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domingo, 27 de dezembro de 2009

Carta Aberta XI - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
Tal como suspeitava, o Madeiro, mais uma vez, era brutal em tamanho. Muitas foram as vezes que ouvi da boca do povo, em Penamacor, nos dias que aí passei na quadra Natalícia: “É um exagero”.
Quanta verdade. E que triste verdade.
Interroguei algumas pessoas sobre qual a quantidade de lenha ali depositada no largo do alto da praça. Seguramente mais de 100 (cem) toneladas, ouvi.
Que desperdício. Mas, mais grave é ainda todo o aparato do acendimento do madeiro.
Sr. Presidente
É o piroso exacerbado no seu melhor.
Por momentos ainda pensei se não seria um simulacro realizado pelos Bombeiros Voluntários de Penamacor, com excessivo realismo. Contei três viaturas dos bombeiros, não em vigia, mas em actuação permanente a controlarem o acendimento / queima do madeiro.
O combustível gasto, o CO2 libertado.
E quem tudo paga?
Nós todos, e o planeta, desnecessariamente.
Comete-se um exagero e repara-se com outro.
O núcleo do madeiro, com toda aquela lenha seca, era perigo real com o potencial energético nele contido. O vidro da montra do café “Flor do Adro” partiu. As ondas de calor propagaram-se e fizeram-se sentir, a água pulverizada lançada pelos bombeiros, fria, também lá chegou.
A permuta térmica cumpriu o seu dever.
Quem ressarcia o valor do vidro partido da montra?
Vi os vitrais da igreja “protegidos”. Com algum cepticismo, interrogo-me se a medida foi eficaz.
Veremos.
Igualmente vi na manhã de dia 24, como a brutal pilha de lenha quase tinha desaparecido. Sobravam as toradas mais grossas, que delimitavam a cratera interior do núcleo do madeiro.
Depois da Missa do Galo, a ausência de pessoas era notória.
Que saudade dos tempos idos de antigamente, onde o convívio e a animação, música, cantos, comes e bebes, era uma constante noite fora, até ao nascer do dia.
O já “pouco” e desarrumado madeiro, quase apagado, apenas fumegante, assim continuava no dia 26.
Onde andaram os mancebos do ano?
No meu ano, o ano dos Duros de 61, Madeiro de 81, ardeu lentamente, sempre arrumadinho, sempre aceso, até ao Dia dos Reis.
Patrocina a Câmara todo o festival televisivo da cobertura do acendimento, por segurança deveria ter providenciado os meios necessários para arrumar os “restos” do Madeiro logo pela manhã, e evitar aquele degradante espectáculo de toradas desalinhadas, farruscas de fumo.
Sr. Presidente
Para que tal deprimente espectáculo não se repita mais, urge criar a:
CONFRARIA DO MADEIRO DE PENAMACOR”.
Perpetuar-se-á a tradição, na excelência do seu melhor.
Deixei-lhe algumas sugestões em anterior Carta Aberta, que poderão passar, a uma das actividades da futura Confraria.
Deixo-lhe igualmente expressa, a minha disponibilidade, assim o deseje, para ajudar na fundação da “Confraria do Madeiro de Penamacor”, e deixo-lhe acima de tudo, a todas e todos, as / os naturais e residentes do concelho de Penamacor, os votos sinceros de Boas Entradas em 2010.
Com os melhores cumprimentos
Zé Morgas

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PANTERINHAS

OLÁ PANTERINHAS

Sem querer ser plagiador, permito-me aqui transcrever neste post três citações, de outros tantos comentários feitos neste blogue, pelo Matos Martins.
Desde há já um tempo que andava com a ideia de fazer novo convívio com a malta da FAP, 3ª de 78. Agora, espicaçado assim, não há forma de parar.
Senão, passem a ler:

"Sou o Matos Martins de Matosinhos teu camarada na luta da Guerra de 1978 em Ota. Somos uns valentes guerreiros agarrados à caneca, garanto.
Já falei com o Luís Gonçalves, o “Bragança” para se fazer um Encontro da Malta para beber e chorar. Muito".

