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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Desejo a todas e todos os que por este blogue vão passando,
FELIZ NATAL 2010 e
PRÓSPERO ANO NOVO 2011
Zé Morgas

Carta Aberta XVII - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
É sempre com agrado que leio nos jornais notícias sobre Penamacor.
Contudo, há notícias que me causam alguma apreensão. Li há dias no semanário, “Povo da Beira” que está a ser construída a primeira via pedonal de Penamacor, numa extensão de, pasme-se, 300 metros. Têm igualmente sido notícia nos Média, a camisola amarela que Penamacor enverga no que toca a envelhecimento da população e à desertificação do concelho.
Sr. Presidente
Ambos conhecemos dois colossais mamarrachos em Penamacor:
- O do Sumagral, que espero ver demolido antes que morte me leve, e
- A pseudo denominada via estruturante sul.
O Natal está à porta.
O povo de Penamacor merece uma prenda, sem dúvida.
Deixo-lhe aqui duas sugestões:
1ª - Tal como li no semanário Povo da Beira –“ …nos 300 metros que vão ser intervencionados a arquitectura não esqueceu as pessoas com mobilidade condicionada, com rampas e rebaixamento de passeios.”
Preocupação justa, atendendo ás necessidades dos utentes do Lar Dª Bárbara Tavares da Silva, que em principio serão, senão os únicos utilizadores da futura via pedonal, pelo menos os mais assíduos. Conhecendo o terreno, admitindo a excessiva mobilidade condicionada dos futuros utentes, deixo-lhe aqui, Sr. Presidente, uma ideia para complemento da via pedonal, e evitar assim, que nasça um terceiro mamarracho em Penamacor:
- Um TELEFÉRICO a acompanhar toda a via pedonal. Junta-se o útil ao agradável. A descer todos os Santos ajudam, quem por dificuldade de que tipo for, não conseguir subir a via pedonal, apanha o teleférico, e, desfruta toda a soberba paisagem que daí se vislumbra. Repetirá o trajecto tantas vezes quanto lhe aprouver.
Passeio pedonal, passeio de teleférico. O teleférico de certeza que encorajará bastantes utentes ao uso da via pedonal.
2ª - Via estruturante sul
Têm sido uma preocupação constante deste Governo da República, introduzir portagens em tudo o que é Scuts, vias rápidas com perfil de auto-estrada, etc.
Sr. Presidente
Já lhe ocorreu “portagar” essa duas vias, com quatro faixas de rodagem, entre as rotundas da Escola Ribeiro Sanches e a Senhora dos Caminhos?
De borla ninguém usa as faixas da via estruturante, quiçá a pagantes, não se tornem uma fonte de rendimento considerável para a Câmara Municipal de Penamacor, a que Vª. Exª preside.
A todas /todos as / os naturais e residentes


no Concelho de Penamacor


Votos de Um Feliz e Santo Natal


Zé Morgas

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Estados da Alma - 3

Em jovem quis crescer depressa, quero agora envelhecer lentamente.
Ainda ontem menino, já hoje a caminhar em passo acelerado pelo corredor do último semestre do primeiro meio século de existência.
Desde tenra idade que ouvia algumas pessoas mais idosas lá na minha Vila De Penamacor, dizerem:
A idade é o remédio para os males do exagero.
Outras diziam que o tempo é que muda as coisas.
Sempre quis acreditar que assim fosse.
Constato na verdade, que o remédio não é mais a idade, mas o que a idade nos traz:
A fraqueza gerada por diminuição das resistências naturais do organismo evita muito exagero
Creio agora na realidade, somos nós próprios quem tem de mudar as coisas.
Estive há dias a jantar na Capital do Reino em excelente companhia.
Delicioso Jantar.
Após o jantar fiz uma curta, mas adorável passagem pelo Bairro Alto.
As saudades que senti das jantaradas no restaurante Bota Alta. Há muito tempo que por ali não passava.
Como o ambiente está tão diferente. Dezenas de mulheres sós. Havia oferta à patada.
Apeteceu-me voltar aos tempos recentes do antigamente:
Meter-me com dez, para engatar uma.
A custo, contive os meus impulsos. Quem me acompanhava merecia-me esse respeito.
Já passava das duas da manhã quando entrei no carro para me deslocar até aqui ao Litoral Alentejano. Tal como no regresso de Aveiro, de mota, a circular em auto-estrada, a uma velocidade moderada, há tempo para pensar em tudo. Como diz o meu Amigo Bimbo, já com presença confirmada no Pingüinos 2011, em Valladolid:
- É um prazer pensar a andar de mota.
Por mim, de carro ou de mota, preencho a solidão das minhas viagens com pensamentos. Coisas mil me passam pela mente, coisas que, talvez, a melancolia inventa, e que com bonomia me apetece escrever.
É na humilde consciência da minha vulnerabilidade, que reside a minha força.
Sem angústias noto que estou diferente, é e precisamente em viagens, só, em análises introspectivas que tento compreender as alterações sofridas e saber se a elas me consigo adaptar.
Tento perceber as dúvidas que tenho. A idade traz maturidade, ganham-se defesas, alivia-nos de determinadas pressões e obrigações.
Faço… porque quero ou me apetece. Curioso, nem sempre.
Por vezes interrogo-me sobre o lado cognitivo da vida versus lado afectivo da vida. Já me aconteceu, com amigos, com colegas, ao ouvi-los falar de educação dos filhos ficar com a sensação de uma quase certeza, estarem a educar os seus filhos ao contrário.
Sem conhecimentos específicos nesta área, deixo isso para os psicólogos, reparo que alguns os “educam” ansiosos, sem iniciativa, com medo de errar e extremamente dependentes. Outros, e estes sim, “educam-nos” corajosos, com auto confiança, curiosos e com vontade de aprender.
Penso que, a principal responsabilidade dos pais na educação dos filhos é acompanhá-los no processo de se tornarem adultos equilibrados, autónomos, afectuosos e pacíficos.
Cresci, vivi com um pai, que é exemplo puro do verdadeiro anti-pai, num misto destas duas correntes, que me conduziu mesmo ao desenvolvimento de estados gamofóbicos.
Sem quase dar por isso, “levei-me” a uma tranquilidade ilusória de bem-estar, sem planos de família, casamento, etc.
Vivi para uma vida de prazer, os meus prazeres.
Sempre confundi amor com sexo, sexo quando é bom, sei que é óptimo, mas, quando é ruim, mesmo assim é bom. Nas inúmeras e loucas aventuras de prazer vividas, surgiram-me com grande frequência momentos de grande ternura e diversão.
Mais, conheci mulheres que não valorizando o que conquistavam, apenas valorizavam a conquista em si. A algumas me entreguei, ouvindo-lhes dizer, sabendo que mentiam, que me desejavam para sempre. Consumada a conquista, esvaziava-se a paixão.
Naquele Bairro Alto que agora visitei, pareceu-me ver ali muita “Catadora”, disposta a satisfazer esses seus desejos urgentes. Algumas “catavam-me” com dedicação.
Ausente nos meus pensamentos, passei ao lado daquele ambiente festivo.
O meu espírito deixou-se ir a outro encontro em pensamento. Está sempre a pensar nela e no seu desinteresse. Já na auto-estrada do sul, de repente, percebo que o desinteresse dela não é assim tão importante, não merece a desilusão que me tem perturbado.
Não me merece. Animo-me com a decisão, senti-me como se tivesse tirado um peso de cima dos ombros. Serviu-me como um analgésico emocional, e, pensando que o dia seguinte seria um dia melhor, decidi curtir a noite, na capital sadina por uns locais que tão bem conheço, que também, há muito não visitava.
Cheguei a casa perto das dez da matina do dia seguinte ao ter partido, a pensar que a vida a dois terá de ser melhor do que o viver só.
Como viver sozinho é cada vez melhor.
Porque a vida têm de ser vivida, para a semana, Barcelona espera-me.
Ramblas, Los Caracoles, 7 Portes, Monchos`s, Barrio Gótico, Maremagnum, Sagrada Familia, Montjuic, Los Alamos, New Way, Terminus, etc
Zé Morgas
Sonha como se vivesses para sempre. Vive como se fosses morrer hoje”.
James Dean

