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terça-feira, 13 de abril de 2010

Moreanes

Para variar, o ponto de encontro para a partida, foi a pastelaria Os Galegos, assim é conhecida, em Sines, junto ao Castelo.
Num total de 13 motas e 17 pessoas, saiu o grupo de Sines, Domingo, pelas nove horas e trinta minutos, com uma primeira paragem combinada em Castro Verde.
Se fores ó Alentejo
Não pares em Castro Verde
As fontes chêram a rosas
E a áuga não mata a sedi
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mata a sede sim senhor
que eu ja la a bebi
e as moças são as mais lindas
que alguma vez já vi
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só morre mesmo de amor
quem daquela água beber
cambaleia ao sabor
do sol quente ao entardecer
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mata a sede, e porque não
mesmo se cheira à flor
a sede do coração
ó morre mesmo de amor
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de amor ninguém vai morrer
se dele não tiver sede
morrerá se não beber
nas fontes de Castro Verde
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nas fontes de Castro Verde
eu um dia já bebi
estava morrendo de sede
bebi tanto que até caí
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Um café quente, uma tijelada, e seguimos caminho por Almodôvar, Mértola até Moreanes.
Há muito tempo que não passava, passeava, naquela estrada entre Almodôvar e Mértola, a N 267.
Aliás, a última vez que por ali circulei foi em 2007, no 9º Portugal de Lés a Lés em mota, de Mértola até ao cruzamento de Martim Longo, inserido no circuito Rota do Pão.
Fiquei admirado com o que vi. Das searas de outrora, o que se via agora, era simplesmente um contraste de coloridos fantástico, composto por estevas floridas, rosmaninhos a desabrochar, e cardos ao longo da estrada.
Notória também, a grande mancha de pinho manso ali existente.
Perdizes foram vistas ás dezenas. Ficou-me a mágoa de não ter parado e ter tirado umas fotos.
Tínhamos tempo de sobra, tanto que até parámos em Mértola a olhar o Guadiana, no local onde habitualmente se realiza o Festival Islâmico.
Chegados a Moreanes, ao Café Pires, tive a primeira surpresa. Afinal para comer as cabeças de borrego no forno, apenas quatro desejosos. Mas cada um come o quer, e cada um lá escolheu o que quis, a ementa é farta e toda de qualidade. Não se livrou o Pires logo de um aviso: não podia faltar a sericaia no final; já tinha uma reservada.
Queijo de Serpa, presunto pata negra, azeitonas retalhadas de primeira, pinga da boa, as entradas estavam soberbas.
Tenho então a segunda surpresa.
Esperava ver à minha frente as metades das cabeças para desmontar e comer. Qual quê!
Vinha tudo desmontadinho e composto numa travessa, temperado à pedra de sal, alho e coentros.
A acompanhar em travessa separada batatinhas fritas ás rodelas.
Provei. Simplesmente delicioso. Os miolos…divinais.
Vi a cara de alguns comensais, ao ver o pitéu assim servido, com as marcas de arrependimento por não terem feito essa opção. Terão nova oportunidade. No final uma sericaia, com um senão.
Este doce alentejano é um dos meus favoritos, por ser fofo, húmido e não muito doce.
E como gosto daquelas ameixas de Elvas.
É um dos tesouros da nossa gastronomia. Desta vez, não estava com a humidade do costume.
Mas, foi perdoada, e não sobrou nada.
Registo aqui uma feliz coincidência. Foi este almoço combinado no dia em que o grupo regressava de uma visita ao Vila Monte Resort – Relais & Chateaux, em Moncarapacho, Olhão. À hora que almoçávamos, passava na SIC, o programa Fama Show, com um documentário sobre o Vila Monte. Havia ali muita cenarização. O real é bem mais pobre, mas… caro, contudo.
Hora de regresso a casa.
Quis desta vez, andados poucos quilómetros, que o infortúnio tenha tocado um companheiro, bem à minha frente. Na aproximação a uma curva à esquerda, vejo uma “fumaça de pneu”, súbito mota e condutor tudo a rojo e aos tombos pelo asfalto, direitinhos ao mato. De arrepiar.
Sem querer recordar o que vi, quero apenas aqui deixar expresso neste texto, além das rápidas melhoras do meu amigo L.G., amigo desde a data em que entrei na extinta Companhia Nacional de Petroquímica, alguns conselhos que sempre defendi, cada vez mais defendo.
Só conheço dois tipos de motociclistas:
Os que já caíram e os que estão para cair.
Sou um dos que já caiu.
Defendo entre os meus companheiros, a obrigatoriedade de viajar sempre devidamente equipado, independentemente das condições atmosféricas.
Como dizia o meu avô, o que protege do frio, também protege do calor.
É prática comum, quando o calor aperta, despir alguma roupa, mas nunca rolar sem casaco ou luvas. A segurança isso exige. Jamais rolar com o casaco dento da mala. Ele protege é vestido.
O meu amigo, se tivesse o casaco vestido, aquelas “esfoliações” no braço teriam sido evitadas, um bom capacete totalmente integral, teria evitado o queixo arranhado, e as calças com as protecções nos joelhos…
Mesmo com alguma roupa a mais, em andamento, há sempre uma costura manhosa que deixa passar uma aragem. Em verdade, aquele desconforto térmico sentido com o calor, só se nota quando parado. Doloroso é o frio, e se nada temos para vestir, então é penar mesmo.
Infelizmente, temos que aprender alguma coisa com estes sempre tristes acidentes.
Para quê gastar largas centenas de €uros em equipamento, se não se utiliza?
O gozo não é tê-lo, passa por usá-lo.
Breve daremos um passeio.
Olha a mota com respeito, mas nunca, nunca com medo.
Amigo L.G. fica aqui um sincero voto à tua rápida recuperação.
Zé Morgas

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