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quarta-feira, 23 de março de 2011

Béjar 2011

Já parti para muitos passeios de mota, com rota de caranguejo, a andar para o lado, para a frente, mas sempre rumo ao destino marcado. Com a rota traçada a começar a andar para trás, era a primeira vez. Perguntei ao H.M. a razão de tal traçado, se o destino era Béjar, o porquê de ir a Beja, Serpa, e só então começar a subir para Moura, Mourão..., com entrada em Espanha por Villanueva del Fresno até Badajoz.
Disse-me que o P.C. assim tinha decidido, porque queria andar de mota por estradas diferentes. Faça-se-lhe a vontade.
Depois de uma noite de trabalho, das zero ás oito da manhã, sábado, à hora combinada, compareci no Celeiro Doce para tomar o pequeno-almoço. Madrugadores como sempre, lá estavam o A.G. e a Maria. Pouco tardou, e foram chegando os restantes companheiros.
Para manter a tradição chegou em último o Q.F.
Pairava entre o grupo a incerteza do tempo que iríamos apanhar em viagem, eram dúbias as informações obtidas na net e em vários sites. Foi ouvida a palavra douta do Nosso Grande Comandante:
- Partida limpa, alguns chuviscos fracos com grandes abertas, e nada mais que isso.
Quis S. Pedro presentear-nos, ainda durante o pequeno-almoço, com uns chuviscos e a formação de umas enormes nuvens escuras.
Manda a experiência e o bom senso que nestes casos se reavaliem os trajectos em função do tempo observado.
Decidiu-se então rumar a Badajoz pela estrada mais directa:
Grândola, Torrão, Évora, Elvas, Badajoz.
Fizemo-nos à estrada.
Foram poucos os quilómetros andados e começou a intensificar-se a queda de chuva.
Em Grândola, parou o grupo para vestir os fatos de chuva, sobre o equipamento já molhado. Retomada a viagem, na zona de Alcáçovas por entre nuvens lá espreitaram uns raios de sol, que depressa deram lugar a valentes bátegas de água que nos acompanharam até Badajoz.
Paragem na bomba da Galp para atestar as motas, e alimentar o físico. A maioria do grupo já é quase prata da casa, tantas foram as vezes que já ali abancámos.
Um pequeno azar bateu-me à porta. Fui à minha top-case buscar o anti-gotículas para limpar as viseiras dos capacetes. Tinha despido o meu “amarelinho”, as mãos estavam húmidas, sem saber como, deixei cair a embalagem, feita de plástico e dentro de um saco de plástico, no chão. Bateu com um ângulo tal, que se partiu como se de vidro fosse feita. Ele há azares…
Completamente equipados retomamos a viagem. O tempo começou a melhorar e o pessoal a abusar do acelerador, sempre com a rotação em alta. Uma forma de ganhar algum do tempo perdido com a chuva. Já depois da saída para Hervás e ainda a uns quilómetros de Béjar, a minha mota “exigiu” a reserva de combustível. Aliviei o punho, cheguei à garagem do hotel com a gasolina nas lonas.
O check-in do costume, e fomos informados pelo recepcionista que daí a pouco haveria o desfile de um corso carnavalesco, com inicio na Plaza Maior. Serviu de referência para combinar a hora de encontro, saída, no bar do Hotel.
Na rua era grande o movimento, as pessoas todas mascaradas, como é diferente o espírito de diversão dos espanhóis.
A Plaza Maior estava à pinha, com dezenas de grupos prontinhos para iniciar o desfile.
Um bonito e colorido cartaz.
Chega a hora do jantar. Pedidas várias informações, soubemos que os melhores restaurantes estavam todos na zona da Plaza Maior.
Optámos pelo “Restaurante Abrasador”. Funciona por marcação, e enquanto aguardávamos que pusessem as mesas, bebemos uns tintinhos ao balcão.
Tivemos uma agradável surpresa. A comida era boa, a quantidade sem reclamação e o preço muito em conta.
Terminamos a noite, que estava fria, a “varrer” uns digestivos no bar do Hotel.
Domingo
Em agenda o passeio até à bonita povoação de La Alberca, uma soberba aldeia medieval, que fica mesmo no sopé da serra de Francia.
Tomado o pequeno-almoço no Hotel fomos atestar as motas.
Com algum desentendimento inicial entre o P.C. e o Nosso Grande Comandante quanto ao percurso a seguir, rolámos pelo percurso que o P.C. tinha gravado no GPS. Todo por estradas rurais, pitorescas, onde observamos à solta, cavalos e vacas, e muitos carvalhos, embora despidos da folhagem. Não tenho memória de alguma vez ter andado por uma zona tão carvalheira.
Aconselho vivamente uma escapadinha até aquelas paragens.
Depois de um longo passeio a pé pelas ruelas de La Alberca onde os telhados quase tocam, e para matar o bichinho do estômago não hesitamos em entrar numa pequenina padaria/pastelaria, a oferta é vasta, que têm uns bolos de fazer crescer água na boca.
Porque não o podíamos perder, demos um saltinho até ao Santuário da Serra de Francia.
Extraordinário o que daí se avista e pormenor curioso, todos os povoados que se observam lá do alto estão focados em miras fixas, com a respectiva identificação gravada no granito que suporta as miras.
Regresso a Béjar, com paragem em Miranda del Castañar.
Nos quilómetros finais a chuva foi nossa companheira até à garagem do hotel.
Saiu o Grupo para jantar num restaurante típico, recomendado como sendo o melhor de Béjar.