domingo, 7 de novembro de 2010

Pecados...Perdoáveis

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”.
Fernando Pessoa
Quanta verdade contida nesta frase.
Ainda há poucos dias, em Penamacor, no Bar da Vila em amena cavaqueira sobre os prazeres da vida, com os meus Amigos Pedro Grilo e Marco Mateus, e a beber umas “bejequinhas fresquinhas”, pese o paradoxo de a noite estar fria, me dizia o jovem Marco:
- Nem sabes como gostei de ler no teu blogue: “Em Banho-Maria”. Partilha com a malta uma outra aventura para se aprender qualquer coisita.
Prometi-lhes descrever uma aventura tão louca quanto impensável, que vivi no já longínquo final de ano de 1989, quase no início da minha vivência “Erasmus” à época, por terras da Europa.
Estava em Paris.
Já por aqui ouvira falar em conversas com emigrantes, e amigos que tinham visitado a capital francesa, em dois antros de louca “carnal” perdição.
Os celebérrimos Bois de Boulogne, um pouco menor que o nosso Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, e o Bois de Vincennes, conhecido como o pulmão de Paris.
Com apenas vinte e oito vigorosos anos vividos sem regras, sedentos de aventura, nada mais a fazer que partir à descoberta de tão badalados bosques onde todos os caprichosos desejos se satisfaziam.
De carro, com um Amigo que há muitos anos vivia em Paris, uma noite depois de um faustoso jantar, resolvemos percorrer todas as zonas pecaminosamente referenciadas.
Vi o que jamais imaginaria.
Bois de Boulogne.
Tudo ás resmas, gajas, gajos, travestis, grandes carrões, limusines com motoristas de boné, de onde vi saírem esculturais beldades ao encontro, de gajos que se prostituíam. Faziam sexo com elas para os endinheirados velhos, seus companheiros, verem, e se masturbarem. Com isso gozavam.
Observar, ás vezes é bem melhor do que participar, assim devem julgar.
Bois de Vincennes
Igualmente bem sortido, e com o que vi pela primeira vez, dezenas de carrinhas estrategicamente perfiladas.
No interior dessas carrinhas, que me lembravam as velhinhas carrinhas das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, “acompanhadas” por cabeçudos e assustadores cães de guarda, sentados no banco do condutor, grandes mulheraças, bonitas, bem pintadas, sexys, extraordinariamente peitudas, será que já nessa altura por ali abundava silicone?
Eu sei lá!
Tudo a apelar ao pecado, muito para dificultar a escolha.
Senti com certeza, que nos interiores daquelas carrinhas se viveriam bradáveis e inesquecíveis momentos.
Com umas dicas sobre o cuidado a ter com os valores a negociar, francos novos, francos velhos, versus cambio escudos, o euro ainda não tinha sido parido, lá fui ao encontro da beldade que mais me encheu o olho.
Recordo ainda aquele rosto lindo, de forma redonda e angelical.
Sacando o meu mais puro francês "Patapoufiano" do tempo da Escola Preparatória, e pouco disposto a grandes conversas, acordei a prendinha a deixar, abriu a porta lateral e dou comigo no interior daquela carrinha.
Um pitromax e um aquecedor a gás iluminavam e aqueciam o espaço.
Estava agradavelmente acolhedor.
Na traseira da carrinha, a toda a largura, uma cama com a cabeceira para o lado esquerdo. Com a vista já perfeitamente ambientada aquela luminusidade, eis que a logro a deixar cair o casacão, um Vison, se puro ou imitação de elevada qualidade não soube, e, reparei de boca aberta e olhos bem arregalados, que não tinha mais nadinha a cobrir-lhe aquele escultural corpo.
Que naco de mulher.
Ainda admirado e sempre a olhar aquele colosso curvilíneo, começa com uma meiguice a que não estava acostumado, a despir-me.
Já despido, apenas fiquei com as meias calçadas, empurra-me delicadamente com a mão esquerda e senta-me na cama.
Com a mão direita colocada abaixo do meu joelho esquerdo, puxa-me a perna para cima da cama. Com a perna direita fora da cama e o pé assente no chão, fiquei todo escancaradinho. Quase em simultâneo, com a mão esquerda dela sobre o meu peito, empurra-me deitando-me de costas sobre a cama e começa, qual gata, a arranhar-me com as unhas, do pescoço até ao mano gémeo.
Que deliciosa tremura nunca antes sentida.
Súbito oiço, o que traduzi por:
– Vou-te "chupar" o joelho.
Aperta-me com as mãos a canela esquerda contra a coxa, dá-me dois leves toques lábio-beijocais no joelho e de repente sinto umas cócegas indescritíveis feitos com os dentinhos. Tinha os dentes tipo coelhinha, de pontas serrilhadas, que se ajeitavam na perfeição aquela brincadeira.
Joguei-lhe as manitas aos peitaços, os bicos estavam incrivelmente duros, assemelhavam-se a dois cabides de parede, apontados ao tecto. Maravilhosos.
Mordi a língua de satisfação a pensar em chupá-los e mordiscá-los.
Novamente me passa a mão esquerda do pescoço até ao mano gémeo, faz uma argola com o indicador e o polegar, aperta-me o canalha e puxa brusco até à cabecinha.
Uuuhhhlálálálá!!!
Ainda a expelir tão satisfatório som, sinto umas cócegas por detrás das "bolinhas", que me fez com as unhas da mão direita, usando os dedos do mindinho ao indicador, parecia uma concertina a abrir, segue-se um abanar - embalar como que a tomar-lhes o peso, e ouço:
- Vou-te "ordenhar" uma "bolinha".
Cata-me a "bolinha" direita com a sua mão esquerda, garrotou-a e espremeu-a como se de uma teta de cabra se tratasse no momento da ordenha, e vá de me fazer mais umas cócegas na pontinha da "bolinha" com a unha do dedo mindinho da mão direita.
Por essa altura já nem sabia o que dizia, nem por onde viajava.
Seguramente, muito acima do “Evereste”.
Reparo então que estica o braço e apanha um preservativo que estava sobre a mesa de cabeceira, rasga o invólucro com os dentes, e …
Já de mano gémeo erguido, sinto que o aperta pela base com os dedos polegares e os indicadores, e inicia uma “canhola”.
Abocanhou-o. Melhor dito, agasalhou-o com a camisinha. Nunca tal me houvera sucedido.
Ajeitou com a língua e os lábios, o agasalho, duas ou três vezes.
Gosto de uma boa boca no local certo e por tempo ideal.
Senti que o meu mano gémeo ia “morrer” cedo, vai expelir como o vulcão "Edna", pensei, naquela luta tão desigual, mas tão desejada.
Num movimento brusco com a mão esquerda, puxo-lhe os cabelos, elevando-lhe a cabeça, liberto o mano gémeo daqueles carnudos lábios, ajeitei-me totalmente de costas ao comprido na cama, e berrei:
- Oh Mon Dieu! montê, oh montê, monta o gajo, pula-te nele.
Senti, todo aquele bosque húmido a passear da cabecinha até á base, que para azar meu, apenas durou três ou quatro viagens.
-Oh ne c`est pas possible. Je me vien, je me vien.
Derreteu-me o mano gémeo todinho.
Em jeito de despedida ainda desabafei:
-Seulement huit minutes, ne c`est pas possible, ne cést pas possible.
-Oh mon cherri, je suis une profissionele du sex. Trés profissionele. Au revoir.
Foi o que ouvi, já de saida, alegremente vencido.
Já tudo tentei para reviver aquelas inolvidáveis sensações. Dezenas andaram lá perto, mas ainda nenhuma foi tão intensa como aquela.
Caros jovens machos, não percais vós também, a felicidade de um dia, um “avião”, que aterra e descola com facilidade, vos faça uma "ordenha à bolinha" e uma "chupadinha" ao joelho.
Tentai, mendigai, exijam despuradamente, que bem o mereceis.
Zé Morgas

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Carta Aberta XVI - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
Foi com alguma alegria que constatei que os "pneus da Cardosa" já começaram a ser removidos do local. A minha alegria só será total quando no local, não “enxergar” nenhum pneu.
Contudo, pude observar que um pouco mais para oeste do local onde se encontram ainda umas consideráveis toneladas de pneus e outros detritos, um aterro, de lixos de obras e oficinas, entulho asfáltico, começa a nascer.

Sem mais comentários, partilho as fotos que tirei no local.
 Com os melhores cumprimentos
Zé Morgas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Aveiro 2010

