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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Carta Aberta XV - Sr. Presidente C.M.Penamacor

Sr. Presidente
Como diz o Povo na sua sábia sabedoria: “Parar é Morrer”.
Para não deixar morrer os meus passeios moto turísticos, tenho já agendado para os dias 3 a 5 de Setembro novo passeio a um paradisíaco lugar, sito no Douro Vinhateiro, Aldeia de São Xisto.
Ao elaborar o trajecto de regresso, decidi que obrigatoriamente teria de passar por Penamacor, e aí almoçar com os meus companheiros das duas rodas. Assim, no fim-de-semana passado, e no gozo de mais uma curta, mas sempre merecidíssima folga, desloquei-me até Penamacor para tratar da “Logística do Farnel”, e escolher dois ou três locais interessantes para uma breve visita. Um dos locais que elegi para visitar, dar a conhecer ao meu grupo, foi o Museu. Fiquei agradavelmente surpreendido com o novo espaço dedicado à exposição da fauna do concelho.
Os meus parabéns a todos os intervenientes na concretização daquele espaço.
Sr. Presidente
Têm por hábito os elementos do meu grupo, fazer exaustivos registos fotográficos dos maravilhosos, panorâmicos, inesquecíveis locais por onde passam. Afirmo com convicção plena entre os meus pares motards, que é privilegiada a paisagem observada do espaço circundante ao Museu. É perder a vista com um olhar panorâmico, desde a Vila, passando por Monsanto, até Espanha, lá longe, já na penumbra da linha do horizonte. Encostado ás grandes, entretanto soldadas, mas a necessitar de alguma tinta, (existem no mercado tintas de excelente qualidade, à base de resinas gliceroftálicas, para aplicação sobre suportes oxidados, basta eliminar a ferrugem com uma escova metálica, lixar levemente e retirar o pó), deparo aos olhos com um lastimável quadro:
O pasto que abunda naquela encosta barrocal que dá para o lado do Centro de Saúde e do Palácio da Couve.
Sr. Presidente
Aquele pasto, sequíssimo, além do mau cartão de visita que representa para todo o visitante, é um perigoso rastilho incendiário de qualidade superior, que convêm neutralizar, limpando o espaço. Duas ou três ovelhinhas churras não se governariam por alí, a pastar, fazendo um bom trabalho?
Continuamos para a época, segundo os dados do instituto de meteorologia, ainda com registos de valores de: Temperatura muito elevada e humidade muito baixa.
Sr. Presidente
Relembro-lhe aqui outro rastilho, com um potencial energético contido, ainda mais assustador:
As montanhas de pneus lá para os lados das curvas da Cardosa. Mais, paredes-meias com a porta de entrada no Museu, os caixotes papeleiras do lixo, estão simplesmente a abarrotar pela boca. Convinha vazá-los. Sr. Presidente
Termino deixando-lhe aqui uma sugestão para embelezar a encosta barrocal:
Abunda pelo concelho um elemento geológico, matéria-prima de qualidade: O granito, e em várias tonalidades.
Que tal a ocupação do espaço, depois de devidamente limpo, com umas generosas letras em pedra de granito, visíveis lá dos lados da via, a que pomposamente chamaram de estruturante sul, e de outros locais, dizendo: “Museu De Penamacor”.
Sempre ao Dispor de Vª. Exª.
Zé Morgas

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Estudo de Biólogo

As esposas volúveis e as mulheres que mantêm simultaneamente várias relações têm mais possibilidades do que as monogâmicas de gerar crianças bem adaptadas e habilitadas a triunfar na vida, afirma o biólogo Robin Baker.
No seu livro “As Guerras do Esperma, Infidelidade, Conflitos Sexuais e outras Batalhas de Cama”, Baker, professor de Zoologia na Universidade de Manchester, baseia o estudo numa sondagem efectuada junto de aproximadamente quatro mil mulheres e na análise de onze casais durante vários anos.
A primeira verificação do cientista é a de que a mulher, geralmente, atinge o orgasmo antes do seu companheiro regular, ao passo que, com um amante ou numa relação casual, o atinge ao mesmo tempo ou logo após o parceiro.
Argumenta Robin Baker que, no momento do orgasmo, o colo do útero se inclina para o receptáculo seminal, tornando a mulher mais fértil, e que o orgasmo simultâneo, ou imediatamente após o do homem, aumenta as hipóteses de fecundação.