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"Boa viagem amigo. Diverte-te à brava aí pelas espanhas. Bom regresso à Pátria Mãe e boa jantarada com os de 61.
Prepara o "rancho" para depois (pró ano) com os guerrilheiros de 78 em Ota.
Grande abraço"
.
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"Já somos uns rapazes ó Zé Penamacor!
Há 30 anos rapazinhos meninos. Aquela malta toda pá. Crescemos um pouco, e tu inesquecível companheiro desfrutas este mundo Global qual Cavaleiro nas Cruzadas.
Boa sorte e até ao reencontro"
.

Já contactei alguns Panterinhas por e-mail, e os primeiros feed-backs, apontam já para um local, a terra do chefe: Mangualde.
Assim, espero também um esforço da vossa parte, (o meu já foi brutal, ter "descoberto" toda aquela malta que participou no jantar dos 25 anos, em 2003), a mínima educação assim o exige, que me respondam a sugerir datas. Mande endereço de e-mail quem tiver. Sem ninguém querer influenciar, proponho a data de 13 e 14 de Março. É uma data intermédia entre o Carnaval e a Páscoa. A ressaca do Carnaval já se foi, há que começar os treinos estomacais para a Páscoa.
O nosso Comandante se encarregará de eleger o local para um almoço alancharado. Ficará a dormir de Sábado para Domingo em Mangualde quem assim o desejar. Por mim não quero correr mais riscos e meter-me à estrada depois de bem comido e bem “boído”.
Termino, deixando-vos um conselho:
Nesta quadra Natalícia comam e bebam à vontade. Lembrem-se sempre, que o que vos engorda não é o que comem entre o Natal e o Ano Novo, mas sim, todos os abusos que cometem entre o Ano Novo e o Natal.