Foi em Aldeia de São Xisto, que o grupo decidiu visitar a Veneza Portuguesa, Aveiro.
Por razões de disponibilidade de alojamento no hotel Meliã Ria - Spa para todo o grupo, foi o passeio marcado para os dias 16 a18 de Outubro, sábado, domingo e segunda-feira.
Desta vez nem me preocupei em saber o percurso definido de ida e volta, nem o número de pessoas inscritas. Preocupação mesmo, saber apenas o local de encontro e a hora de partida.
Assim, só no sábado durante o pequeno-almoço fiquei a saber que o número total de pessoas era de treze: seis “casalinhos” e “Eu”, só. Dos habituais companheiros que costumam viajar solitariamente, apenas eu estava presente.
Igualmente soube que dois casalinhos seguiriam mais tarde, um iria de “enlatado”, e parte do percurso seria feito por auto-estrada.
Havia que partir. Cinco motas e nove passageiros.
Grândola, A2, apanhámos com forte nevoeiro na zona de Alcácer do Sal, sobre o Rio Sado, A13, A10, desta vez sim, com nevoeiro à séria, cerradíssimo, sobre os rios Sorraia e Tejo, mal se enxergava a estrada, cuidados redobrados na condução, e saímos no Carregado para a N1.
Alenquer, Cheganças, Ota, as vezes que percorri esta estrada nos meus tempos de recruta e curso, passados na Força Aérea Portuguesa já lá vão trinta e dois anos, Espinheira, Cercal, A-dos-Francos, A15, A8, A17, saída na 109-8 em direcção a Quiaios para almoçar.
Foi a primeira vez que circulei pela A17.
Até dói a Alma.
Três faixas de rodagem, movimento nem vê-lo, é certo que era um sábado de manhã, mas os vestígios de pneu no asfalto eram nulos, o que revela o pouco movimento da via. Que desperdício de dinheiro do contribuinte português. Quase encostada passa a A1.
Obras assim, só comprovam o clientelismo e o saque reinante no nosso pobre Portugal.
Parámos no café restaurante PousaFol, na Rua da Praia em Quiaios, Figueira da Foz.
A maioria do grupo escolheu polvo assado no forno com batatas a murro.
Surpreendentemente tenrinho. Confesso com verdade, foi o melhor polvo assado no forno acompanhado com batatas a murro, que comi na minha vida.
Simplesmente divinal e o preço extraordinariamente baixo!!!
Satisfeitos e contentes, havia que seguir viagem.
Tinham o P.C. e o H.M. consultado o mapa das estradas, e decidido, que seria uma viagem bonita, panorâmica, até à praia de Mira, circular junto ao litoral.
Foi a rota que introduziram no GPS.
À saída de Quiaios, no início da estrada camarária que iríamos percorrer, reparei numa placa, como também reparou o A.G., que dizia:
“Praia de Mira – 26 Km”.
A rolar devagar, o piso era manhoso, começo, começamos a notar a falta de asfalto, buracos à fartazana, cada vez mais, mas sempre a pensar que seria algo passageiro, umas poucas dezenas de metros, umas poucas centenas talvez.
Cruzámos com dois ou três “enlatados”, observei os sorrisos marotos com que os ocupantes nos olhavam, que apenas percebi, depois de seis quilómetros percorridos.
Parei, seguia na cabeça do grupo, parou também o P.C e o A.G.
O Homem do Caminhão-Tir e o H.M. que o escoltava, vinham lá na retaguarda.
Reunidos, uma breve troca de palavras, e decidimos avançar com a esperança que já pouco faltava para superar aquela “auto-estrada” digna de roteiro no mais violento Portugal de Lés a Lés, em Mota, em que alguns elementos do grupo participaram.
Equacionou o Homem do Caminhão-Tir voltar para trás.
Feliz a decisão de o não ter feito. Sabendo à posteriori o que lhe aconteceu, adornou a montada, apoiando-a no chão esburacado, soltando a pendura, que rogou encomendas a Deus e ao diabo.
Se o mesmo lhe acontecesse sozinho no percurso “volta atrás”, só com a ajuda da pendura, não tinha elevado aquele veículo longo e pesado, à posição vertical.
Atalhou caminho na primeira oportunidade, direitinho ao Hotel, por ironia, quando as dificuldades “esburacais” acabaram.
Com piso de luxo seguimos por Mira, Costa Nova, lindos os típicos palheiros, até à Gafanha da Encarnação.
Abancámos no bar a Bruxa, e ornamentámos as mesas com dois jarrinhos da típica bebida ali servida, alcoólica sem dúvida, acompanhada pelos inseparáveis “empalhados”, um misto servido de tremoços, azeitonas e amendoins em quantidade industrial, generosamente pagos.
Para agradável surpresa, e porque sabia onde estávamos, lá se juntou a nós o casalinho do Caminhão-Tir, fresquinhos como alfaces.
A minha avó bem me dizia, por vezes para acalmar o espírito nada melhor que vociferar uns chorrilhos e umas “carvalhadas e orvalhadas” aos sete ventos. Eficaz.
Chega entretanto o casalinho que tinha viajado de “enlatado”.
Mais um jarrinho e dois “empalhados”, para os servir.
Ruma o grupo ao Hotel, parqueámos as motas e o estafado ritual do costume.
Combina-se a hora para jantar, 20 horas.
Até lá …repouso, piscina, massagens, Spa.
Eu e o A.G. decidimos fazer uma primeira incursão pela cidade para saborear um petisquinho e umas loiras fresquinhas.
De regresso ao hotel, demos de caras com a inauguração de uma loja da “Ana Salazar”.
Como o mundo é cruel. Aqueles franzinos “corpos passa fome”, vestidos com aquelas indumentárias, que pomposamente chamam de moda, se eu me atrevesse a usá-los na minha Mui Nobre Vila de Penamacor, não faltaria quem alvitrasse:
“Coitado, olha o maltrapilho, só traz trapinhos no corpo”.
Moda é moda e gostos não se discutem.
No hall do hotel estavam já alguns companheiros, chegara entretanto o Capitão Penetra e a pendura.
Todos juntos, partimos à procura de poiso para jantar.
A caminho do Largo do Mercado do Peixe encontrámos um indígena de Aveiro, nosso colega na Repsol, que nos indicou o restaurante “O Telheiro” para jantar, para onde nos dirigimos. Informaram-nos que não havia lugares. As mesas estavam todas reservadas. Ao balcão um número considerável de clientes à espera de vaga.
Fiz um telefonema a um meu amigo de Penamacor, conhecedor da gastronomia da cidade, aconselhou-me o “Mercantel”. Perguntei a um transeunte onde se localizava, informou-me que estava fechado para férias. Que pena.
Com a recomendação na memória de um colega de turno, o D.B., que no verão passado por aquelas bandas passou férias, fomos à descoberta do afamado restaurante “Salpoente”.
Consta no roteiro gastronómico elaborado pela Repsol.
Sem mesa para todo o grupo, fomos divididos em dois: sete, seis.
Obviamente!!! fiquei no G7.
Cada qual escolheu o que mais lhe agradou, contas pagas, e já na rua, circulando junto ao canal de S. Roque a conversa centrava-se sobre uma pequena banhada comum ás duas mesas: foram cobradas entradas de cogumelos, não servidas. Ficámos com a sensação de ser uma prática corrente. De lamentar.
Para atenuar a tristeza, nada melhor que um round pelos inúmeros bares, bem frequentados, na zona do Largo do Mercado do Peixe. Afinal, Aveiro têm um enorme Campus Universitário, dizem que com quase vinte e cinco mil inquilinos.
Onde há juventude há vida. Gostei.
Um senão. No bar “Bucha e Estica” os cocktails servidos, caros, primavam pelo excesso de gelo.
Domingo.
Em agenda o habitual passeio de autocarro a céu aberto, e o obrigatório passeio de barco “Moliceiro” pelos canais da cidade, que lhe valem o cognome de “Veneza Portuguesa”.
Feito o passeio de autocarro pela cidade com extensão até Ílhavo, e passagem pela fábrica de porcelana da Vista Alegre.
Chega a hora de almoço.
Um dos meus pratos predilectos é enguias, sejam fritas, de caldeirada ou de ensopado.
Divididos entre onde ir, em qualquer grupo há sempre um Mc`Donalds dependente, decidi, e porque ainda era cedo, pouco passava do meio-dia, que ia ao restaurante “O Telheiro”.
Comigo, alinharam o P.C. e o A.G. e as respectivas esposas. Lá nos arranjaram uma mesa. Escolhemos enguias, fritas e ensopado. A Lalá que não gosta de enguias, escolheu outro prato, que mandou atrasar para comer juntamente connosco, quando chegasse o ensopado
É demorado o serviço. Vieram as enguias fritas, acompanhadas com um molho que de escabeche têm o nome, é azeite quente, vinagre, alho frito e sal.
Faltou ali no molho, cebola, semente de coentros, gengibre, louro, pimenta, piripiri, e habilidosa mão.
As salas encheram-se de repente, e devem-se ter esquecido de nós. Íamos dormindo à espera da "bagagem".
Depois da reclamação pelo tempo de espera, chega o ensopado e o prato da Lálá.