Além disso, acrescenta Baker, se uma mulher mantiver relações sexuais com dois homens na mesma semana, os espermas destes têm fortes possibilidades de “coabitar” durante algum tempo, lançando-se então numa verdadeira guerra para a fertilizar e eliminar os espermatozóides concorrentes.
Deste modo, a mulher é fertilizada pelo esperma do homem cujos genes estejam mais bem preparados para sobreviver, um legado genético que será transmitido à criança, conclui Baker, que pouca atenção dá, no seu estudo, aos métodos de protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis.
(Ferranho adepto do…marcha tudo a pau limpo).
Defendendo pretender com o seu estudo aperfeiçoar os métodos de fertilização, Robin Baker repudia a insinuação de que
tentou dar uma desculpa biológica aos que têm… aventuras”.
Em suma, Mulher infiel gera filhos Vencedores.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pirinéus 2010 - 3

Quinta-feira, 24-06-2010
Bilbao-Barcelo Hotel Nervion.
Mais uma vez a rotina do costume, check-in, parqueamento das motas na garagem do hotel, banhinho, etc, e à que partir à redescoberta de Bilbao.
Alguns de nós, já lá tínhamos estado, em 2004, no regresso do passeio que fizemos aos Picos da Europa. Que bonito passeio.
Como quase sempre, o grupo dividiu-se. Amigo não empata amigo, os gostos não têm de ser necessariamente iguais. Além de uma grande amizade, une-nos acima de tudo a Paixão pelas Motas. Desde 1996 que este núcleo duro do Grupo Mototurismo Litoral Alentejano, está junto na realização de memoráveis passeios.
Bilbao é a capital da província de Vizcaya, nas margens do rio Nervión, que se comunica com o mar Cantábrico, situado a cerca de 11 km.
É a principal cidade de Euskadi e seu motor económico.
Em Bilbao concentra-se aproximadamente metade da população total do País Vasco e possui o maior porto comercial da Espanha. A cidade foi fundada na Idade Média mas o seu florescimento industrial data de meados do século XIX, quando se começou a extrair ferro das minas próximas. O crescimento de Bilbao ao longo do século XX esteve sempre ligado ao desenvolvimento industrial na margem esquerda do rio, bem visível no passeio de barco que o grupo fez, na qual se estabeleceram importantes empresas, hoje quase todas ao abandono.
Bilbao, tornou-se internacionalmente conhecida ao abrigar a sede europeia do Museu Guggenheim, em 1997.
O Museu Guggenheim de Bilbao nasceu no dia 18 de Outubro de 1997 como uma iniciativa da fundação norte-americana Guggenheim para acolher, na Europa, uma parte de sua vasta colecção de arte contemporânea. O museu foi desenhado pelo arquitecto canadense, residente em Los Angeles, Frank O Ghery.
Passear à beira rio, foi a opção de um grupo.
O meu grupo optou por partir à procura de um bar para “enxugar umas cañas” e comer umas tapas de Pata Negra.
Não foi difícil, lembrava-me perfeitamente da zona onde se situam os melhores bares, e sempre bem frequentados.
A diferença notada para as pacatas noites passadas em Luz- St-Sauveur.
Foi uma noite divertida.
Sexta-feira, 25-06-2010
Dia livre…
Sem nada combinado de véspera, todos se levantaram cedo. Juntos a tomar o pequeno-almoço, resolvemos fazer uma visita ao museu Guggenheim.
Proliferava pela cidade o chamariz à visita das obras expostas.
Treze Euros, foi o valor do bilhete de ingresso.
Há quem chame arte a tudo. Nunca vi uma exposição com tanto lixo, tanto ferro velho, e, pasme-se, tanto cagalhão, (feitos com uma qualidade de cimento desenvolvido para o efeito).
Assim mesmo, com toda a verdade.
Foi geral o desalento. Só me lembrava a história do rei que ia nu.
Meu rico dinheirinho, esbanjado sem proveito.
Chega a hora do almoço. Se há quem goste de umas comidinhas leves, tipo plástico, eu adoro material mais consubstanciado. Cada grupo foi à procura do que mais lhe agradou, com encontro marcado no bar da recepção do hotel, para a hora do jogo Portugal – Brasil, que se disputava a meio da tarde.