Com um grande abraço

Desejo-vos um Feliz Natal

Zé Morgas
O Penamacor

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Jefatura de Tráfico

Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha

Eu, José Salgueiro Cunha De Almeida, cidadão Europeu, nascido em Portugal, na Vila de Penamacor, a residir em Vila Nova de Santo André, venho por esta forma relatar um facto ocorrido em Espanha, na via A 49, sentido Sevilha - Huelva, ao quilómetro 0003,500 no passado dia 30 – 11– 2009, cerca das 10 horas e 40 minutos, auto nº: 410700703272.
Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha
Tenho milhares de quilómetros percorridos de mota por Portugal de Lés a Lés, Espanha, Marrocos e Madeira
Espanha, desde há muito que é um dos lugares de eleição para os meus passeios moto turísticos.
Enumerar aqui todos os locais que já visitei em Espanha, seria tarefa difícil, não me lembraria por certo de todos. Permito-me contudo lembrar alguns dos mais importantes, passeios de dois, três dias, e, alguns de uma semana:
Santiago de Compostela; Picos da Europa; Santander, Bilbau; Valladolid, Pinguinos; Salamanca; Cuenca; Granada; Ronda; Puerto de Santa Maria, foi em Puerto, que tentaram roubar-me a mota, por incrível que pareça, devidamente estacionada num parque, frente ao edifício do tribunal, apenas não a levaram, porque, ao “chantarem” os fios, depois de todos cortados, por erro?!, queimaram o fusível geral, sorte a minha, azar o dos larápios; Mérida; Córdoba; Sevilha.
Foi no regresso a Portugal, deste meu último passeio de 4 dias por terras de Espanha. Quando circulava na via referenciada, reparei pelo retrovisor que um carro da polícia se aproximava. Ouvi o barulho das sirenes e via os pirilampos ligados. Regressavam comigo a Portugal, mais duas motas e um carro.
Observei que a autoridade começava a “forçar” a ultrapassagem ao carro português e isso aconteceu. Posicionaram-se na traseira da minha mota, e começam a forçar nova ultrapassagem. Pensei ser um carro batedor da polícia. Desviei-me um pouco para a direita, todos circulávamos na faixa da esquerda, e dou com a viatura ao meu lado. Olhei de soslaio pelo canto da viseira, e reparo que um agente me faz um sinal para me desviar par a direita. Cumpri, vão com pressa, deixa-os seguir, foi o que pensei.
Eis senão quando, reparo que me começam a encostar, a meter a frente da viatura sobre a minha mota e a gesticular.
Nem queria acreditar, sabia estar em Espanha e não no Far West.
Sem saber o motivo de tal actuação, lá fui andando até parar, encostado à traseira da viatura da polícia, junto aos rails do lado direito da via.
Antes mesmo que tivesse tempo para tirar o capacete, sai um agente da viatura e começa a fotografar a minha mota. O que se passa? Interroguei-me.
Tirei apenas o capacete, mantive sempre a balaclava colocada, ver o meu rosto não devia ser coisa importante, porque nem me pediram para a tirar, e, começa um agente por me perguntar se tinha residência em Espanha, disse-lhe que não, de facto não tenho. Diz-me então que tinha de pagar uma multa. Se tinha dinheiro comigo. Dinheiro, Dinheiro, ou então tinha que os acompanhar até um”cajero”, julgo que se trata de uma caixa Multibanco.
Interroguei o agente da autoridade, o porquê da multa. Percebo então, que pelo facto de ter, uma pequena bandeira do meu país, que anda naquela mota desde o Europeu de 2004, outra lá andou desde o dia em que a comprei, outras andaram noutras motas que já tive, pendurada, tinha originado todo aquele aparato
Pela atitude do agente percebi, que outra solução não me restava senão pagar.
Os olhos pareciam brilhar de ganância.
Foi o que fiz.
Admirado fiquei também, quando reparei, que no local onde assinei, tinha uma nota a dizer, que a assinatura não implica conformidade. Pudera, conformidade para quê? Se o que querem é dinheiro, vivo de preferência, ali na hora. Identificação dos agentes, só um número. Parecia que estava no terceiro mundo e não num país europeu, dito civilizado.
Como era a primeira vez que era confrontado com tal situação, fiquei sem na realidade saber o que fazer, e quais os direitos que me assistem como cidadão europeu. De uma coisa apenas tinha a certeza: o agente apenas queria o dinheiro, prova é que escreveu o valor da multa na mão, apontava com o dedo, dizia que tinha que pagar, pagar, enquanto o seu colega, sem nunca nada ter dito, se limitava a escrever num desses aparelhos que a tecnologia lhes faculta.
Senti-me um mero cidadão impotente, que apenas têm direito à indignação.
Pergunto?
O que fazer, se não estiver de acordo com a multa?
Pagar no momento, soube posteriormente, invalida que possa contestar a multa. Como fazê-lo sobre a forma de depósito?
O que o agente viu numa simples e inofensiva bandeira. O tratamento que tive naquela via é digno. Quem assistiu, deveria ter pensado que eu era o mais perigoso bandido da península ibérica. Aquele acto deixou preocupados, os meus companheiros de fim-de-semana, por não saberem o que se estava a passar. Encontrei-os à minha espera, no posto de combustível próximo.
Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha
Durante o resto da viagem de regresso a Portugal, duas interrogações me ocorreram:

- Será que o agente, por ver a bandeira do meu país, se lembrou do desaire de Espanha no Campeonato Europeu de Futebol de 2004?

- Será que o agente, por ver a bandeira do meu país, e ser véspera de uma tão importante data para o povo português, Revolução da Independência de 1 de Dezembro de 1640, por revanchismo me resolveu multar?
Ex mo. Sr. Embaixador de Espanha em Portugal
Ex mo. Sr. Embaixador de Portugal em Espanha
È sempre com desagrado, que oiço e vejo nos média, notícias sobre problemas com actos de terrorismo. Espanha já sofreu alguns desses actos. Creio ser um bom prémio para o agente que me multou, ser colocado num desses grupos anti-terrorismo: quem vê o perigo que viu, numa simples e inofensiva bandeira, o que não verá esse agente em mecanismos realmente perigosos…
Com os mais respeitosos cumprimentos
José De Almeida

domingo, 13 de dezembro de 2009

Flandria

Ao olhar a escadaria de acesso ao ENSI, assalta-me à memória as vezes que as desci na minha Flandria. (Guardo-a na minha garagem, aqui em Vila Nova de Santo André, totalmente restaurada, de vez em quando dou umas voltinhas com ela).
Havia sempre uns "malandrecos" dispostos a ajudarem-me a subir a motorizada para o hall de entrada, onde a punha a trabalhar, dava uma voltinha rápida, tocava a sineta, que estava do lado esquerdo da porta de entrada na secretaria, e... baldava-me porta fora pelas escadas abaixo. O que isso irritava a Dª Augusta...
É verdade também, que tais abusos ainda me valeram umas "chibatadas" nas orelhas, com uma caninha da índia, dadas pelo marido da Dª Augusta, o Sr. Paiva, inveterado fumador de Mini Kayak.
Que me perdoem, eram actos irreflectidos, próprios da idade.
Idade que não volta mais, e que deixa saudade.
Zé Morgas