Chegados, reparamos que estava super lotado, a fazer jus ao que tínhamos ouvido. Sem muito tempo a perder, optámos, e até porque estávamos perto, jantar onde na noite anterior tínhamos comido maravilhosamente bem. Fomos o último grupo a ter direito a marcação, esgotou a sala.
Constatámos que a quase totalidade dos comensais eram portugueses.
Fomos ainda melhor servidos que na primeira noite e optámos por escolher um tinto de melhor qualidade. Tivemos no final a oferta de uma garrafa, feita pelo dono do Restaurante Abrasador, Armando de nome próprio.
Terminou a noite no bar do hotel a jogar à moedinha para umas rodadas de licor de ervas.
Segunda-feira
O passeio agendado era mais curto, La Covatilla, a estação de esqui na Sierra de Béjar.
Tivemos sorte com o dia. O sol raiava, parecia um dia de primavera, embora se fizesse sentir o frio.
Partimos rumo ao sopé da serra., a conduzir com muito cuidado, havia zonas na estrada onde alguma neve e gelo teimavam em não derreter, principalmente na faixa de descida, até aquela hora o grosso do movimento foi todo a subir.
Um olhar sobre as pistas, uma bebida quente, a compra de uns “recuerdos” e o regresso a Béjar para o almoço nos bares de”Pinchos”.
Cada qual foi à procura do que mais desejava.
Fiz grupo com o Q.F., o A.G. e a Maria.
Na rua paralela à do hotel encontrámos O H.M a fazer umas compras.
- Onde vão? Vou convosco.
Entrámos todos num bar que ficava ali perto.
Decidimos beber vinho. Pedimos uma garrafa e cada qual escolheu os “pinchos” que mais lhe agradaram à vista e ao olfacto.
Seguiu-se a prova. Como estavam deliciosamente bons.
Mais uma “trabuquinha de tintol de uva”, e mais outra, e eis senão quando o dono do bar nos espeta com o resto dos “pinchos” todos à frente, e nos diz:
- Comam. O bar fecha ás três da tarde e abre novamente ás seis, com petiscos totalmente diferentes dos que foram servidos durante o período da manhã. O que se consome até ás três da tarde, é confeccionado pela cozinheira manhã cedo e colocado nas travessas de exposição. Quando esgota não há mais, e o que sobra vai fora. A partir das seis da tarde, os petiscos são confeccionados a pedido. Como são três da tarde, assim que vocês saírem fecho a porta.
Enquanto “virávamos os pinchos” e rebentávamos com mais umas “trabuquinhas”, lá ficamos a saber que o dono do bar também era um grande apaixonado das duas rodas.
Saímos do bar com a barriga a rebentar pelas costuras.
Partimos então à descoberta de Béjar a pé. Que saudável passeio.
Chegou a hora do jantar de despedida.
Que azar!
O restaurante que na véspera estava a abarrotar, estava fechado, dia de descanso semanal.
Pela terceira noite consecutiva fomos ao mesmo restaurante das noites anteriores.
Já parecíamos família.
Mais uma vez, fomos servidos sem mácula.
Terça-feira
Mais uma vez as previsões para a viagem de regresso não eram muito animadoras:
trovoada e chuva.
Assim, fizemos uma pequena alteração ao percurso, fugindo de uns caminhos rurais entre Aldeanueva del Camino e Moraleja.
A-66 até Plasência, percurso feito com fortes rajadas de vento lateraris que abanavam as motas assustadoramente, Ex 108 - Zarza la Maior, Ex 117 - Piedras Albas, Alcântara.
Primeira paragem para o grupo ver a maravilha de ponte que o Imperador romano Trajano mandou construir.
Consta de 6 arcos assimétricos, que assentam sobre cinco pilares com alturas distintas sobre o terreno. Existe um templete comemorativo com um arco de triunfo superior no centro da ponte com altura de 10 metros, denominado de Trajano. Aos pés da ponte existe um pequeno templo romano dedicado ao construtor, chamado de Lácer e cristianizado na Idade Média com o nome de São Julião. Então, foi colocada uma espada e uma cruz apoiada sobre quatro caveiras de granito. Nele está enterrado o Engenheiro dessa obra: Caio Júlio Lacer.
Combinado o último abastecimento das motas em terras de Espanha, posto Galp em Badajoz, decidimos também ali, a mirar a arquitectura da ponte, que o almoço seria em Portugal, no restaurante Varchotel, a quatro quilómetros de Elvas.
Seguimos por estrada secundária rumo a Membrio, Valência de Alcântara, Ex-110, e, aqui começou a chover torrencialmente, que se agravou ainda mais na Zona de Alburquerque, com o perigo acrescido de parte da via estar em obras, o que criava lamaçais traiçoeiros. Foi conduzir com atenção e cuidados no limite. Que sova!
Depressa tudo esquecemos, porque o almoço estava um manjar delicioso.
Ali, durante o almoço, alinhavámos a matriz da próxima viagem, para os dias 21 a 26 de Abril até Valência, (onde há uns anos passei um fim de semana memorável, no famosíssimo puticlub Romani), com regresso por Córdoba, cidade onde parte do grupo já fez um bonito passeio.
A todos Boas Curvas
Zé Morgas

1 comentário:

  1. Grande Zé, sempre em movimento.
    O mais interessante, para mim, é que, desta vez, meteste-me num bocado de percurso que eu conheço, da ponte de Alcántara até Badajoz, Membrio, Valencia de Alcántara, Albuquerque... uma seca.
    Só não abanquei no restaurante que referes. Não se pode ter tudo.
    Obrigado por mais este bocado de Mundo que conheci nas tuas narrações e fotos.
    No dia em que o "pinóquio" foi à vida. De vez? Não sei.

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