Sentada num banco ao balcão do bar, uma escultural portuguesa que assistia ao jogo, não me deixou ver o jogo “comédado”.
Mas pouco me importou, no íntimo até agradeci.
Terminado o jogo, com um empate a zero bolas, fizemos um passeio de barco pelo rio, é simplesmente espectacular observar a arquitectura do museu a partir do rio.
Contudo, também e triste ver a degradação da zona industrial, anda por ali muita ferrugem, deixada por aquelas unidades metalurgicas, outrora prósperas, agora ao abandono.
Findo o passeio de barco, tempo ainda para outro passeio, de metro de superfície, pela cidade. Vale a pena também.
Arredados destes passeios estiveram dois elementos do grupo. Passaram a tarde a “ferrar” as suas motas.
Chegou a hora de jantar.
Fomos todos comer ao restaurante onde o meu grupo tinha jantado na noite anterior. Chegamos em boa hora, a clientela aparecia sem parar. Comemos e bebemos muito bem, todos gostaram.
É bonito ver um grupo satisfeito.
Relembrada a hora de partida para o dia seguinte, recolheram os habituais amantes do "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer", aos seus aposentos.
Aqueles, para quem a noite é um encanto, de chamarizes irresistíveis, optámos por visitar mais umas capelinhas, tão abundantes por aquelas ruas, ainda mais apinhadas de gente, que na noite anterior.
Sábado, 26-06-2010
Bilbao – Ávila, Hotel Reina Isabel.
AP 68 - AP 1 (Burgos) - A 1 ( Saída 99) - N110 (Segóvia) – Ávila.
Quase todos chegaram à mesma hora para tomar o pequeno-almoço, a oferta farta e variada. Cada um atestou os taipais como quis e pode, houve mesmo quem se aviasse com umas valentes “sandochas” para comer na viagem.
À espera do atrasado do costume, o Q.F., para seguir viagem, resolve S. Pedro brindar-nos com uma chuvinha, tipo molha tolinhos.
Indecisos entre vestir ou não vestir o fato de água, sempre houve quem o fizesse.
O Nosso Grande Comandante lá augurou:
- Isto é passageiro.
- Espero que tenhas razão, disse-lhe
Só três ou quatro elementos se equiparam.
Foi com um vaticínio assim, que no regresso de um passeio a Granada, em Ronda, nos disse:
-Consultei o tempo na net, vai chover em Sevilha, o melhor é vestir os fatos de água.
Equipados a rigor atravessámos Sevilha debaixo de forte calor, acima dos 40 graus centígrados. Chuva nem vê-la. Foi sofrer a derreter.
Felizmente que desta vez acertou.
Decorreu a viagem sem incidente, com apenas uma paragem para atestar as motas e ludibriar o apetite.
Chegados ao hotel, o habitual ritual das chegadas.
Com a fome a apertar, entrámos num bar de tapas, pertinho do hotel.
Faltava o Nosso Grande Comandante.
A ideia era enganar o estômago, até à hora de jantar. Queríamos jantar num qualquer restaurante típico dentro das muralhas.
Mais uma vez a sorte nos acompanhou, fomos bem servidos com uma boa variedade de petisquinhos.
Satisfeitos, e prontos para o passeio pedonal, surge o Nosso Comandante.
Alguém pergunta por onde tinha andado.
- Estive a comer no hotel.
- No hotel?
Na altura do check-in, todos ficamos com a sensação que estava a ser servido um banquete, num casamento que se realizava no salão do hotel.
- Sim, diz o Nosso Comandante, entrei no salão, dirigi-me ao balcão, pedi uma cerveja e um pouco de comida da que estava exposta.
Quando pedi a conta é que me disseram que era só para os convidados.
Paguei só a cerveja, a comida foi oferta.
Ah Grande Comandante.
Logo ali, por um elemento mais atrevido do nosso grupo ( o tal que a pianista Sonsoles pôs em sentido) foi alcunhado de:
“Capitão Penetra”.
Quando a fome o aperta, é abismal o à vontade com que penetra em qualquer lugar.
Fica o registo.
Caminhando, chegámos à zona medieval.
Ávila é uma Cidade Património Mundial.