sábado, 12 de dezembro de 2009

AAENSI

Recebi por e-mail, um pedido para publicação no meu blog, do texto que se segue. Faco-o com gosto, afinal, também ali passei naquele ENSI, quase seis anos da minha mocidade.
Começei lá o 1º ano, fiz o 1º trimestre, mas fiz o 2º e 3º trimestres na Escola Preparatória Ribeiro Sanches, assim como todo o 2º ano. Regressei ao ENSI no 3º ano (1º ano do curso liceal) até ao 7º ano (2º ano do curso complementar dos liceus) . Foi entre os anos de 1971 a 1978. Aqui envio beijinhos e abraços a todas/os as/os que por lá passaram nessa data, igualmente deixo o compromisso de ajudar a futura associação no que me for possível.
Zé Morgas
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Associação dos Antigos Alunos do ENSI Penamacor

Projecto de Objectivos e Competências

1. Promover a preservação, defesa e divulgação do património vivo do Externato e seu espólio disperso pelo território nacional e além fronteiras, promovendo automaticamente o concelho de Penamacor;

2. Fomentar e apoiar a valorização cultural e científica;

2.1. Promover colóquios e conferências na sede de Concelho aproveitando as valências científicas dos seus membros e estando os mesmos ao dispor das Institituições concelhias para esse efeito;

3. Cooperar com as Instituições do poder local em tudo o que seja consentâneo com os fins da Associação;

4. Promover junto de escolas e poderes constituídos acções de formação recorrendo às valências científicas dos seus membros;

5. Criar uma revista de periocidade anual de divulgação do espólio e actividades que promovam em primeira instância o concelho;

6. Criar condições de promoção sérias e tendo por objectivo a divulgação do concelho beirão onde se inseriu e mantém vivo o espólio do ENSI;

7. Criar e manter assiduamente um sitio na Internet que surgirá na ultima semana de Julho de 2010 e promover as actividades da Associação;

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta Aberta X - Sr. Presidente C.M. Penamacor

