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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Panterinhas 2013

Foram muitos os telefonemas com que o Matos, o Gonçalves e o Pinheiro, me bombardearam os ouvidos nas semanas que antecederam o convívio dos "Panterinhas",  a comemoração do 35º aniversário de incorporação na Força Aérea Portuguesa, agendado para dia 22 de Junho de 2013, com banquete reservado no restaurante "O Filipe", situado mesmo em frente ao mar, de ambiente afável e familiar, na Praia de Angeiras, Lavra, uma freguesia do concelho de Matosinhos.
Para estar presente necessitava que um colega me desse a garantia que me faria a noite de dia 23.
Já não sou novo, em tempos idos sairia sábado de manhã cedo, de Santo André rumo ao destino, almoçaria com os meus companheiros "Panterinhas" e pouco me importaria ter de regressar, bem comido e bem bebido como se diz no meu raiano concelho, a horas de render o meu colega de área do turno da tarde e fazer a minha noite de trabalho, também já não são novos os meus colegas de área, sou dos cinco elementos titulares o mais novo, fazer dois turnos seguidos é duro, com a agravante de ser fim de semana e implicar a consequente ausência do convívio em Família, que muitos adoram.
Sabia que estar presente me obrigaria a um gasto avultado para um simples almoço, e uma troca de turno obrigar-me-ia ao sacrifício de pagar com outras dezasseis horas de trabalho.
Insistia o Matos com os seus telefonemas, dizendo-me:
- Eras e és o benjamim do pelotão, não podes faltar, já disse à malta que vens.
Confesso com vaidade a honra da distinção.
Sei que era o elemento mais novo do pelotão, e sem o saber porquê, por todos querido, talvez por ser o mais novo.
Forcei o pedido da troca, consegui, e decidi ir de mota.
Curiosamente uma das situações em que as ideias me surgem e as dúvidas também me assolam é quando estou a andar de Mota.
Durante o almoço isso disse ao meu Comandante de pelotão, Alferes António Sousa.
Acontece-me por vezes pensar em parar, rascunhar num papel o que me ataca porque a memória já não é o que era e tenho medo de ser traído por ela.
Com a quase certeza,  de viajar com tempo quente durante todo o fim de semana, as previsões meteorológicas também falham, fiz-me à estrada com o equipamento básico a pensar apenas em segurança, descurando algum conforto pelo excesso de calor.
Montado na minha Mota, dei comigo a pensar numas palavras ditas pelo Papa Francisco:
Quanto é difícil, no nosso tempo, tomar decisões definitivas. O provisório está a prolongar a adolescência quase por toda a vida.”
Vêm-me à memória os planos e os sonhos da minha mocidade, os projectos pós-idade da reforma agora prolongada, os jovens de hoje eternamente à porta de uma oportunidade que teima em não aparecer.
À memória me vêm o que ouvia em jovem: “Ouve os mais velhos, que são os mais sábios
Agora dizem-me para escutar os mais jovens, porque são mais inteligentes.
Fico sempre perplexo, quando leio ou ouço jovens executivos que aconselham receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico, eles que dominam as folhas de excel mas não conhecem a tabuada. Aprendi, aprendo muita coisa.
Aprendi, por exemplo, que se nos últimos 35 anos tivesse deixado de beber um café e um whiskinho por dia tinha economizado X verba, se tivesse deixado de comer uns bifalhões por mês, mais uma economia de X verba, e assim por diante.
Castiço, como ainda há pouco tempo a saborear uma catembe com o meu Amigo Fragoso, o pai dos Putos, abordei o assunto do desperdício do dinheiro que ganhei. Muito dinheiro.
Almoçaradas, jantaradas, noitadas, viagens, gajas, carros, motas, roupas, muita coisa supérflua e descartável.
Impressionado duvidou do valor esbanjado e da minha seriedade.
Muni-me de tudo o que achei necessário à minha defesa, peguei num lápis e papel à moda antiga,  comecei a fazer contas, descobri para minha surpresa que o desperdício tinha sido superior ao que lhe tinha dito e que hoje poderia estar milionário.
Poderia ter uma conta bancária avultadamente recheada.
Não, não tenho.
Mas, se tivesse, o que é que este dinheiro me permitiria fazer?
Tudo o que fiz.
Almoçaradas, jantaradas, noitadas, viagens, gajas, carros, motas, roupas, muita coisa supérflua e descartável.
Gastei o meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, passado mais de meio século de vida, não tenho mais o mesmo pique de vida nem a mesma saúde.
Faltam-me peças, tenho peças remendadas e outras danificadas.
Abusar com a mesma intensidade não faz bem à minha idade, vestir bem, não melhora muito o meu visual.
Jamais conseguiria fazer agora o que fiz em jovem.
Por isso acho que me sinto feliz em ser pobre.
Por isso recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam, se puderem, o que eu fiz.
Por isso e antes que tudo piore, resolvi com esforço que ainda suporto, estar com os meus companheiros “Panterinhas em Matosinhos naquele fenomenal almoço organizado pelo Matos com a ajuda do Gonçalves e do Pinheiro.
Pinheiro que ganhou com distinção ao final da noite a atribuição da camisola “Amarela da buba”.
Em nome de todos os jovens "Panterinhas" um Obrigado pelas vossas ofertadas lembranças.
Elevaram demasiado a fasquia.
Parabéns aos três.
Neste modesto blogue quero deixar o registo de um sincero Bem Haja, gosto desta interjeição tão sentidamente usada na minha Penamacor natal para expressar agradecimento ou gratidão, à venerandíssima esposa do Matos, Veneranda Martins, por duas razões:
Pela minha hospedagem, e pelo ternurento e lindo acto de ter recebido as esposas dos companheiros "Panterinhas" com uma bonita e vistosa rosa vermelha.
Como irá ser o próximo encontro dos "Panterinhas" em Santarém?
Até lá novo esforço e nova troca de serviço me espera para estar presente no almoço convívio dos Antigos Alunos do Externato de Nossa Senhora do Incenso, em Agosto na Mui Nobre Vila de Penamacor.
Mas antes, ainda me espera Faro, a catedral do Motociclismo.
Vou sem hesitação, sem olhar a custos, sem o medo de um dia me arrepender de ter faltado.
Não quero chegar a velho sem ter vivido a vida, não quero morrer com um montão de dinheiro na minha conta bancária, muito menos desejo na minha laje sepulcral, o apodo:
“Aqui jaz o gajo mais rico do cemitério”
Não vivo para ser rico, vivo para ser minimamente feliz.
Zé Morgas