Rodeada de muralhas medievais ainda intactas, Ávila é a capital de província mais alta de Espanha e também a que sofre um Inverno mais cruel.
As muralhas do século XI têm mais de 2000 metros de extensão e são pontuadas por 88 torres cilíndricas; a secção do lado leste forma a abside da Catedral, com um exterior invulgar de fortaleza e o interior a exibir uma mistura dos estilos românico e gótico.
Dentro das muralhas, por todo o lado se lia:
- Ávila em Tapas - .
Decorria um concurso gastronómico para eleger a "Tapa" rainha.
Adquiridos os habituais "recuerdos", havia que procurar o conforto de uma cadeira numa esplanada de bar.
Sorte a nossa, por cada três cervejas servidas, oferta de um pires de tapas à nossa escolha.
Cumprimos a nossa tarefa degustando o maior número possível de variedades.
Como estavam deliciosas. Todos trabalhavam para ganhar o primeiro lugar.
Para facilitar a digestão, e ajudar a abrir o apetite para o jantar, um passeio de trem, com a duração de quase uma hora e quatro euros de custo, por toda a zona histórica, e parte exterior da muralha. Recomenda-se.
Foi-se a vontade de jantar para alguns. O meu grupo, sempre disposto a mais um aconchego, terminou a noite numa agradável esplanada, de volta de mais umas tapas, acompanhadas por mais umas cañas. Nunca vi um empregado trabalhar com a eficiência e rapidez como aquele que nos atendeu.
Sozinho, despachava toda a esplanada, que era grande e estava repleta de clientes.
O sono chegou.
Domingo, 27-06-2010
Ávila – Vila Nova de Santo André
N110 – Plasencia – A 66- Cáceres – EX 100 – Badajoz – Montemor – Santo André
De todos os hotéis onde pernoitamos, o Hotel Reina Isabel era o classificado com mais estrelas: quatro.
Tendo bastante qualidade, contudo não foi onde nos serviram o melhor pequeno-almoço, o que não invalidou que fizesse como a maioria dos meus companheiros, além de comer o que quis, ainda fiz uma “sandocha bem atulhada de conduto” para a viagem.
Mas uma surpresa estava para acontecer.
Como o povo têm sempre razão:
Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”.
Tantas foram as vezes que martelámos o Q.F. pelos constantes atrasos nas partidas, sacrificando toda a gente à sua espera, que pela primeira vez, estava no grupo dos primeiros despachados, prontinho para a partida.
Sem se fazer sentir o frio, a manhã estava fresca. Iniciamos a viagem, a estrada era de bom piso.
Primeira paragem num povoado de nome Tornavacas.
O Capitão Penetra e a Lálá não resistem ás cerejas. A qualidade do artigo era excelente.
Uns compraram para levar, outros para comer logo ali no local.
Também comi algumas, não tinha espaço na mota para transportar mais nada.
Retomada a viagem, nova paragem em Novaconcejo, para atestar as motas, e hidratar os corpos. Puxei da “sandocha” que trouxe do hotel. Como me soube bem, acompanhada com uma cerveja fresquinha. Creio que se vai tornar hábito.
Todos os meus companheiros das duas rodas sabiam que, chegados a Plasencia, eu tomava a direcção de Portugal, com destino a Penamacor. Desde a partida que já tinha decidido, no regresso, passar por Penamacor e ficar por lá três ou quatro dias.
Assim despedi-me de todos, parti na dianteira do grupo e “reboquei-os” até à saída de Plasencia. A todos mandei seguir com um aceno de boa viagem.
Continuei sozinho, por uma estrada que tão bem conheço, por onde já circulei vezes incontáveis, de noite e de dia.
O calor começou a apertar.
No meu pensamento desfilava uma série de factos e elementos, de um colorido lindo, que me conduziam a outros estados da alma.
Cheguei a Penamacor, enviei uma sms ao P.C.
Algum tempo volvido recebo um telefonema do P.C.,
- Estamos já em Elvas, vamos almoçar.
Pedi-lhe para desejar Bom Apetite ao grupo, e, alguém enviar sms quando chegassem a Santo André.
Correu tudo lindamente.