Sr. Presidente
Pela segunda vez, realizou a malta do ano de 61, do século passado do milénio transacto, uma jantarada convívio, no restaurante “O Venetas”.
Foi a minha primeira presença, já que na primeira jantarada, não compareci por motivos profissionais e inadiáveis. Ficou-me a mágoa de não ter participado.
Desde essa altura que tinha em mente uma ideia para apresentar, e que agora aqui me proponho revelar a Vª. Exª.
Surgiu-me, ao ver o Madeiro de Penamacor, 2008, o maior de Portugal.
Era grande, muito grande, demasiado grande, brutalmente grande.
Maior que todos os anteriores, ou muito mal empilhado - arrumado!?
Isso assustou-me, continua a assustar-me, a continuar assim dentro de um futuro próximo, não haverá sobreiros no concelho de Penamacor.
A lenha acaba, o Madeiro morre, a tradição esfuma-se.
Ninguém quer que tal aconteça.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, todos nos adaptamos ás novas circunstâncias e realidades.
Registo com particular alegria, saber que a tradição durante longos anos, só de homens, conta desde há já algum tempo com a participação das “moçoilas” do ano.
Essas criaturas, Mulheres, que são a forma superior da beleza, acima da qual nada mais há a dizer, há muito que o deveriam ter feito. Ter-se-iam pintado… quadros belos, de outra cor.
Os meus parabéns ás pioneiras.
Mas a mudança deve continuar, obrigatoriamente.
Sr. Presidente
Todos conhecemos os danos que o planeta sofre com as mudanças climáticas, e que cada vez mais se agravam. Prova disso é a cimeira da ONU sobre alterações climáticas, que começou há dois dias em Copenhaga, onde os milhares de delegados dos 192 países presentes, assistiram à projecção de um filme acerca das consequências catastróficas do aquecimento global. Temos que reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. A queima do madeiro liberta alguns. Perpetuar a tradição não implica a “brutidade” dos madeiros a que nos últimos anos temos assistido.
É brutal o potencial energético contido naquelas montanhas de troncos de sobreiros. Sem contar com o perigoso abuso que é deitar para a fogueira, pneus e óleo queimado.
Já aconteceu por várias vezes, as persianas das janelas de algumas casas da praça derreteram, devido ao forte calor gerado. Situação inadmissível. É igualmente um desperdício de recursos, humanos e materiais, as soluções usadas, os bombeiros a controlarem a queima com o auxílio de carros e água.
Gostava de voltar a ver as imagens que ainda guardo na minha memória do meu tempo de menino, do arranque do madeiro, feito na noite - madrugada do dia 8, a chegada à vila, religiosamente à hora de saída da Missa do Meio-Dia, do dia 8 de Dezembro.
No meu ano, 1981, isso se cumpriu.
Entrámos na Vila e chegámos ao alto da praça, orgulhosamente transportados num carroça puxada por uma junta de bois, pertença de “Joy Manata”.
Os primeiros troncos foram descarregados e empilhados à força de braços.
O baile do Madeiro de dia 8, apinhado.
O acendimento no dia 24, no meu ano assim o foi, porque, um grupo de duros mancebos unidos, Zé Morgas, Luís “Pé Leve”, O Nalgas, Borrego, Manta, Quim Amaral, Vítor Jack, infelizmente já falecido, Tó Maria, Esteves “O Guedes”, Canês “Papagaio do Rato”, Chico Abreu “O Socratiniano”, (assim apelidado pelos meus companheiros motards, no primeiro passeio realizado a Penamacor) e outros, fizeram de guardiões do madeiro durante todas as noites.
Depois de aceso, era sempre uma festa o “coçó ó madeirinho” com robustos cajados de pau de marmeleiro, (os que eu julgava roubar ao meu avô materno, que na realidade eram por ele ali deixados para o efeito, evitava assim que sumissem os que lhe convinha), cujo manejo exigia pulso forte e habilidade.
O convívio puro das gentes, nas mais adversas condições de tempo, chuva, frio, neve, depois da saída da Missa do Galo, a festa…comes e bebes, que se prolongava noite fora até à manhã do dia 25.