As enguias vinham frias, o pão em vez de frito, torrado, mal torrado e espapaçado do molho, molho a acusar o abuso do açafrão.
Que saudades senti das enguias que frequentemente como em Deixa o Resto, na Tasquinha do Ilídio.
De louvar apenas a sobremesa comida: Sopa Dourada, composta por uma base de pão-de-ló coberta com ovos-moles, tudo enfeitado com passas, pinhão, nozes e canela.
A conta sim, trazia todo o valente escaldão que a comida não levou.
Desgostosos mas serenos, restava-nos digerir a mágoa do almoço, passeando de barco “Moliceiro” pelos canais da cidade.
Foi o que fizemos.
Terminado o passeio optámos por uma visita ao Fórum Aveiro, que está situado no coração da cidade, integrado no centro histórico e comercial. A sua excelente localização permite-lhe beneficiar de uma envolvência paisagística única e de acessos facilitados, enquadrando o principal canal da cidade. Distingue-se arquitectonicamente pelo espaço ao ar livre e utilização de materiais naturais da zona, além dos jardins suspensos da cobertura.
Queimado algum tempo, fomos ao encontro dos restantes companheiros que estavam no hotel. Bebidas umas “copas” no bar do hotel, com vista sobre o canal e o bonito edifício do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, antiga fábrica Jerónimo Pereira Campos, chega a hora de jantar. Escolhemos o Restaurante Ferro.
Era a primeira vez do grupo com todos reunidos na mesma mesa, em número de treze.
Há quem diga que trás azar. Não acredito, mas…
A escolha não era vasta, escolheu a maioria entrecosto grelhado. Para surpresa de todos, aparte uma ou duas travessas que ainda lhe viram a cor, todas as restantes só traziam entremeada. Alertado o funcionário para o sucedido, ainda quis trocar as voltas ao pessoal, que por ali, entrecosto e entremeada era tudo e a mesma coisa.
Reconhecendo que a justificação não pegava, lá se prontificou a trazer uma travessa de entrecosto, não sem antes derrubar o meu copo de vinho sobre a minha travessa de comida. Desastrado.
Chega entristecido junto da mesa, porque na cozinha lhe tinham dito não haver mais entrecosto, razão porque serviram as travessas com entremeada.
Enfim. Era ético ter avisado o grupo antes de nos ter servido.
Contudo o pior estava para acontecer.
Poucos minutos antes, tinha o mesmo funcionário limpo o chão com uma esfregona junto da cadeira do H.M. Ao servir a mesa, entornou o molho de uma travessa.
Súbito levanta-se o H.M. porque sentiu algo quente nas costas. Afinal o molho não caiu só para o chão, caiu também na cadeira onde estava sentado e na camisa, assim que passou a t-shirt e lhe chegou ao pelo, queixou-se. Ficou com marca de alto a baixo.
A conta foi tão grande como a mancha na camisa.
Estranhamente aceitou-se tudo com tamanha passividade.
Seria por sermos treze à mesa?
Tal não volta a acontecer.
Nunca, em viagem nenhuma nos haviam acontecido tantas desgraças juntas.
Apesar de tantos infortúnios juntos, fizemos um passeio pedonal pela cidade, até à gare dos comboios, o antigo edíficio está decorados com bonitos painéis de azulejos, e de regresso ao hotel entramos no Dá Dá Café, para beber em jeito de despedida à Cidade, umas loirinhas, uns cházinhos…
Havia que afogar as mágoas.
Estipulado o ponto de encontro para a manhã seguinte, pelas nove horas e trinta minutos, no posto de combustível Repsol, próximo do hotel, para dali seguirmos até à fábrica e Museu da Vista Alegre, começou o pessoal a deslizar até vale de lençóis.
Como duro da noite, e, porque outros pensamentos me começavam a atormentar o espírito, ainda bebi uma última loirinha, no bar do hotel, mesmo em cima da hora de fecho.
Segunda-feira.
Levantei-me cedo, para estar presente na hora da abertura de uma tradicional mercearia, queria comprar umas latinhas de enguias da Murtosa em molho de escabeche.
Compras feitas e fui abastecer a minha mota.
Começam as chegar os restantes companheiros. O P.C. pede-me junto com o valor do parqueamento da mota, o dinheiro de uma água consumida no quarto.
- Paguei tudo hoje de manhã quando fiz o check-out, o consumo do bar e o do quarto.
No Domingo, junto com o valor do Spa, cobraram-lhe todos os consumos havidos nos quartos na primeira noite. Os outros companheiros deram pelo erro ao fazer o check-out, estavam todos juntos, exigiram a devolução dos valores já cobrados.
Eu como saí mais cedo, paguei uma água que já tinha sido paga.
Motas atestadas, e fomos até Ílhavo, à fábrica da Vista Alegre.
Fomos informados que o museu estava fechado à segunda-feira, e a visita à fábrica, carecia de autorização superior por não constar em agenda.
Estivémos naquele local no dia anterior, aquando do passeio de autocarro, poderíamos ter saído e visitado o museu, e tínhamos apanhado o autocarro uma hora depois.
Mas, resolvemos fazer as visitas na manhã de segunda-feira.
Que azar, mais um desgosto para juntar aos demais já tidos.
Uma breve visita à loja Outlet, e fomos novamente à recepção. Com educada insistência, e chorando o nosso infortúnio, vislumbrámos luz ao fim do túnel. Poderíamos visitar a fábrica mediante o pagamento de seis €uros por cabeça.
Concordámos. Um brevíssimo briefing com a funcionária destacada para a visita, sobre o comportamento dentro da fábrica e a proibição de uso de máquinas fotográficas e lá fomos guiados até ao interior das instalações.
Uma detalhada descrição sobre a pasta da porcelana que é composta pela mistura em proporções variáveis de caulino, quartzo e feldspato, moldes, enchimentos, retoques manuais, controlo visual individual, decalcagem, pintura, cozedura a 900º e a 1400º, etc, etc foi de facto a parte alta deste passeio.
È uma visita que se recomenda vivamente.
Hora de regresso a casa.
Tinha o H.M. e O P.C. o percurso de regresso anotado no GPS. O Homem do "enlatado" por motivos pessoais teve de regressar mais cedo, O Homem do Caminhão-Tir só via auto-estrada, O Capitão Penetra nos regressos é sempre uma caixinha de surpresas.
Assim, Eu, o A.G. o H.M. e o P.C. resolvemos cumprir o percurso previamente elaborado, sem ponto de paragem para almoço definido. As horas e a fome ditariam a paragem.
Ílhavo, Mamarrosa, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Alfarelos, Vila Nova de Anços.
Paragem para almoço.
Frente ao Cruzeiro, uma tasquinha de nome:
Casa de Petiscos, Lda. Especialidade em Enguias.
Entrámos. Éramos sete.
Sem luxos e a sala quase cheia de comensais, prestes a terminarem.
Fomos atendidos e servidos por uma Senhora de uma simplicidade contagiante.
Todos escolhemos bife de vitela, com batata frita, salada e ovo estrelado.
Para sobremesa, pudim molotof, que a senhora desde logo nos avisou não ter sido feito lá em casa, mas sim na pastelaria vizinha, colocado sobre a mesa, nós próprios fizemos as nossas doses. Fomos servidos como reis. A sorte voltava a sorrir-nos.
Soure, Redinha, Anços, Santiago da Guarda, Ansião. IC8, N110, Tomar, IC3, Entroncamento, Golegã, Chamusca, Alpiarça.
Paragem para abastecer as máquinas e os corpos já ávidos de liquidos.
O tempo passava, o percurso final era novamente por auto-estrada, A13 e A2.
O H.M tinha um compromisso a respeitar, saiu na frente a dar gás. O pneu traseiro do A.G. com seis mil quilómetros rodados, com pendura sempre em cima e o peso de três malas, fez um precoce entrega ao purgatório. Exibiu a lona. Definida uma velocidade de cruzeiro de 1.4 assumi o comando do trio.
Em auto-estrada, a uma velocidade tão moderada, há tempo para tudo. Coisas mil me passaram pela mente, coisas que, talvez, a melancolia inventa, que um dia com bonomia, talvez, ousarei falar delas, e talvez, escrevê-las.
Com o pensamento no pneu do A.G. entrámos na área de serviço de Alcácer do Sal par um checking visual. Confirmámos que aquela velocidade, resistiria sem perigo, com segurança, até ao destino final.
Tudo acabou em bem.
É um grupo fantástico, este Grupo de Moto Turismo do Litoral Alentejano. Há catorze anos que aceleramos juntos.
Para próximo passeio, sem data definida, mas já com destino eleito, Alberca, considerada pela Unesco, vila Património Mundial, em Espanha, lá estarei com a minha mota, que há mais de cento e vinte mil quilómetros rola comigo por essas estradas fora.
Com as melhores saudações motards, e votos de boas curvas.
Zé Morgas