A todas e todos, companheiras e companheiros da viagem
Até um novo passeio
Votos de Boas Curvas
Zé Morgas

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pirinéus 2010 - 2

Terça-feira, 22-06-2010
Chegámos a Luz Saint Sauveur já ao final da tarde, início da noite.
Enquanto o H.M. e P.C. apresentavam o voucheur, para se fazer o check-in de entrada, junto com o J.R. e A.G. decidimos matar a sede e beber uma cerveja francesa, no bar, mesmo junto à recepção.
Chaves dos quartos distribuídas, tratou o pessoal de se acomodar.
Como queria fazer a barba e tomar um retemperador banho, bebi a minha cerveja rapidamente. Dirigi-me ao elevador e a primeira surpresa, nunca tinha visto um elevador tão pequeno: duas pessoas do meu tamanho cabiam a custo, só literalmente “ensanduichados”.
Saí no segundo andar e começo a ouvir o A.B., talvez o elemento mais calmo do grupo, mesmo mais que o Q.F.
- Não pode ser, foi feita uma reserva de um quarto triplo, o quarto distribuído têm uma cama de casal, e mais uma minúscula cama de apoio. Somos três para partilhar o quarto.
- Calma, pode ter havido engano, foi o que lhe disse; fui abrindo a porta do meu quarto, e para espanto meu, só tinha uma cama de casal, (de matrimónio, como dizem os vizinhos Espanhóis).
Tinha sido feita uma reserva de um quarto duplo, com duas camas, para duas pessoas.
- É uma cama igual há que está no meu quarto, disse o A.B.
Chega entretanto o segundo utente do meu quarto, o J.R., e constata a situação.
Como é dos elementos do grupo que mais fluentemente fala francês, junto com o A.B. e Q.F., dirigiram-se à recepção afim de solucionar o problema.
Com a barba já feita, estava a passar em abundância uma águinha pelo lombo, quando ouço o J.R. dizer:
-Eu e o Q.F. vamos dormir num hotel aqui próximo.
Foi-lhes dito, pelo recepcionista, por sinal dono do hotel, Hotel London, que, os quartos estavam todos ocupados, outras camas não tinham, a solução passava por disponibilizar um quarto com duas camas, ou dois quartos, noutro hotel, a uns duzentos metros de distância.
Sem outra hipótese, só lhes restou aceitar aquela solução proposta.
Combinámos como ponto de encontro, o bar na recepção do nosso hotel, para dali partir o grupo à procura de um lugar para jantar.
O pessoal foi descendo e comentava-se o sucedido.
- Pedimos informações a quatro hotéis e só este respondeu, disse o P.C.
Chega o J.R. e o Q.F.
Nos rostos de ambos, estampado o desânimo.
- É uma vergonha, o espaço está em obras, há entulho por todo o lado, as camas não estão feitas, é um cenário desolador, disse o J.R.
Soubemos entretanto que a oferta para jantar, aquela hora e naquele povoado, era limitada. Além do restaurante do próprio hotel, cheio com os hóspedes, quase todos praticantes de ciclismo, aberto, só uma pizzaria, na praça central.
Para lá nos dirigimos.
Um espaço pequeno, acolhedor, os donos de uma simpatia contagiante.
Tudo fizeram para nos servir da melhor forma que puderam com o que tinham à disposição.
Regressados ao hotel, sentados na esplanada, já ”munidos” de um mapa de pormenor da zona, alinhavamos o passeio para o dia seguinte. Havia algumas, pequenas divergências, sobretudo quanto à hora de chegada ao hotel.
Ai aqueles pensamentos nos “banhos de vapor”. Houve informação que os havia por ali perto.
Hora da deita.
O espectáculo que foi ver, partir, sei que me perdoarão, o J.R. e o Q.F., a caminho do outro hotel, de lençóis debaixo do braço, para ainda irem fazer, eles mesmos, aquela hora, as suas camas de lavado.
Aquele inesquecível almoço, as subidas ao Col d’Aspin e Col Du Tourmalet, no coração dos "Hautes Pyrénees", fatigados com estavamos, creio que qualquer espaço, era bom para dormir.
Quarta-feira, 23-06-2010
Passeio pelos Pirinéus.
Acordei cedo e bem disposto.
A manhã estava bonita e já se fazia sentir o calor.
Começou o grupo a juntar-se em volta das mesas, para tomar o pequeno-almoço. O mais pobre pequeno-almoço servido durante toda a viagem.