O Madeiro, anos havia em que chegava aceso até ao Dia de Reis, celebrado no mês de Janeiro já do ano seguinte.
Sr. Presidente
Voltando à ideia, aproveito o momento para revelá-la:
Se não queremos que o madeiro acabe, temos que plantar sobreiros, sobreiras, avivar o sobreiral. Queremos cortiça, bolota, madeira compacta e rija, carvão de sobro…e como tudo morre, até as árvores, no final troncos para o madeiro.
Perdoem-me a minha ignorância, mas desconheço em absoluto qual a melhor data do ano para plantar sobreiros e como se faz.
Sabê-lo-ei.
E esta é a data chave. Cada vez as pessoas são menos no concelho. A quem está fora, há que aliciá-las a voltarem mais vezes ás origens, mas com festa.
Juntaram-se as moças aos moços, juntemos também: residentes, emigrantes, imigrantes, migrantes, etc; os que passarei a denominar de “Madeiro de ...":
Bronze - ( 10 anos depois da 1ª participação)
Prata - ( 25 anos depois da 1ª participação) e
Oiro - ( 50 anos depois da 1ª participação )
Quero dizer, reunir em data: dia e mês a combinar, (a rapaziada do ano, após pesquisa, elaborará lista com os condecoráveis, e fará chegar aos “Madeiro de ...” o convite por carta, telefone, sms, e-mail, são muitos os meios à disposição ); propícia à plantação de novas árvores, e teremos aqui uma função pedagógica, ensinar a quem pretende arrancar, que primeiro é preciso semear, plantar, e como se faz; cada participante plantará no mínimo uma: a rapaziada do ano do madeiro, e quem o tenha feito há 10 (bronze), 25 (prata) ou 50 (oiro) anos.
Junta-se assim a malta com 20, 30, 45 e 70 anos.
Escolhido o local onde será feita a plantação, aí mesmo se fará uma “grelhada” bem regada, seguida da condecoração dos “Madeiro de bronze, prata e oiro".
Uma coisa simples, um tronco de madeira pintado, que valerá apenas e tão só pelo seu simbolismo.
Mais, estou certo de que colherão os mancebos do ano, algumas valias com a realização de tais condecorações. Levará a generosidade e o agradecimento, a contribuir com “uns cobres” para um fundo necessário à realização do madeiro e eventos associados:
comida e bebida gratuita para todos na noite do arranque, e "tocador" no bailarico de dia 8.
Quanto ás enormes quantidades de lenha queimadas, tal torna-se desnecessário, para manter a tradição, basta uma pequena pilha, como antigamente, e como feito no meu ano, deitar-lhe o fogo antes da Missa do Galo. Haverá brasa e borralho quente suficiente, para os fiéis e restante povo, se aquecerem no final da Missa do Galo e noite fora.
Deixo a ideia. Há que passar às acções.
Penso que seria legítimo, a Junta de Freguesia, tal como faz com o Magusto, ser a entidade organizadora, orientadora dos mancebos. Conhecerão sem dúvida alguma, os elementos da Junta de freguesia, locais onde se possa plantar umas árvores, fazer a tal grelhada, bem regada, onde existirão umas árvores secas para derrube, e posterior queima.
Eleve-se o Madeiro, a mais uma imagem de marca do nosso concelho, pela Excelência da Qualidade, e não pela brutalidade da quantidade de lenha empilhada para queima.
Será sempre bem recebido, quem queira colaborar, naturais e forasteiros.
Estou certo que muitos comparecerão.
Sr. Presidente
Para terminar e porque é Natal, deixo-lhe aqui um pedido, já não estou em idade de pedir nada ao Menino Jesus, uma prenda de Natal para o Povo de Penamacor, que muito lhe agradecerá:
Veja Sr. Presidente. a vergonha e o real perigo, e a tendência será sempre o constante agravamento, que é o piso desse colossal mamarracho, da autoria dessa Câmara a que Vossa Excelência preside.
Mais um elefante branco para sorver as já depauperadas finanças da Câmara Municipal de Penamacor.
Isso evita-se com a demolição total (já foi parcialmente demolido, veja-se pela foto) do mamarracho do Sumagral.
Mata-se o mal pela raiz.
A todos um Feliz Natal.

