinha planeado ir até ao Porto, assistir aos fabulosos treinos do show, Red Bull Air Race, sexta-feira e sábado, domingo tenho que voltar ao trabalho. Seria a minha segunda presença, estive lá em 2007. Ao ouvir noticias sobre as previsões do tempo e a possibilidade da presença de nevoeiro, que cancelaria os treinos, o que aconteceu sexta-feira, resolvi pensar.
Indeciso entre o ir e não ir, decidi não ir.
Se isto me têm acontecido há uns tempos atrás, não hesitaria por certo, ia e logo se via. Rumaria à aventura. Em viagens se há coisa que descarto, são os pacotes turísticos. Aventura e emoção é o meu lema. E por vezes alguma loucura, reconheço.
Como não fui, resolvi vir até Sines, jantar num conhecido restaurante à beira-mar. Apetecia-me estar só. Fiz de seguida uma ronda pelas rotineiras capelinhas da noite.
Estranhamente, e sem saber porquê, pela minha cabeça passavam peças da minha vida de uma forma totalmente desordenada, desconexa. Coisas que a solidão e a melancolia inventa?
Não, não era esse o motivo.
O que me está a acontecer? Interrogava-me cá para mim
Algures, cá fundo, ouvia palavras amigas, de amigas / amigos que, quando falávamos das formas da vida vivida, e eu defendia a minha “vivência”, várias vezes me disseram “um dia mudarás, isso acaba, com a idade, isso passa”. Nem ligava. Vejo agora como tinham razão. Era impensável da minha parte até há bem pouco tempo admitir semelhante coisa. Mas a vida tem destas coisas, além de um enigma é uma mudança constante. É giro como a minha se está modificar. É impressionante o que a vida nos reserva. Como tinham razão, as observações que me fizeram, os conselhos que me deram, enfim, dou a mão à palmatória. Tudo tem um fim. Como as nossas naturezas são tão idênticas e tem sentimentos tão iguais. Fica-me a lição.
Com uns canecos bem benzidos, resolvi dormir no meu apartamento de Sines. Não tinha necessidade de correr riscos até Santo André. Para loucura chegou a viagem que fiz de mota na quarta-feira passada, desde uma cidade nos arredores de Lisboa até Sines: de noite e quase sempre a rolar acima dos dois zero zero.
Tive a percepção clara que deixei preocupadas, as pessoas amigas com quem jantei. Não me assiste esse direito.
Fui buscar a chave que tinha no carro, e dirigi-me a casa aproveitando para fazer uma curta caminhada. Afinal estava perto.
Queria dormir a ouvir o mar, o mar é como uma música delico-doce, daquelas que sempre nos conseguem derreter o coração.
Entrei no quarto, abri a janela e a persiana, deitei-me de costas sobre a cama, a olhar o tecto, a ouvir o mar.
Minutos depois de estar ali escarrapachado sobre o colchão, dou comigo a imaginar o futuro, a ensaiar a conversa que vou ter, a planear o encontro inesperado que pode acontecer.
- O que se passa Zé Morgas? Estás apaixonado!
Interrogou, exclamou, algo no meu íntimo.
Que grande pinta. Conserva e cultiva o melhor estado em que alguém pode estar. Aconselhou algo no meu íntimo
Levantei-me atarantado e fui até à varanda. Sentei-me na minha cadeira dos sonhos a olhar o mar.
A pouco e pouco, a minha respiração voltava ao normal, o coração tornara a descer até ao peito, embora continuasse a bater forte. Mas a cabeça ficara à razão de juros.
Como é possível, tantos anos depois, voltar a sentir aquele turbilhão por todo o corpo, motivado pelo súbito pensamento de alguém?
Emoções súbitas, desencadeadas pelo aparecimento de um estímulo súbito, intenso e totalmente inesperado, que não controlo, que não domino, e a que não resisto.
O sonhar voltou à minha vida.
Olho o mar, revejo em memória a vida passada.
Sei que tenho levado uma vida um bocado ao calhas que com o passar dos anos já não calha nada. Sei que em determinadas situações optei por opções equívocas, enganadoras e traiçoeiras, como são as soluções fáceis, que além de fáceis, também são falsas.
É como correr sem sair do mesmo sítio. Uma pessoa cansa-se, estafa-se, desespera e só vê a vida a andar para trás.
Começo a ficar farto desta vida, uma vida à boa portuguesa, à latino.