Chega o J.R e Q.F.
Confirmei o que pensei na noite anterior:
Quando o cansaço aperta, qualquer lugar é bom para dormir.
Vinham com um aspecto fresquinho, só que…
- Porra!!! nem quero acreditar, que tomei banho de água fria, água quente nem vê-la, dizia o J.R.
- Aconteceu-me o mesmo, estava gélida, dizia o Q.F.
Ouvindo, partilha-mos os seus lamentos e sofrimentos.
Água fria logo pela manhã…
Para compor o hall de entrada do hotel, e não ser presenteado com um tão degradante cenário, composto de entulho das obras, fez o Q.F., um biombo com colchões, dispostos na vertical. Sempre escondia qualquer coisinha.
O Q.F., “virou” decorador.
Motores das máquinas em movimento e partimos rumo a Lourdes, ao Santuário de Lourdes.
Lourdes é uma pequena cidade francesa, localizada aos pés dos Pirinéus, a 420 metros de altitude. Situa-se entre a planície e a montanha.
Lourdes é um centro de peregrinação mundial.
Recebe todos os anos mais de 1 milhão de peregrinos cristãos vindos de mais de 150 países, que permanecem na cidade por alguns dias.
Tudo começou em 1858, entre os meses de Fevereiro a Junho.
Nesse período Nossa Senhora, Mãe de Jesus, manifestou-se por 18 vezes a Bernardet Soubirous na Gruta de Massabielle, nos arredores de Lourdes, declarando-se ser a Imaculada Conceição, aquela que vem socorrer todos os que se encontram com o coração atribulado por sofrimentos físicos e morais. Em todas as aparições, trouxe ao mundo um apelo de conversão mediante a oração e a penitência. Foi a partir das aparições que as peregrinações começaram, e continuam até hoje, cada vez mais intensas, em busca de ajuda e de renovação interior, pelos peregrinos cristãos.
Depois de ter cumprido tudo o que a minha consciência me ordenou, resolvi, junto com alguns elementos do grupo tirar uma foto.
Pelo visto, dezenas serão os grupos que escolhem aquele local para a foto. Estava naquele local um grupo a “bater umas chapas”, quando uma senhora nos diz:
- Desculpem lá, mas deixem-me tirar uma foto com o meu marido.
- É portuguesa, dissemos quase em uníssono.
Não resisti mesmo a fazer um comentário, sobre a forma como se posicionaram para tirar a dita foto.
Quem são, donde vêm, para onde vão, isso nos perguntou a senhora.
Alguém dos nossos respondeu em nome de todos.
Tirou a foto, tirámos as nossas de seguida..
Naquele Lugar Sagrado, magnífico, aproveitei para escrever e enviar algumas mensagens, uma forma de partilhar a felicidade daquele momento, indiscutivelmente mágico.
Estava na altura de comprar os “souvenirs”, os “cadeau”, alguns já prometidos antes da partida.
Junto com o P.C. e a Lálá, entrámos primeiramente num café para beber uma água, antes de nos perdermos naqueles infindáveis espaços comerciais.
Já com as compras feitas, eis que cruzamos novamente com o casal visto no lugar onde tiramos as fotos de grupo.
Em tom de brincadeira lá lhe fiz um novo comentário sobre a dita pose para a foto tirada.
Perguntou-me a senhora de onde eu era, respondi com seriedade.
- Vivo no litoral Alentejano, mas sou Beirão, natural do distrito de Castelo Branco, disse-lhe.
- Também eu sou da Beira Baixa, respondeu-me.
- Pois fique sabendo que nasci numa das mais bonitas vilas da Beira Baixa, Penamacor.
- Também eu nasci em Penamacor.
Fiquei admirado, fiz um breve exercício de memória, mas honestamente, não consegui relacioná-la com alguma família minha conhecida, da minha terra natal.
- Sou irmã do falecido Domingos Fruta.
Senti um embargo na voz, falei-lhe da amizade que nos uniu, das intensas e loucas noites, "de ambiente baco-gastro-tertuliano” vividas no Café Central, restaurante snack bar "O Poço".
…Ai se aquele balcão na cave em forma de ferradura falasse!!!...
(o ex-libris daquele saudoso mítico espaço).