Zé Morgas

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Córdoba - Sevilha

Sexta-feira, dia 27 de Novembro de 2009. Acordei cedo, levantei-me, a primeira coisa que fiz foi olhar pala janela e observar o estado do tempo. Tudo o que tinha lido na net, de véspera, deixava-me com dúvidas. Com dúvidas continuei, mas decidi equipar-me normalmente, apenas protegido contra o frio que se fazia sentir. Sai de casa e fui fazer a reza da parede, oração Multibanco. Começaram a cair umas pingas de água. Como sempre me disseram que mais vale prevenir que remediar, resolvi voltar a casa e equipei-me “contra a água”. Vestir impermeáveis sobre o equipamento já molhado, é viagem dolorosa.
Fui ter com os outros companheiros e companheiras de viagem. Desta vez um grupo reduzido, mas como diz o velho ditado popular, poucos mas bons. Seis motas e nove pessoas. Estava combinado pelas 8 horas e 30 minutos, a partida do grupo desportivo da Repsol rumo a Córdoba.
Saímos com algum atraso, chovia uma morrinha inicial, que se intensificou a partir de Santiago do Cacém, e uma primeira paragem na Cova do Gato, um companheiro fartou-se de apanhar molha e resolveu vestir o impermeável.
Continuámos viagem e por ironia do destino, pouco depois, ao passar frente ao cruzamento de Aldeia de Ruins deixou de chover.
Paragem em Rosal de La Frontera, para abastecer as motas e aconchegar os estômagos. Nova partida, e poucos kms andados, pela primeira vez, em muitos anos que vou a Espanha, entre Higuera de la Sierra e Aracena vi dois radares, montados como é habitual nas nossas estradas: escondidos, numa caça pura à multa.
Passamos sem problemas, seguimos viagem, entramos na A 66, e antes de Sevilha, saída para Algabá, apanhámos a A 436. Segunda paragem em Alcolea del Rio, para novo abastecimento das motas, e, mais um pequeno aconchego sólido e líquido dos condutores e penduras. A partir de Lora del Rio seguimos pela A 431 até Córdoba.
A, A 436 e A 431 são paralelas ao rio Guadalquivir. Têm zonas de condução divertida.
Chegada a Córdoba, ao Hotel NH Califa.
Feita a distribuição dos quartos, banhos, mudança de roupas, etc, foi o grupo dar uma volta pela parte histórica da cidade.
Começou com uma visita aos Banhos Árabes, houve quem fizesse uma marcação para a manhã seguinte, de acordo com as vagas existentes, umas tapas e umas cañhas numa agradável “bodega”, passeios pelas ruelas, visitas ás lojas para algumas compras e chega a hora de jantar.
Entrámos na Bodega Taberna Rafaé no centro histórico. Não desgostei.
Para “desmoer” o jantar, novo passeio por novas zonas da parte histórica. O piso das ruelas é martirizante para os pés, é feito com pedrinhas do rio, seixos, colocados a cutelo. As minhas botas de segurança ficaram em Santo André…Como o lamentei.
Sábado de manhã foi parte do grupo para os banhos árabes. Eu, decidi ir à procura de bordados com o brasão de Córdoba. Depois de uma vintena de “tiendas” visitadas, lá descobri o material pretendido.
Depois de terminados os banhos e as massagens, quem por elas optou, fomos todos visitar a Catedral de Córdoba, antiga Mezquita. O bilhete de ingresso custou oito euros, mas é dinheiro bem empregue. É uma obra colossal.
A Mesquita - Catedral de Córdoba, é hoje uma mistura de estilos arquitectónicos sobrepostos que sucederam ao longo de 9 séculos de construções e restauros.
A construção da Mesquita foi iniciada nos finais do século VIII, ano de 785 por ordem de Abd alRahman I. No seu exterior existe uma muralha fortalecida por torres quadradas por onde se abrem as diversas portas para o edifício. Em 1236 a Mesquita foi convertida em catedral por S. Fernando. A torre, obra de Hernán Ruiz, realizada sobre os restos da torre árabe construída por Abd alRahman III, e coroada por um “San Rafael”, obra do escultor cordobés Pedro de Paz.
Finda a visita foi o grupo almoçar ao restaurante Federacion de Peñas. Dada a já sentida desidratação dos organismos, foi o almoço bem regado com tinto de superior qualidade.
Novas caminhadas, visita á Plaza De la Corredera, sempre com animação constante, e coisa que nunca tinha visto, a Feira del Bélem de Córdoba 2009. Milhares de peças para enfeitar - compor o presépio. Surpresa total, até macacos tinha. Vimos idêntica feira em Sevilha e ainda maior.
Continuamos com mais uma caminhada junto ao rio Gualdalquivir, uma fotos de grupo na ponte romana, em restauração, visitas a locais de interesse e chega novamente a hora de jantar.
Decidiu o grupo entrar na “Bodega Mezquista”, onde se lia à entrada num placard estratégicamente colocado: “Mais de 40 tapas e mais de 60 Viños”. Optámos por escolher um sem número de tapas que fomos pinchando, sempre acompanhadas de um tinto de qualidade.
Prefere o grupo a qualidade em detrimento da quantidade.