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

São Xisto

As expectativas eram grandes para este passeio.
O local anunciado como paradisíaco, no Alto Douro Vinhateiro, Quinta de São Xisto, na aldeia de São Xisto, paredes meias com a estação de comboio da Ferradosa, concelho de S. João da Pesqueira, estava à nossa disposição entre os dias 3 a 5 de Setembro.
Sexta-feira
Com o pequeno-almoço combinado ás oito da matina, dia três, na pastelaria Celeiro Doce, desta vez chegou em último, quem por hábito chega quase sempre em primeiro: o H.M.
Sentiu a importância de ter tanta gente à sua espera.
Com o trajecto marcado e sem local para almoço definido, fez-se o grupo à estrada.
Santo André, Grândola, Alcácer do Sal, Marateca, Coruche, Almeirim, Golegã, IC 3, N 110, Penela, Condeixa, Coimbra, Casal da Misarela.
Paragem para saciar a fome e a sede, que começavam a apertar.
Era ideia da maioria, comer algo ligeiro, seguir viagem, e desfrutar a piscina da Quinta à chegada. Entrámos no Restaurante “A Mariazinha”, com bonita vista da varanda, sobre o Mondego.
Sem querer entrar nos detalhes do que foi escolhido e servido, apenas fiquei com uma certeza: Sempre que por aquelas bandas passar, tudo farei para ali voltar a comer.
A comida, qualidade e quantidade, de nota máxima. A certificá-lo, os inúmeros quadros pendurados nas paredes, de uma sala simples, com dizeres de gratidão.
Saciados e hidratados, partimos via Penacova, com destino a Tábua. À nossa espera estava o PC e a Lálá. Tinham partido na véspera.
Reunido o grupo na totalidade, tomada uma bebida fresca numa esplanada no largo central, e nova partida até ao destino eleito.
Viseu, Sátão, Vila Nova de Paiva, Serra da Lapa, Tabuaço, Pinhão, S. João da Pesqueira, Aldeia de São Xisto.
Com quinhentos e muitos quilómetros andados, e a cerca de três da Quinta de São Xisto, parámos no restaurante Soto Queimado.
Afinal, soube, era ali que iríamos jantar. Sabia apenas desde a partida, que o prato escolhido pela maioria para o jantar desse dia, era cabrito assado no forno.
Combinada a hora para servir o jantar, seguimos para a Quinta.
A Quinta de São Xisto repousa numa encosta dum monte xistoso, estendendo-se até ao Rio Douro, convivendo e repartindo o espaço perfumado pelas vinhas de Vinho do Porto, com a Aldeia de São Xisto, bem no coração do Alto Douro Vinhateiro.
Ali, ao ver o acesso à quinta começaram os “medos” do Homem do Caminhão-Tir:
- Como vou subir? Como vou descer? Interrogava-se em voz alta.
Com calma e cautela lá subiu até à casinha que lhe estava destinada.
As Casas da Aldeia estavam abandonadas e completamente deterioradas, servindo apenas para arrecadações de palha, de utensílios e máquinas para a agricultura.
Nas obras de restauração das casinhas, foram empregues técnicas de construção artesanais, como o entalhamento da pedra de xisto, para preservar e restituir a traça original das casas.
Apesar do seu aspecto rústico e tradicional, as casas foram dotadas, no seu interior, de todo o conforto necessário à vida contemporânea.
O que se observa das casinhas da Quinta, é único e inesquecível.
Para evitar que o grupo tivesse de andar de mota à noite, pôs o Mário, filho do dono da Quinta, um jipe à nossa disposição:
Um Toyota Land Cruiser BJ 40, vermelhinho.
Foi de jipe, fui o condutor de serviço, relíquias exigem cuidados de condução extras, que nos deslocámos até ao restaurante Soto Queimado.
A mesma felicidade do almoço. O cabrito impecavelmente confeccionado, regado a pinga da melhor; simpatia a rodos dos donos do restaurante.
Findo o jantar, satisfeitos e alegres, encomendámos o pequeno-almoço para o dia seguinte, sábado, e urgia seguir até S. João da Pesqueira, curtir a “night”.
Éramos dez no grupo. Seis pilotos, outras tantas motas, e quatro penduras. A lotação do jipe é de sete lugares. Decidiu-se fazer duas viagens, por uma questão de conforto.
Foi a mais louca viagem para algumas e alguns elementos do grupo. Nunca tinham andado de jipe sentadas / sentados em bancos laterais, por estradas tão serpenteantes como aquela, e com perigosas íngremes ravinas até ao rio. Metia respeito.
Evito-me à transcrição dos ais e suspiros ouvidos, e dos “sustos” vividos nos “adernanços” das curvas. E não ouvi só vozes femininas.
Sem razão, mas o medo têm lá porras.
Decorreu entre os dias 2 e 5 de Setembro, mais uma edição da “Vindouro” em S. João da Pesqueira, que acolheu o evento, num local que é Património Mundial da UNESCO. Dezenas de produtores, de Vinho do Porto e DOC Douro, estiveram reunidos, durante quatro dias, no Parque de Exposições de S. João da Pesqueira, dando à prova os seus vinhos.
Bastava para os provar, comprar um copo alusivo à edição do evento, fornecido com uma sacola para o transportar ao pescoço, e saborear à “tromba estendida” todos os deliciosos néctares ali expostos.
Cumprimos fielmente, sem olhar a minguas, com a nossa imperiosa obrigação.
Elegemos entre o grupo, como o melhor, um Borges, vintage, colheita de 2007.
Erradamente sempre associei vintage à idade do vinho. Finalmente fiquei a saber que vintage, diz-se de ou vinho fino de uma só colheita, produzido em ano de reconhecida qualidade, com características organolépticas excepcionais!excecionais, retinto e encorpado, de aroma e paladar muito finos e que seja reconhecido pelo Instituto de Vinho do Porto ao uso da designação de vintage.
No centro histórico, os visitantes puderam encontrar expositores de produtos tradicionais durienses e divertir-se com animação de rua que recuperou a época (século XVIII) de uma das figuras mais proeminentes da região: o Marquês de Pombal.
Nessa noite, no palco erguido em frente ao anfiteatro, ao lado do Parque de Exposições, actuou a fadista Ana Moura.
Foi a primeira vez que a vi e ouvi ao vivo. Gostei, e principalmente da letra “Leva-me aos fados”. Sem que o esperasse, “bateu-me” fundo na Alma. O fado, o vinho, Vinho Do Porto. Recordações de outros tempos…
Ouvi-la é um afago para a alma.
A sua voz é densa, delicada e agridoce, com um timbre de suave queixume que seduz.
Regresso à Quinta.
Agora, todos de uma só vez no jipe. Era sempre a descer. Três à frente, sete à molhada lá atrás, não sei o que aconteceu, a estrada não me permitia distracções, ouvia somente uma orquestra de lamuriantes sons desarticulados. Compreendios. Mas tudo chegou salvo à Quinta.
À Quinta tinha chegado também, havia pouco tempo, o Mário.
Apresentação e cumprimentos feitos, obsequiou-nos com um néctar do Porto, com sessenta anos. Para mágoa sua, apenas os duros do costume aceitámos.
Perdoem-me o meu egoísmo mas agradeço aos que resolveram deitar-se cedo.
Que néctar!!! Ah Linda loira, que néctar digno de partilha lá no Olimpo das Musas. Dividido por menos, as porções foram maiores.
Uma outra garrafa com metade da idade, ainda abriu. Honrámo-la igualmente com suave passagem pelo palato.
Obrigado minhas companheiras e meus companheiros de viagem, pela vossa precoce retirada até ao vale de lençóis.
A noite estava bela. Estrelada. O silêncio, absolutamente encantador.
Recolhi, já tarde, aos meus aposentos, a Casa do Caseiro.
Sábado
Contudo, acordei cedo, com um “despertador” que há anos não ouvia: um galo a cantar.
Mas, virei-me para o lado e embalei para mais uma confortante horinha de sono.
Hora de levantar, banhinho tomado e há que ir “esforricar” o pequeno-almoço.
Durante o pequeno-almoço, decidiu o grupo o percurso e os locais para visitar.
Primeira paragem, Alto do Vargelas.
Dali se observa, com vista privilegiada, toda a quinta de São Xisto, e a grandiosidade do rio num quadro de rara beleza.
Naquele miradouro esteve Moita Flores. Está lá o registo da sua passagem, gravado numa pedra de xisto.
Continuamos e nova paragem: Castelo de Numão, também conhecido por Sentinela do Douro. A vista é soberba, e as ruínas intramuros dão uma noção do traçado do antigo aglomerado ali existente.
Fez o grupo há já algum tempo, um passeio de barco, da Régua até ao Pocinho, com almoço no restaurante Senhora da Ribeira, na Quinta da Senhora da Ribeira. Têm uma localização esplêndida, à beira do Douro, com o cais ao pé e a quinta do Vesúvio em frente. Têm uma emente farta e variada, e sempre a possibilidade de confecção por encomenda.
A pensar naquele belo passeio de barco, decidimos descer até à estação do Vesúvio, para rever a Quinta da Senhora da Ribeira, o restaurante, o cais, o rio, da margem oposta.
Com o estômago a pedir algo sólido, resolvemos ir até à estação de Freixo de Numão / Mós do Douro, e descobrir pelo caminho, poiso onde assentar arraiais para dar ao dente. Caiu a escolha no Restaurante Bago D’Ouro, no largo da estação de Freixo de Numão.