Os copos que bebi, os petiscos que comi, nos meus tempo de estudante, com o pai de ambos, O Ti Júlio Fruta, a altas horas da madrugada, ouvindo histórias da vida, uma vida árdua de labuta, na sua humilde casinha, de porta sempre escancarada de par em par, para os amigos e conhecidos.
Abraçou-me, a custo contive as lágrimas que se quiseram ainda escapar, só depois de "Fiquem bem, Até um dia", reparei que nem o nome lhe perguntei.
Já mo disse uma sobrinha, filha do Domingos Fruta, a Anabela, RibeiradaBazágueda Penamacor, Portugal, 40º9'23.40''N ; 7º4'57.40''W, o seu nome é Bárbara.
Ti Júlio Fruta, Domingos Fruta, onde quer que estejais, um dia far-vos-ei companhia.
Como este Mundo é tão pequenino.
Chega a hora de almoço, partimos à procura de um poiso para comer.
Com uma primeira paragem num restaurante á beira rio, no dia apenas tinha serviço de refeições para os funcionários, acabamos por
assentar arraiais em Bétharram, num restaurante com uma esplanada no quintal, quase lotada.
Muitas árvores, muita sombra, um local agradavelmente fresco.
Uma bonita e simpática funcionária juntou as mesas necessárias ao número de elementos do grupo.
Comemos e bebemos bem, barato, coisa nem sempre fácil por aquelas bandas francesas.
Exigia-se comer bem, porque tínhamos pela frente longa e penosa tirada, por caminhos agrícolas, demasiadamente estreitos, cruzámos com dezenas de ciclistas a pedalar nas suas bicicletas, e a duríssima subida ao Col du Soulor.
As equipas oficiais que vimos a treinar à séria esta subida, para a volta a França que começava daí a dias. Dureza pura.
Doía só de olhar aqueles rostos com as marcas no limite do esforço.
Lá bem no alto, mais uma foto numa paisagem fenomenal, daquelas tais que ficam na memória para todo o sempre.
Não sei se por inspiração divina, ou algum aperto estomacal, resolveu a Lálá comprar um valente naco de queijo, de superior qualidade, uma teca de bejecas, e partimos rumo ao lago de Estaing para fazer um pic-nic.
Como não há bela sem senão, os seis, sete últimos quilómetros antes de chegar ao lago foram de exigente condução. O caminho tinha sido asfaltado havia pouco tempo, e "polvilhado" com gravilha grossa, solta e perigosamente pontiaguda.
Gravilha que originou um furo no pneu traseiro da mota de um companheiro.
A mota do meticuloso Q.F.
Rodou algum tempo sem se aperceber do furo, foi o companheiro que circulava na sua roda que o avisou.
Sem entrar em grandes pormenores, se tivéssemos de cumprir com toda a metodologia Q.F. ainda agora lá estaríamos para remendar o pneu. A mota não ficou junto ao lago, nem… as cervejas nem o queijo. E, não foi preciso a ajuda de todos, o Homem do Caminhão-Tir junto com o Nosso Grande Comandante, partiram mais cedo ao encontro dos desejados banhos de vapor.
Afinal, uma bejeca sempre se bebe em qualquer lugar...
Chegados ao parque do hotel, um enorme quintal, onde andavam à solta uns galináceos, que deliciosa cabidela teriam proporcionado, na sua habitual inspecção rotineira de fim de viagem, repara o A.B. que o mínimo traseiro estava fundido. Coisa simples, disse-lhe: uma chave Philips, vidro fora, lâmpada substituída, vidro no sítio, problema resolvido.
Mas então, por vezes até penso, que alguns companheiros das duas rodas preferem um braço partido a uma esfoladela na mota, tais são as advertências que fazem antes de qualquer simples intervenção.
Poupam-nas e estimam-nas tanto, que lhes agudizam a vontade de se atirarem ao tapete.
Dividido o grupo quanto ao local para jantar, uns optaram pelo restaurante do hotel, outros repetimos o local do dia anterior, o bom trato e a simpatia dos donos mereceu a segunda visita.
Antes de recolher ao quarto, tempo ainda para beber a tal "da sossega" a ouvir a água correr por aquele rio abaixo.
Que melodia tão encantadora e tão relaxante.