Pormenor castiço, os comensais clientes anotam os pedidos pretendidos, num bonito bloco com lapiseira, posto à disposição conjuntamente com a lista. Trouxe um bloco de recordação.
Não regressou o grupo ao hotel, sem primeiro “atabojar” em cima do jantar, uma porção de docinhos, chocolates e gelados caseiros de esmerado fabrico.
Domingo foi dia de partida, uns, com destino de regresso a casa, outros com destino a Sevilha. Decidimos ficar mais uma noite para ver um show de canto e dança sevilhana e flamenca.
S. Pedro não teve pena de nós. Chovia impiedosamente e assim rolámos durante mais de sessenta kms, pela A4 rumo a Sevilha.
Antes de Sevilha, dividiu-se o grupo, conforme o destino. Ficamos cinco, mais tarde juntou-se a nós um casal companheiro nestas aventuras moto turísticas.
Chegados ao Hotel Fernando III, a rotina do costume. Uma agradável surpresa, o parqueamento das motos foi oferecido, só os carros pagam.
Quando nos preparávamos para sair, para passear e visitar a Catedral, começou a chover.
Comprei em tempos um pequeno guarda-chuva em Puerto de Santa Maria que sempre transporto na minha mota. A finalidade principal é só mesmo proteger essencialmente a cabeça, e os óculos, da chuva. Dirigi-me à recepção onde estavam duas esculturais e belas Sevilhanas, uma com uns cabelos lindos, cor de seara madura. Fez-me recordar uns cabelos igualmente lindos que já vi algumas vezes. Pedi-lhes que me abrissem o portão da garagem. O acesso à garagem é feito pelo exterior, e a entrada do hotel é em portas de vidro mas com abertura retardada por efeito do detector de movimentos. Desconhecia o facto. Assim, antes de sair do hotel e dirigir-me para a garagem, permiti ao meu olhar uma nova oportunidade de deleite e mirar tão bonitas criaturas. Sabia que vinha na trajectória exacta da porta, virei a cabeça e curti a vista. Mas meu Deus, quando novamente me viro e me preparo para sair porta fora, sem nada esperar, afinco um cabeçadão naquela porta de vidro, que até recuei dois passos. Envergonhado com o ridículo da situação, e com uma forte dor na testa, sai, fui buscar o guarda-chuva, e agradeci com um aceno de mão a gentileza de me terem aberto o portão. Reparei que com algum esforço controlavam o riso. Pudera. Ainda hoje, sinto um “galozito” na testa.
Como a finalidade de ter ficado em Sevilha era ver um show de dança e canto flamenco, partimos à descoberta dos melhores locais.
Los Gallos, El Arenal, Pátio… junto ao museu taurino, eram os locais de eleição. Foi-nos permitido observar os locais, disseram-nos os horários dos espectáculos e os preços. Todos muito iguais e bastante caros.
Resolvemos entretanto fazer um city-tour pela cidade, só ontem reparei que o bilhete era válido por dois dias,
Findo o passeio, fomos a pé, visitar A Catedral de Sevilha, também conhecida como Catedral de Santa Maria da Sede. É a maior de Espanha, e o terceiro templo maior do mundo atrás do São Pedro do Vaticano, no Vaticano, e São Paulo, em Londres. Tem uma arquitectura interior majestosa. Visite-a quem puder.
Finda a visita, e para retemperar forças impunha-se beber umas cañas e comer umas tapas de Pata Negra. Isso se cumpriu na Taberna Sacristia, bem perto da Catedral.
A melodia que foi ouvir por várias vezes o som dos sinos instalados na Torre da Catedral.
Depois de três ou quatro cañhas, decidimos o local onde iríamos ver a show de sevilhanas e flamenco, optámos pelo Tablao El Arenal. www.tablaoelarenal.com.
Um momento bem passado.
Findo o espectáculo decidimos ir jantar. Foi de todos o melhor jantar em termos de qualidade. Fica o restaurante situado junto ao hotel onde pernoitamos.
Segunda-feira foi dia de regresso a casa, e, com uma história vivida no início da viagem, saída de Sevilha, na A 49, sentido Huelva, que me permitirei aqui relatar em carta aberta, assim que a enviar para as autoridades que julgo dever enviar. Brincadeira que me fez disparar o custo da viagem para uma milhafra de €uroses estoirados.
Almoçou o grupo junto, na Azenha do Mar, num restaurante com o mesmo nome. O preço, metade do que normalmente pagávamos em Espanha, e a qualidade de longe superior.
Mas, terminou tudo bem, depois de quase mil kms percorridos. A minha mota contabilizou 990 Kms e alguns hectómetros.
Depois de duas noites de árduo trabalho, é tempo de mais logo rumar até Penamacor, onde já não vou há dois meses, no gozo de mais uma merecida folga.
Tenho à espera, sábado, os meus companheiros de 61 para uma valente jantarada.
Escreveu o meu amigo Karraio num comentário, neste meu blog, que eu era um perigoso hedonista. Não Amigo, permite-me que te diga com honestidade, creio ser mais um manso epicurista, ou talvez alguém, que vive uma doutrina ou uma filosofia de vida intermédia, entre o hedonismo e o epicurismo.
Até que a morte me permita
Zé Morgas