Pediu a maioria do grupo mão de vaca com grão. A primeira decepção.
O grão estava bem apaladado, mas a mão de vaca tinha ficado no talho da freguesia.
Valeu a pinga, um Douro Doc, Pina Olinda, Malvasia Fina 2008.
Valeu igualmente o passeio de mota por aquelas estradas com o rio à vista onde se misturam fragas agrestes, socalcos vinhateiros e solares nobres. Um passeio no meio de um cenário grandioso, que entusiasma até o mais empedernido adversário das estradas secundárias, o nosso Homem do Caminhão-Tir.
Com o bandulho cheio, e alegando que o corpo exigia descanso, começou alguém a dizer que queria regressar rápido à Quinta.
Percebi o chamamento “piscinal”.
Tinha proposto ao grupo almoçar em Carviçais, Torre de Moncorvo, no Restaurante O Artur, seguramente um dos restaurantes mais conhecidos do país pela fama que a sua pujante posta, à mirandesa, ganhou. Uma visita sempre merecida.
Porque me apetecia andar de mota, resolvi que ia lá beber uma imperial. Acompanhou-me apenas o J.R. Ficou a conhecer um novo espaço, de referência.
No regresso à Quinta, paragem para abastecer as máquinas em Vila Nova de Foz Côa.
Quase a chegar à Quinta, ao final da tarde, encontro alguns companheiros em saudável passeio pedonal, a caminho do restaurante Soto Queimado. Parei.
- Trás o jipe e vêm beber uma fresquinha connosco, disse-me o A.G.
- Ok, tempo apenas para um refrescante rápido duche.
Já na esplanada do Soto Queimado, fiquei a saber que o P.C. tinha decidido ir de mota para S. João da Pesqueira. Aligeirava assim, a carga ao jipe e espaço aos utentes.
Onde tinha jantado há uns tempos atrás, apenas se lembrava o A.G. que era numa rua inclinada e tinha uma árvore em frente. Palmilhou uns quilómetros à procura do dito espaço, e nada encontrou.
Com os poucos dados recordados, perguntou a um transeunte se conhecia um restaurante situado na zona descrita.
-É a Casa Regional O Forno. Que sorte. Era o que procurávamos. Para lá nos dirigimos, encaminharam-nos para o primeiro andar e sentámo-nos em duas mesas divididos em dois grupos.
A moça de serviço à minha mesa, era o seu primeiro dia de trabalho. Novinha, bonita, bastante simpática.
Pedimos sopa e bacalhau para quatro. Dada a sua inexperiência levou a ementa para mostrar na cozinha a escolha feita. De bradar.
Na mesa ao lado acabaram os nossos companheiros por pedir bacalhau também.
Quando chega a primeira travessa de bacalhau, um companheiro da mesa ao lado, armado em “galifão”, abotoou-se.
Mas ele há dias de azar.
Mal começaram a comer, alguém se queixa, uma posta de bacalhau estava com um cheiro intenso e horrendo. Foi devolvido. Tudo correu mal, um jantar para esquecer, um lugar a riscar dos meus circuitos gastronómicos. Que falta de tudo…
Voltámos ao Parque de Exposições, nada melhor que provar mais uns deliciosos “vintages”.
Encontramos os simpáticos donos do restaurante Soto Queimado, contamos-lhe o sucedido, disse-nos que deveríamos ter ido ao Restaurante Cantiflas.
Fica o registo para uma próxima visita.
Domingo
Dia de regresso. Um último olhar sobre a maravilhosa Quinta de São Xisto e o Rio Douro para gravar um bonito quadro no baú da memória.
Pequeno-almoço tomado e novamente na estrada.
Penedono, Trancoso, Celorico gare, Guarda, Sabugal, Serra da Malcata, Meimão, Meimoa, Penamacor.
Hora de almoço.
Tinha encomendado um ensopado de javali para a maioria do grupo, no restaurante o Jardim, do meu Amigo Manel, carinhosamente tratado por “Venetas”.
Parqueámos as motas frente ao Museu, descemos a escadaria, onde estão expostos uns bonitos painéis de azulejos, que dá acesso à Selva da República, jardim no meu tempo de meninice, e entramos no restaurante.
Ali estava a mesa, reservada, à nossa espera.
Escolhi uma pinga da Quinta dos Termos, tinto Doc, para acompanhar.
Estava tudo divinal, sem pecado. Superou-se. Propício a alguns abusos.
Feita uma curta visita ao museu, altura de despedida de Penamacor, com uma bebida fresca na cafetaria do Quartel. O calor estava abrasador.
Era tempo de partir.
Pedrogrão de S. Pedro, S. Miguel D’Acha, Escalos de Cima, Castelo Branco, A 23, estação de serviço de Vila Velha de Ródão. Paragem. Havia que atestar as motas e hidratar os corpos. A temperatura rondava os 36 graus.
Ponte de Sor, Mora, Montemor-o-Novo, nova paragem na esplanada do restaurante O Bacalhau. Os corpos exigiam líquidos. Ouviam-se os queixumes:
- Não pode ser, não se pode comer tanto, almoços assim nunca mais, está muito calor… e outros desabafos que conheço já de cor.
Não ligo aos queixumes, mas comungo os exageros praticados. Quero lá saber.
Os exageros fazem parte do prazenteiro sofrimento que é andar de mota, que depressa passam. Difícil de entender, sei.
Todos conhecem aquela velha e estafada máxima, cujo autor desconheço:
Não tento explicar ás pessoas porque ando de mota.
Para os que compreendem, nenhuma explicação é necessária.
Para os que não compreendem, nenhuma explicação é possível
”.
Prova disso, é que têm já o grupo novo passeio agendado, para meados de Outubro, lá para as bandas de Aveiro, certo de que os abusos continuarão e os queixumes far-se-ão eternamente ouvir.
De Montemor-o-Novo até casa, foi rolar sem parar. Uma beleza de passeio.
Termino com uma linda frase que li no FB da minha Queridinha Amiga Pipah:
Para quê levar a vida tão a sério, se a vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos”.
Até lá…
Quero continuar a andar de mota, porque a andar de mota, penso em …, murmuro o nome…, curto a Natureza; não sou eu, Sou Feliz.
A todas e todos,
Boas Curvas.
Zé Morgas

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Carta Aberta XV - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
Como diz o Povo na sua sábia sabedoria: “Parar é Morrer”.
Para não deixar morrer os meus passeios moto turísticos, tenho já agendado para os dias 3 a 5 de Setembro novo passeio a um paradisíaco lugar, sito no Douro Vinhateiro, Aldeia de São Xisto.
Ao elaborar o trajecto de regresso, decidi que obrigatoriamente teria de passar por Penamacor, e aí almoçar com os meus companheiros das duas rodas. Assim, no fim-de-semana passado, e no gozo de mais uma curta, mas sempre merecidíssima folga, desloquei-me até Penamacor para tratar da “Logística do Farnel”, e escolher dois ou três locais interessantes para uma breve visita. Um dos locais que elegi para visitar, dar a conhecer ao meu grupo, foi o Museu. Fiquei agradavelmente surpreendido com o novo espaço dedicado à exposição da fauna do concelho.
Os meus parabéns a todos os intervenientes na concretização daquele espaço.
Sr. Presidente
Têm por hábito os elementos do meu grupo, fazer exaustivos registos fotográficos dos maravilhosos, panorâmicos, inesquecíveis locais por onde passam. Afirmo com convicção plena entre os meus pares motards, que é privilegiada a paisagem observada do espaço circundante ao Museu. É perder a vista com um olhar panorâmico, desde a Vila, passando por Monsanto, até Espanha, lá longe, já na penumbra da linha do horizonte. Encostado ás grandes, entretanto soldadas, mas a necessitar de alguma tinta, (existem no mercado tintas de excelente qualidade, à base de resinas gliceroftálicas, para aplicação sobre suportes oxidados, basta eliminar a ferrugem com uma escova metálica, lixar levemente e retirar o pó), deparo aos olhos com um lastimável quadro:
O pasto que abunda naquela encosta barrocal que dá para o lado do Centro de Saúde e do Palácio da Couve.
Sr. Presidente
Aquele pasto, sequíssimo, além do mau cartão de visita que representa para todo o visitante, é um perigoso rastilho incendiário de qualidade superior, que convêm neutralizar, limpando o espaço. Duas ou três ovelhinhas churras não se governariam por alí, a pastar, fazendo um bom trabalho?
Continuamos para a época, segundo os dados do instituto de meteorologia, ainda com registos de valores de: Temperatura muito elevada e humidade muito baixa.
Sr. Presidente
Relembro-lhe aqui outro rastilho, com um potencial energético contido, ainda mais assustador:
As montanhas de pneus lá para os lados das curvas da Cardosa. Mais, paredes-meias com a porta de entrada no Museu, os caixotes papeleiras do lixo, estão simplesmente a abarrotar pela boca. Convinha vazá-los. Sr. Presidente
Termino deixando-lhe aqui uma sugestão para embelezar a encosta barrocal:
Abunda pelo concelho um elemento geológico, matéria-prima de qualidade: O granito, e em várias tonalidades.
Que tal a ocupação do espaço, depois de devidamente limpo, com umas generosas letras em pedra de granito, visíveis lá dos lados da via, a que pomposamente chamaram de estruturante sul, e de outros locais, dizendo: “Museu De Penamacor”.
Sempre ao Dispor de Vª. Exª.
Zé Morgas