Quando me fui deitar, reparei que o quarto não tinha sido limpo, apenas puxaram as orelhas aos lençóis… ah franceses de uma figa.
Quinta-feira, 24-06-2010
Luz Saint Sauveur – Bilbao
Tal como no dia anterior, o pequeno-almoço estava pobre.
Dois companheiros revelam estar cansados. O vapor nem sempre relaxa, parece que também cansa. Altera-se o percurso, "fugimos" à estrada mais sinuosa, perdemos a paisagem mais bonita, dos "Pyrénées Atlantiques".
Decide-se seguir por estrada nacional até Pau, e daí até Biarritz, por auto-estrada.
De pouco valeu combinar a velocidade cruzeiro.
Com o P.C. na cabeça do grupo, rolámos a mais de 30 quilómetros acima do legalmente permitido. Só quando paramos para atestar as motas numa estação de serviço, um camionista português, nos informou dos limites de velocidade, 130 Km/h e do rigor usado pela polícia: tolerância zero.
A sorte acompanhou-nos, sem multas, mas, seguimos viagem a respeitar os limites impostos.
Os sinais alertam-nos para o final de auto-estrada próximo e o pagamento de portagens.
Foi uma confusão o pagamento das portagens.
Não se vê um “portageiro”. As máquinas avisam:
- Introduza cartão ou dinheiro.
Baralham-se com uma facilidade tremenda!!!.
As filas para pagamento eram intermináveis e ruidosas, as buzinas faziam-se ouvir.
As vezes que me lembrei da minha prática e funcional via verde.
Chegada a Biarritz, paragem na praia Grande.
Dá o J.R. dois passos e acha uma carteira. Ficou aflito, apenas queria saber onde era a esquadra mais próxima para fazer a entrega. Nem se atreveu a abri-la. Mas há quem seja assim.
De repente, aparece sem saber de onde, alguém aflito, dizendo ter perdido uma carteira. Confirmados os dados e a identidade do sujeito, lá ficou o J.R. mais aliviado e contente pela boa acção tida.
Partiu o felizardo, sem proferir um Obrigado. Cabrão.
Veio-me à memória, um “alívio carteiral” de que fui vítima em Madrid. Comigo a "sorte" do felizardo poderia ter sido outra.
Retomada a viagem, agora pelo percurso previamente definido e quase sempre junto à costa, com o mar à vista. Um percurso lindo.
D932 – S. Jean de Luz – D 912 – N1 San Sebastian – A 8 – N 634 – Zarautz – N 634 Deba – G 1638 – Bi 3438 – Lekeitio – Bi 2235 – Gernika – Bi 635 – Bermeo – Bi 631 – Bilbao-
Contudo novo azar estava para acontecer.
Decidimos atravessar San Sebastian por dentro. Todos no grupo sabem as regras, e como se deve andar dentro das cidades.
Ao pararmos numa estação de serviço, à saída de San Sebastian demos por falta do Q.F.
Têm por hábito fazer os “seus” percursos. Já ninguém estranha a sua ausência. Porém, repara o P.C. que tinha uma chamada no telemóvel não atendida. Era do Q.F.
Liga o P.C., o Q. F. já não atendeu. Está em movimento, concluímos. No entanto deixou mensagem no voice-mail a dizer a localização da estação de serviço onde estávamos parados, à espera dele. Havia que aproveitar o tempo para comer e beber qualquer coisita fresca.
Lá apareceu o Q.F.
Soubemos então que tinha caído, jogou-se à traseira de um carro, um carro conduzido por uma elegante senhora, que arrancou e parou.
Há distracções que não são permitidas, muito menos em duas rodas.
Felizmente que os danos não foram além de umas desconfortáveis dores de momento, e as indesejáveis marcas do asfalto nos plásticos da mota, sempre dispendiosas.
Com o Homem do Caminhão-Tir a barafustar pelo excessivo tempo de paragem, mais uma vez com o pensamento nos ainda longe adorados banhos de vapor, aqui talvez com alguma legitimidade, transpirou com’o caraças numa rotunda, onde andou aos papéis com uma derrapagem de rota traseira não prevista, seguiu o grupo, já completo, viagem.
São e salvos chegámos todos a Bilbao ao Barcelo Hotel Nervion.
Saudações Motards
Zé Morgas
(continua...)