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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tributo - "BASÁGUEDA"

Vale mais tarde do que nunca.
Em nada lamento o só agora ter “descoberto” este blogue
http://www.basagueda.blogspot.com/
Durante duas “santas” noites de trabalho, outra coisa não li.
Que deleitoso divertimento foi para o meu espírito.
Vou ler os trechos todos. Com toda a certeza.
Que excelência
Bem Hajam

Karraio, Changoto
Como me recordo desses termos.
Foi na altura de sulfatar a vinha. Tinha prometido ao meu avô, O Ti Domingos Catcheiro, assim era conhecido na vila, que no dia seguinte lhe levaria o material que precisava para fazer a calda, ao chão de marrão.
Levantava-se sempre muito cedo, e cedo partia para o campo, muito antes da abertura da loja do Tó Católico.
Quando a loja abriu, já eu lá estava à porta com com a minha avó, a Ti Conceição Pereirinha. Tinha-me ido buscar a casa. Mercou o artigo, entregou-mo e disse-me:
--Vai num pé e vêm no outro. O teu avô está à espera.
Quis o destino que, assim que deixei a minha avó, aparecesse o Nalgas e o Chanfalho. Tinham os "espetas" com eles.
--Vamos a uma partidinha de "espeta"?
--Tenho que levar isto ao meu avô.
--É só uma partidinha
--Bora lá, e vale apertar canais.
Jogámos uma partidinha, a atirar para o longo, no final meti-me à estrada direitinho ao chão de marrão.
Chegado, e antes que tivesse tido tempo de o meu avô cumprimentar, e de lhe entregar a calda, arrimou-me logo com uma changotada nos costados
--Karraio, atão...berrei eu
--Atão, atão o quê? está aqui um hôme desacorçoadinho á espera... os tratos e as horas são para cumprir.
Um hôme quando vai apanhar a camnete da víuva, não é a camnete que espera, é o hôme que espera a camnete.
Entendido? C'assnão ainda papas mais.
Embora a falta de vista o acompanhasse, dizia que me acertava sempre bem, porque eu tinha um costado largo.
Entendi, dei-lhe o produto para fazer a calda, e voltei para a vila, com uma valente changotada marcada nos costados.
O pau era bom, de marmelêro
--Karraio, já um homem não se pode atrasar um bocadinho.

Zé Morgas

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