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Estudo de Biólogo

As esposas volúveis e as mulheres que mantêm simultaneamente várias relações têm mais possibilidades do que as monogâmicas de gerar crianças bem adaptadas e habilitadas a triunfar na vida, afirma o biólogo Robin Baker.
No seu livro “As Guerras do Esperma, Infidelidade, Conflitos Sexuais e outras Batalhas de Cama”, Baker, professor de Zoologia na Universidade de Manchester, baseia o estudo numa sondagem efectuada junto de aproximadamente quatro mil mulheres e na análise de onze casais durante vários anos.
A primeira verificação do cientista é a de que a mulher, geralmente, atinge o orgasmo antes do seu companheiro regular, ao passo que, com um amante ou numa relação casual, o atinge ao mesmo tempo ou logo após o parceiro.
Argumenta Robin Baker que, no momento do orgasmo, o colo do útero se inclina para o receptáculo seminal, tornando a mulher mais fértil, e que o orgasmo simultâneo, ou imediatamente após o do homem, aumenta as hipóteses de fecundação.
Além disso, acrescenta Baker, se uma mulher mantiver relações sexuais com dois homens na mesma semana, os espermas destes têm fortes possibilidades de “coabitar” durante algum tempo, lançando-se então numa verdadeira guerra para a fertilizar e eliminar os espermatozóides concorrentes.
Deste modo, a mulher é fertilizada pelo esperma do homem cujos genes estejam mais bem preparados para sobreviver, um legado genético que será transmitido à criança, conclui Baker, que pouca atenção dá, no seu estudo, aos métodos de protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis.
(Ferranho adepto do…marcha tudo a pau limpo).
Defendendo pretender com o seu estudo aperfeiçoar os métodos de fertilização, Robin Baker repudia a insinuação de que
tentou dar uma desculpa biológica aos que têm… aventuras”.
Em suma, Mulher infiel gera filhos Vencedores.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pirinéus 2010 - 3

Quinta-feira, 24-06-2010
Bilbao-Barcelo Hotel Nervion.
Mais uma vez a rotina do costume, check-in, parqueamento das motas na garagem do hotel, banhinho, etc, e à que partir à redescoberta de Bilbao.
Alguns de nós, já lá tínhamos estado, em 2004, no regresso do passeio que fizemos aos Picos da Europa. Que bonito passeio.
Como quase sempre, o grupo dividiu-se. Amigo não empata amigo, os gostos não têm de ser necessariamente iguais. Além de uma grande amizade, une-nos acima de tudo a Paixão pelas Motas. Desde 1996 que este núcleo duro do Grupo Mototurismo Litoral Alentejano, está junto na realização de memoráveis passeios.
Bilbao é a capital da província de Vizcaya, nas margens do rio Nervión, que se comunica com o mar Cantábrico, situado a cerca de 11 km.
É a principal cidade de Euskadi e seu motor económico.
Em Bilbao concentra-se aproximadamente metade da população total do País Vasco e possui o maior porto comercial da Espanha. A cidade foi fundada na Idade Média mas o seu florescimento industrial data de meados do século XIX, quando se começou a extrair ferro das minas próximas. O crescimento de Bilbao ao longo do século XX esteve sempre ligado ao desenvolvimento industrial na margem esquerda do rio, bem visível no passeio de barco que o grupo fez, na qual se estabeleceram importantes empresas, hoje quase todas ao abandono.
Bilbao, tornou-se internacionalmente conhecida ao abrigar a sede europeia do Museu Guggenheim, em 1997.
O Museu Guggenheim de Bilbao nasceu no dia 18 de Outubro de 1997 como uma iniciativa da fundação norte-americana Guggenheim para acolher, na Europa, uma parte de sua vasta colecção de arte contemporânea. O museu foi desenhado pelo arquitecto canadense, residente em Los Angeles, Frank O Ghery.
Passear à beira rio, foi a opção de um grupo.
O meu grupo optou por partir à procura de um bar para “enxugar umas cañas” e comer umas tapas de Pata Negra.
Não foi difícil, lembrava-me perfeitamente da zona onde se situam os melhores bares, e sempre bem frequentados.
A diferença notada para as pacatas noites passadas em Luz- St-Sauveur.
Foi uma noite divertida.
Sexta-feira, 25-06-2010
Dia livre…
Sem nada combinado de véspera, todos se levantaram cedo. Juntos a tomar o pequeno-almoço, resolvemos fazer uma visita ao museu Guggenheim.
Proliferava pela cidade o chamariz à visita das obras expostas.
Treze Euros, foi o valor do bilhete de ingresso.
Há quem chame arte a tudo. Nunca vi uma exposição com tanto lixo, tanto ferro velho, e, pasme-se, tanto cagalhão, (feitos com uma qualidade de cimento desenvolvido para o efeito).
Assim mesmo, com toda a verdade.
Foi geral o desalento. Só me lembrava a história do rei que ia nu.
Meu rico dinheirinho, esbanjado sem proveito.
Chega a hora do almoço. Se há quem goste de umas comidinhas leves, tipo plástico, eu adoro material mais consubstanciado. Cada grupo foi à procura do que mais lhe agradou, com encontro marcado no bar da recepção do hotel, para a hora do jogo Portugal – Brasil, que se disputava a meio da tarde.
Sentada num banco ao balcão do bar, uma escultural portuguesa que assistia ao jogo, não me deixou ver o jogo “comédado”.
Mas pouco me importou, no íntimo até agradeci.
Terminado o jogo, com um empate a zero bolas, fizemos um passeio de barco pelo rio, é simplesmente espectacular observar a arquitectura do museu a partir do rio.
Contudo, também e triste ver a degradação da zona industrial, anda por ali muita ferrugem, deixada por aquelas unidades metalurgicas, outrora prósperas, agora ao abandono.
Findo o passeio de barco, tempo ainda para outro passeio, de metro de superfície, pela cidade. Vale a pena também.
Arredados destes passeios estiveram dois elementos do grupo. Passaram a tarde a “ferrar” as suas motas.
Chegou a hora de jantar.
Fomos todos comer ao restaurante onde o meu grupo tinha jantado na noite anterior. Chegamos em boa hora, a clientela aparecia sem parar. Comemos e bebemos muito bem, todos gostaram.
É bonito ver um grupo satisfeito.
Relembrada a hora de partida para o dia seguinte, recolheram os habituais amantes do "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer", aos seus aposentos.
Aqueles, para quem a noite é um encanto, de chamarizes irresistíveis, optámos por visitar mais umas capelinhas, tão abundantes por aquelas ruas, ainda mais apinhadas de gente, que na noite anterior.
Sábado, 26-06-2010
Bilbao – Ávila, Hotel Reina Isabel.
AP 68 - AP 1 (Burgos) - A 1 ( Saída 99) - N110 (Segóvia) – Ávila.
Quase todos chegaram à mesma hora para tomar o pequeno-almoço, a oferta farta e variada. Cada um atestou os taipais como quis e pode, houve mesmo quem se aviasse com umas valentes “sandochas” para comer na viagem.
À espera do atrasado do costume, o Q.F., para seguir viagem, resolve S. Pedro brindar-nos com uma chuvinha, tipo molha tolinhos.
Indecisos entre vestir ou não vestir o fato de água, sempre houve quem o fizesse.
O Nosso Grande Comandante lá augurou:
- Isto é passageiro.
- Espero que tenhas razão, disse-lhe
Só três ou quatro elementos se equiparam.
Foi com um vaticínio assim, que no regresso de um passeio a Granada, em Ronda, nos disse:
-Consultei o tempo na net, vai chover em Sevilha, o melhor é vestir os fatos de água.
Equipados a rigor atravessámos Sevilha debaixo de forte calor, acima dos 40 graus centígrados. Chuva nem vê-la. Foi sofrer a derreter.
Felizmente que desta vez acertou.
Decorreu a viagem sem incidente, com apenas uma paragem para atestar as motas e ludibriar o apetite.
Chegados ao hotel, o habitual ritual das chegadas.
Com a fome a apertar, entrámos num bar de tapas, pertinho do hotel.
Faltava o Nosso Grande Comandante.
A ideia era enganar o estômago, até à hora de jantar. Queríamos jantar num qualquer restaurante típico dentro das muralhas.
Mais uma vez a sorte nos acompanhou, fomos bem servidos com uma boa variedade de petisquinhos.
Satisfeitos, e prontos para o passeio pedonal, surge o Nosso Comandante.
Alguém pergunta por onde tinha andado.
- Estive a comer no hotel.
- No hotel?
Na altura do check-in, todos ficamos com a sensação que estava a ser servido um banquete, num casamento que se realizava no salão do hotel.
- Sim, diz o Nosso Comandante, entrei no salão, dirigi-me ao balcão, pedi uma cerveja e um pouco de comida da que estava exposta.
Quando pedi a conta é que me disseram que era só para os convidados.
Paguei só a cerveja, a comida foi oferta.
Ah Grande Comandante.
Logo ali, por um elemento mais atrevido do nosso grupo ( o tal que a pianista Sonsoles pôs em sentido) foi alcunhado de:
“Capitão Penetra”.
Quando a fome o aperta, é abismal o à vontade com que penetra em qualquer lugar.
Fica o registo.
Caminhando, chegámos à zona medieval.
Ávila é uma Cidade Património Mundial.
Rodeada de muralhas medievais ainda intactas, Ávila é a capital de província mais alta de Espanha e também a que sofre um Inverno mais cruel.
As muralhas do século XI têm mais de 2000 metros de extensão e são pontuadas por 88 torres cilíndricas; a secção do lado leste forma a abside da Catedral, com um exterior invulgar de fortaleza e o interior a exibir uma mistura dos estilos românico e gótico.
Dentro das muralhas, por todo o lado se lia:
- Ávila em Tapas - .
Decorria um concurso gastronómico para eleger a "Tapa" rainha.
Adquiridos os habituais "recuerdos", havia que procurar o conforto de uma cadeira numa esplanada de bar.
Sorte a nossa, por cada três cervejas servidas, oferta de um pires de tapas à nossa escolha.
Cumprimos a nossa tarefa degustando o maior número possível de variedades.
Como estavam deliciosas. Todos trabalhavam para ganhar o primeiro lugar.
Para facilitar a digestão, e ajudar a abrir o apetite para o jantar, um passeio de trem, com a duração de quase uma hora e quatro euros de custo, por toda a zona histórica, e parte exterior da muralha. Recomenda-se.
Foi-se a vontade de jantar para alguns. O meu grupo, sempre disposto a mais um aconchego, terminou a noite numa agradável esplanada, de volta de mais umas tapas, acompanhadas por mais umas cañas. Nunca vi um empregado trabalhar com a eficiência e rapidez como aquele que nos atendeu.
Sozinho, despachava toda a esplanada, que era grande e estava repleta de clientes.
O sono chegou.
Domingo, 27-06-2010
Ávila – Vila Nova de Santo André
N110 – Plasencia – A 66- Cáceres – EX 100 – Badajoz – Montemor – Santo André
De todos os hotéis onde pernoitamos, o Hotel Reina Isabel era o classificado com mais estrelas: quatro.
Tendo bastante qualidade, contudo não foi onde nos serviram o melhor pequeno-almoço, o que não invalidou que fizesse como a maioria dos meus companheiros, além de comer o que quis, ainda fiz uma “sandocha bem atulhada de conduto” para a viagem.
Mas uma surpresa estava para acontecer.
Como o povo têm sempre razão:
Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”.
Tantas foram as vezes que martelámos o Q.F. pelos constantes atrasos nas partidas, sacrificando toda a gente à sua espera, que pela primeira vez, estava no grupo dos primeiros despachados, prontinho para a partida.
Sem se fazer sentir o frio, a manhã estava fresca. Iniciamos a viagem, a estrada era de bom piso.
Primeira paragem num povoado de nome Tornavacas.
O Capitão Penetra e a Lálá não resistem ás cerejas. A qualidade do artigo era excelente.
Uns compraram para levar, outros para comer logo ali no local.
Também comi algumas, não tinha espaço na mota para transportar mais nada.
Retomada a viagem, nova paragem em Novaconcejo, para atestar as motas, e hidratar os corpos. Puxei da “sandocha” que trouxe do hotel. Como me soube bem, acompanhada com uma cerveja fresquinha. Creio que se vai tornar hábito.
Todos os meus companheiros das duas rodas sabiam que, chegados a Plasencia, eu tomava a direcção de Portugal, com destino a Penamacor. Desde a partida que já tinha decidido, no regresso, passar por Penamacor e ficar por lá três ou quatro dias.
Assim despedi-me de todos, parti na dianteira do grupo e “reboquei-os” até à saída de Plasencia. A todos mandei seguir com um aceno de boa viagem.
Continuei sozinho, por uma estrada que tão bem conheço, por onde já circulei vezes incontáveis, de noite e de dia.
O calor começou a apertar.
No meu pensamento desfilava uma série de factos e elementos, de um colorido lindo, que me conduziam a outros estados da alma.
Cheguei a Penamacor, enviei uma sms ao P.C.
Algum tempo volvido recebo um telefonema do P.C.,
- Estamos já em Elvas, vamos almoçar.
Pedi-lhe para desejar Bom Apetite ao grupo, e, alguém enviar sms quando chegassem a Santo André.
Correu tudo lindamente.
A todas e todos, companheiras e companheiros da viagem
Até um novo passeio
Votos de Boas Curvas
Zé Morgas