Os portugueses, aliás como os latinos em geral, gostam genericamente do convívio social, que se traduz em passeios, festas, reuniões, encontros, visitas, chás, cafés, almoços, jantares, almoçaradas e lancharadas e jantaradas e sardinhadas e outro tipo de patuscadas. A comida e a bebida, para os lusitanos, está intimamente ligada ao acto de socializar, de seduzir, de namorar, de estar em família ou em grupo.
Uma vida farta de sexo, deserta de amor.
O facto é que me cansei do sexo gratuito, das noites em camas estranhas com mulheres estranhas conhecidas umas horas, uns momentos antes.
Recordo de tempos a tempos, mulheres encontradas por acaso no canto de um sofá de uma qualquer discoteca visitada, Sobem comigo ao 2º ou ao 8º andar, para uma rápida imitação do deslumbramento e da ternura de que conheço já de cor os mínimos detalhes, desde o desenvolto whisky inicial ao primeiro soslaio de desejo suficientemente longo para não ser sincero, até o amor acabar no chapinhar do bidé, onde as grandes efusões se desvanecem à custa de sabonete, raiva e agua morna.
Despedimo-nos no corredor trocando números de telefone que imediatamente se esquecem e um beijo que a falta de batôn torna incolor, e elas evaporam-se da minha vida.
Mais, aconteceu-me por vezes acordar ao lado de uma mulher que conheci poucas horas antes, junto a um candeeiro propício de bar, de que o cone opalino confere às rugas um insidioso encanto de uma sábia maturidade, e eis que o subir da persiana me mostra, brutalmente, uma criatura avelhentada e vulnerável, naufragada nos lençóis num abandono cuja fragilidade me enfurece.
Agora, apetece-me descobrir outra vez o grandioso jogo da sedução, os olhares, as meias palavras, reaprender a saborear os beijos; Sim beijar, para começar qualquer coisa, ou para a acabar. Beijar de todas as maneiras e feitios, numa saborosa rotina ou em inesperada inquietação. Beijar porque o tempo pára e nos faz desejar mais, beijar porque não há nada igual; porque ninguém finge um beijo que junta à nossa a respiração apaixonada do outro. Usar o beijo para gritar tudo aquilo que não nos sentimos preparados para dizer...sem corar...; as carícias em corpos “calientes”, a inebriante tensão da espera. É a expectativa a dar vida ao desejo.
É quase como voltar a ser virgem outra vez, só que agora aos quarenta e muitos anos, com uma carreira bem lançada, carro, mota, apartamentos, garagem, tudo em meu nome e umas dezenas de viagens por esse mundo fora. Enfim, estar pronto a reviver as emoções da adolescência, mas desta vez sem regras. Quando tinha 18 anos sabia que no primeiro encontro, o máximo que poderia acontecer era tocar-lhe na mão. Mas, hoje, por vezes as tentações da carne nunca resistem muito tempo aos argumentos racionais. E agora?
Em teoria andamos todos a tentar descobrir os prazeres do completo equilíbrio. Mas nunca escapamos da velha indecisão entre os apelos da paixão e a nossa nova consciência dos desejos sexuais. Neste processo de análise e descoberta depressa concluímos que o sexo não pode obedecer a precisos calendários. A verdade é que nenhum de nós consegue predizer com absoluta certeza quando e por quem nos vamos apaixonar. Da mesma forma é quase impossível prever se vamos sucumbir ou resistir a uma paixão sexual.
E o pior de tudo é que muitas vezes entre as teorias que defendemos e aquilo que vivemos vai uma distancia enorme.
Por mim, começo a recusar correr qualquer risco em nome do prazer imediato. Fantástico, como entre um fugaz amor físico e uma história com os tons de um romance de amor, me começo a render às leis do coração.
Não quero encontrar uma pessoa com quem me apeteça dormir, quero encontrar uma pessoa com quem me apeteça acordar.
Sei, que ser amado é importante, mas ser desejado é fundamental.
Conhecer gente é agradável, mas ter amigos é essencial.
Isto só para dizer que somos seres sociais e que, apesar de tudo, na maior parte das vezes necessitamos desesperadamente de estar com os outros, de partilhar, de conviver e de combater a tão temida solidão, por mais que se aprenda a viver com ela.
Não sei como, mas tenho que sair desta encruzilhada.
Agora percebo, como não é fácil viver a pensar, no que se não consegue esquecer.
É verdade, a vida passa, o amor acaba.
O melhor é vivê-los.
Zé Morgas