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pirinéus 2010 - 2

Terça-feira, 22-06-2010
Chegámos a Luz Saint Sauveur já ao final da tarde, início da noite.
Enquanto o H.M. e P.C. apresentavam o voucheur, para se fazer o check-in de entrada, junto com o J.R. e A.G. decidimos matar a sede e beber uma cerveja francesa, no bar, mesmo junto à recepção.
Chaves dos quartos distribuídas, tratou o pessoal de se acomodar.
Como queria fazer a barba e tomar um retemperador banho, bebi a minha cerveja rapidamente. Dirigi-me ao elevador e a primeira surpresa, nunca tinha visto um elevador tão pequeno: duas pessoas do meu tamanho cabiam a custo, só literalmente “ensanduichados”.
Saí no segundo andar e começo a ouvir o A.B., talvez o elemento mais calmo do grupo, mesmo mais que o Q.F.
- Não pode ser, foi feita uma reserva de um quarto triplo, o quarto distribuído têm uma cama de casal, e mais uma minúscula cama de apoio. Somos três para partilhar o quarto.
- Calma, pode ter havido engano, foi o que lhe disse; fui abrindo a porta do meu quarto, e para espanto meu, só tinha uma cama de casal, (de matrimónio, como dizem os vizinhos Espanhóis).
Tinha sido feita uma reserva de um quarto duplo, com duas camas, para duas pessoas.
- É uma cama igual há que está no meu quarto, disse o A.B.
Chega entretanto o segundo utente do meu quarto, o J.R., e constata a situação.
Como é dos elementos do grupo que mais fluentemente fala francês, junto com o A.B. e Q.F., dirigiram-se à recepção afim de solucionar o problema.
Com a barba já feita, estava a passar em abundância uma águinha pelo lombo, quando ouço o J.R. dizer:
-Eu e o Q.F. vamos dormir num hotel aqui próximo.
Foi-lhes dito, pelo recepcionista, por sinal dono do hotel, Hotel London, que, os quartos estavam todos ocupados, outras camas não tinham, a solução passava por disponibilizar um quarto com duas camas, ou dois quartos, noutro hotel, a uns duzentos metros de distância.
Sem outra hipótese, só lhes restou aceitar aquela solução proposta.
Combinámos como ponto de encontro, o bar na recepção do nosso hotel, para dali partir o grupo à procura de um lugar para jantar.
O pessoal foi descendo e comentava-se o sucedido.
- Pedimos informações a quatro hotéis e só este respondeu, disse o P.C.
Chega o J.R. e o Q.F.
Nos rostos de ambos, estampado o desânimo.
- É uma vergonha, o espaço está em obras, há entulho por todo o lado, as camas não estão feitas, é um cenário desolador, disse o J.R.
Soubemos entretanto que a oferta para jantar, aquela hora e naquele povoado, era limitada. Além do restaurante do próprio hotel, cheio com os hóspedes, quase todos praticantes de ciclismo, aberto, só uma pizzaria, na praça central.
Para lá nos dirigimos.
Um espaço pequeno, acolhedor, os donos de uma simpatia contagiante.
Tudo fizeram para nos servir da melhor forma que puderam com o que tinham à disposição.
Regressados ao hotel, sentados na esplanada, já ”munidos” de um mapa de pormenor da zona, alinhavamos o passeio para o dia seguinte. Havia algumas, pequenas divergências, sobretudo quanto à hora de chegada ao hotel.
Ai aqueles pensamentos nos “banhos de vapor”. Houve informação que os havia por ali perto.
Hora da deita.
O espectáculo que foi ver, partir, sei que me perdoarão, o J.R. e o Q.F., a caminho do outro hotel, de lençóis debaixo do braço, para ainda irem fazer, eles mesmos, aquela hora, as suas camas de lavado.
Aquele inesquecível almoço, as subidas ao Col d’Aspin e Col Du Tourmalet, no coração dos "Hautes Pyrénees", fatigados com estavamos, creio que qualquer espaço, era bom para dormir.
Quarta-feira, 23-06-2010
Passeio pelos Pirinéus.
Acordei cedo e bem disposto.
A manhã estava bonita e já se fazia sentir o calor.
Começou o grupo a juntar-se em volta das mesas, para tomar o pequeno-almoço. O mais pobre pequeno-almoço servido durante toda a viagem.
Chega o J.R e Q.F.
Confirmei o que pensei na noite anterior:
Quando o cansaço aperta, qualquer lugar é bom para dormir.
Vinham com um aspecto fresquinho, só que…
- Porra!!! nem quero acreditar, que tomei banho de água fria, água quente nem vê-la, dizia o J.R.
- Aconteceu-me o mesmo, estava gélida, dizia o Q.F.
Ouvindo, partilha-mos os seus lamentos e sofrimentos.
Água fria logo pela manhã…
Para compor o hall de entrada do hotel, e não ser presenteado com um tão degradante cenário, composto de entulho das obras, fez o Q.F., um biombo com colchões, dispostos na vertical. Sempre escondia qualquer coisinha.
O Q.F., “virou” decorador.
Motores das máquinas em movimento e partimos rumo a Lourdes, ao Santuário de Lourdes.
Lourdes é uma pequena cidade francesa, localizada aos pés dos Pirinéus, a 420 metros de altitude. Situa-se entre a planície e a montanha.
Lourdes é um centro de peregrinação mundial.
Recebe todos os anos mais de 1 milhão de peregrinos cristãos vindos de mais de 150 países, que permanecem na cidade por alguns dias.
Tudo começou em 1858, entre os meses de Fevereiro a Junho.
Nesse período Nossa Senhora, Mãe de Jesus, manifestou-se por 18 vezes a Bernardet Soubirous na Gruta de Massabielle, nos arredores de Lourdes, declarando-se ser a Imaculada Conceição, aquela que vem socorrer todos os que se encontram com o coração atribulado por sofrimentos físicos e morais. Em todas as aparições, trouxe ao mundo um apelo de conversão mediante a oração e a penitência. Foi a partir das aparições que as peregrinações começaram, e continuam até hoje, cada vez mais intensas, em busca de ajuda e de renovação interior, pelos peregrinos cristãos.
Depois de ter cumprido tudo o que a minha consciência me ordenou, resolvi, junto com alguns elementos do grupo tirar uma foto.
Pelo visto, dezenas serão os grupos que escolhem aquele local para a foto. Estava naquele local um grupo a “bater umas chapas”, quando uma senhora nos diz:
- Desculpem lá, mas deixem-me tirar uma foto com o meu marido.
- É portuguesa, dissemos quase em uníssono.
Não resisti mesmo a fazer um comentário, sobre a forma como se posicionaram para tirar a dita foto.
Quem são, donde vêm, para onde vão, isso nos perguntou a senhora.
Alguém dos nossos respondeu em nome de todos.
Tirou a foto, tirámos as nossas de seguida..
Naquele Lugar Sagrado, magnífico, aproveitei para escrever e enviar algumas mensagens, uma forma de partilhar a felicidade daquele momento, indiscutivelmente mágico.
Estava na altura de comprar os “souvenirs”, os “cadeau”, alguns já prometidos antes da partida.
Junto com o P.C. e a Lálá, entrámos primeiramente num café para beber uma água, antes de nos perdermos naqueles infindáveis espaços comerciais.
Já com as compras feitas, eis que cruzamos novamente com o casal visto no lugar onde tiramos as fotos de grupo.
Em tom de brincadeira lá lhe fiz um novo comentário sobre a dita pose para a foto tirada.
Perguntou-me a senhora de onde eu era, respondi com seriedade.
- Vivo no litoral Alentejano, mas sou Beirão, natural do distrito de Castelo Branco, disse-lhe.
- Também eu sou da Beira Baixa, respondeu-me.
- Pois fique sabendo que nasci numa das mais bonitas vilas da Beira Baixa, Penamacor.
- Também eu nasci em Penamacor.
Fiquei admirado, fiz um breve exercício de memória, mas honestamente, não consegui relacioná-la com alguma família minha conhecida, da minha terra natal.
- Sou irmã do falecido Domingos Fruta.
Senti um embargo na voz, falei-lhe da amizade que nos uniu, das intensas e loucas noites, "de ambiente baco-gastro-tertuliano” vividas no Café Central, restaurante snack bar "O Poço".
…Ai se aquele balcão na cave em forma de ferradura falasse!!!...
(o ex-libris daquele saudoso mítico espaço).
Os copos que bebi, os petiscos que comi, nos meus tempo de estudante, com o pai de ambos, O Ti Júlio Fruta, a altas horas da madrugada, ouvindo histórias da vida, uma vida árdua de labuta, na sua humilde casinha, de porta sempre escancarada de par em par, para os amigos e conhecidos.
Abraçou-me, a custo contive as lágrimas que se quiseram ainda escapar, só depois de "Fiquem bem, Até um dia", reparei que nem o nome lhe perguntei.
Já mo disse uma sobrinha, filha do Domingos Fruta, a Anabela, RibeiradaBazágueda Penamacor, Portugal, 40º9'23.40''N ; 7º4'57.40''W, o seu nome é Bárbara.
Ti Júlio Fruta, Domingos Fruta, onde quer que estejais, um dia far-vos-ei companhia.
Como este Mundo é tão pequenino.
Chega a hora de almoço, partimos à procura de um poiso para comer.
Com uma primeira paragem num restaurante á beira rio, no dia apenas tinha serviço de refeições para os funcionários, acabamos por
assentar arraiais em Bétharram, num restaurante com uma esplanada no quintal, quase lotada.
Muitas árvores, muita sombra, um local agradavelmente fresco.
Uma bonita e simpática funcionária juntou as mesas necessárias ao número de elementos do grupo.
Comemos e bebemos bem, barato, coisa nem sempre fácil por aquelas bandas francesas.
Exigia-se comer bem, porque tínhamos pela frente longa e penosa tirada, por caminhos agrícolas, demasiadamente estreitos, cruzámos com dezenas de ciclistas a pedalar nas suas bicicletas, e a duríssima subida ao Col du Soulor.
As equipas oficiais que vimos a treinar à séria esta subida, para a volta a França que começava daí a dias. Dureza pura.
Doía só de olhar aqueles rostos com as marcas no limite do esforço.
Lá bem no alto, mais uma foto numa paisagem fenomenal, daquelas tais que ficam na memória para todo o sempre.
Não sei se por inspiração divina, ou algum aperto estomacal, resolveu a Lálá comprar um valente naco de queijo, de superior qualidade, uma teca de bejecas, e partimos rumo ao lago de Estaing para fazer um pic-nic.
Como não há bela sem senão, os seis, sete últimos quilómetros antes de chegar ao lago foram de exigente condução. O caminho tinha sido asfaltado havia pouco tempo, e "polvilhado" com gravilha grossa, solta e perigosamente pontiaguda.
Gravilha que originou um furo no pneu traseiro da mota de um companheiro.
A mota do meticuloso Q.F.
Rodou algum tempo sem se aperceber do furo, foi o companheiro que circulava na sua roda que o avisou.
Sem entrar em grandes pormenores, se tivéssemos de cumprir com toda a metodologia Q.F. ainda agora lá estaríamos para remendar o pneu. A mota não ficou junto ao lago, nem… as cervejas nem o queijo. E, não foi preciso a ajuda de todos, o Homem do Caminhão-Tir junto com o Nosso Grande Comandante, partiram mais cedo ao encontro dos desejados banhos de vapor.
Afinal, uma bejeca sempre se bebe em qualquer lugar...
Chegados ao parque do hotel, um enorme quintal, onde andavam à solta uns galináceos, que deliciosa cabidela teriam proporcionado, na sua habitual inspecção rotineira de fim de viagem, repara o A.B. que o mínimo traseiro estava fundido. Coisa simples, disse-lhe: uma chave Philips, vidro fora, lâmpada substituída, vidro no sítio, problema resolvido.
Mas então, por vezes até penso, que alguns companheiros das duas rodas preferem um braço partido a uma esfoladela na mota, tais são as advertências que fazem antes de qualquer simples intervenção.
Poupam-nas e estimam-nas tanto, que lhes agudizam a vontade de se atirarem ao tapete.
Dividido o grupo quanto ao local para jantar, uns optaram pelo restaurante do hotel, outros repetimos o local do dia anterior, o bom trato e a simpatia dos donos mereceu a segunda visita.
Antes de recolher ao quarto, tempo ainda para beber a tal "da sossega" a ouvir a água correr por aquele rio abaixo.
Que melodia tão encantadora e tão relaxante.
Quando me fui deitar, reparei que o quarto não tinha sido limpo, apenas puxaram as orelhas aos lençóis… ah franceses de uma figa.
Quinta-feira, 24-06-2010
Luz Saint Sauveur – Bilbao
Tal como no dia anterior, o pequeno-almoço estava pobre.
Dois companheiros revelam estar cansados. O vapor nem sempre relaxa, parece que também cansa. Altera-se o percurso, "fugimos" à estrada mais sinuosa, perdemos a paisagem mais bonita, dos "Pyrénées Atlantiques".
Decide-se seguir por estrada nacional até Pau, e daí até Biarritz, por auto-estrada.
De pouco valeu combinar a velocidade cruzeiro.
Com o P.C. na cabeça do grupo, rolámos a mais de 30 quilómetros acima do legalmente permitido. Só quando paramos para atestar as motas numa estação de serviço, um camionista português, nos informou dos limites de velocidade, 130 Km/h e do rigor usado pela polícia: tolerância zero.
A sorte acompanhou-nos, sem multas, mas, seguimos viagem a respeitar os limites impostos.
Os sinais alertam-nos para o final de auto-estrada próximo e o pagamento de portagens.
Foi uma confusão o pagamento das portagens.
Não se vê um “portageiro”. As máquinas avisam:
- Introduza cartão ou dinheiro.
Baralham-se com uma facilidade tremenda!!!.
As filas para pagamento eram intermináveis e ruidosas, as buzinas faziam-se ouvir.
As vezes que me lembrei da minha prática e funcional via verde.
Chegada a Biarritz, paragem na praia Grande.
Dá o J.R. dois passos e acha uma carteira. Ficou aflito, apenas queria saber onde era a esquadra mais próxima para fazer a entrega. Nem se atreveu a abri-la. Mas há quem seja assim.
De repente, aparece sem saber de onde, alguém aflito, dizendo ter perdido uma carteira. Confirmados os dados e a identidade do sujeito, lá ficou o J.R. mais aliviado e contente pela boa acção tida.
Partiu o felizardo, sem proferir um Obrigado. Cabrão.
Veio-me à memória, um “alívio carteiral” de que fui vítima em Madrid. Comigo a "sorte" do felizardo poderia ter sido outra.
Retomada a viagem, agora pelo percurso previamente definido e quase sempre junto à costa, com o mar à vista. Um percurso lindo.
D932 – S. Jean de Luz – D 912 – N1 San Sebastian – A 8 – N 634 – Zarautz – N 634 Deba – G 1638 – Bi 3438 – Lekeitio – Bi 2235 – Gernika – Bi 635 – Bermeo – Bi 631 – Bilbao-
Contudo novo azar estava para acontecer.
Decidimos atravessar San Sebastian por dentro. Todos no grupo sabem as regras, e como se deve andar dentro das cidades.
Ao pararmos numa estação de serviço, à saída de San Sebastian demos por falta do Q.F.
Têm por hábito fazer os “seus” percursos. Já ninguém estranha a sua ausência. Porém, repara o P.C. que tinha uma chamada no telemóvel não atendida. Era do Q.F.
Liga o P.C., o Q. F. já não atendeu. Está em movimento, concluímos. No entanto deixou mensagem no voice-mail a dizer a localização da estação de serviço onde estávamos parados, à espera dele. Havia que aproveitar o tempo para comer e beber qualquer coisita fresca.
Lá apareceu o Q.F.
Soubemos então que tinha caído, jogou-se à traseira de um carro, um carro conduzido por uma elegante senhora, que arrancou e parou.
Há distracções que não são permitidas, muito menos em duas rodas.
Felizmente que os danos não foram além de umas desconfortáveis dores de momento, e as indesejáveis marcas do asfalto nos plásticos da mota, sempre dispendiosas.
Com o Homem do Caminhão-Tir a barafustar pelo excessivo tempo de paragem, mais uma vez com o pensamento nos ainda longe adorados banhos de vapor, aqui talvez com alguma legitimidade, transpirou com’o caraças numa rotunda, onde andou aos papéis com uma derrapagem de rota traseira não prevista, seguiu o grupo, já completo, viagem.
São e salvos chegámos todos a Bilbao ao Barcelo Hotel Nervion.
Saudações Motards
Zé Morgas
(continua...)