À terceira foi de vez.
Com duas ausências nos dois primeiros passeios deste ano, a incerteza das datas exactas do arranque da unidade do “steam-cracker” a isso me obrigou.
Escolhidos os destinos, Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012, e Braga, Capital Europeia da Juventude 2012, definida a data, 16 a 19 de Março, reservado o alojamento no VillaHotel em Guimarães, restava apenas saber quantos participariam.
Os últimos dados apontavam para seis motas e dez participantes.
Por motivo de doença da H.C., forçada a uma “clausura caseira”, a quem aqui deixo neste modesto texto em nome de todo o grupo participante no passeio, o registo dos votos de rápidas e totais melhoras, o H.M não alinhou.
Como esperado, o casalinho do Caminhão-Tir desistiu também. Consequência do escaldanço das beras e duras rotas traçadas pelo compadre P.C.?!
Combinado o ponto de encontro para tomar o pequeno-almoço e partida, na já habitual Pastelaria “O Celeiro Doce”, definimos a primeira parte do trajecto, e, logo ali manifestada a primeira e enorme preocupação do Nosso Grande Comandante...
Onde iríamos almoçar? Calma Comandante.
Com o tempo “acinzentado”, decidimos ir por auto-estrada até Santarém, com uma primeira paragem nas bombas da Repsol.
Aqui sim, escolhemos o local para almoço. Porque já lá tinha estado e gostado, sabendo eu e todos que o leitão é um pouco como no futebol: cada um tem o seu clube, o seu gosto, o A.G. aconselhou o restaurante “João dos Leitões”, muito procurado pela qualidade do assado e com preços sensatos, próximo da saída da A1.
Fica no lugar de Piedade, Espinhel, Águeda.
Boa a escolha, contudo também a crise por ali se faz sentir, ouvimos os lamentos da proprietária com a escassa clientela.
Durante o almoço, acertamos o trajecto até Guimarães a partir da saída da A1 no nó de Espinho por estradas nacionais:
Crestuma, Pedorico, Castelo de Paiva, Entre-os-Rios…
Nesta localidade, em Março de 2001 ocorreu um gravíssimo acidente, que consistiu no colapso da Ponte Hintze Ribeiro, inaugurada em 1887 e que fazia a ligação entre Castelo de Paiva e a localidade de Entre-os-Rios. Ficou conhecido como Tragédia de Entre-os-Rios. Do acidente resultou a morte de 59 pessoas, incluindo os passageiros de um autocarro e três carros que tentavam alcançar a outra margem do rio Douro.
O desastre levou a acusações quanto à negligência do governo português, levando à demissão do Ministro do Equipamento Social da altura, Jorge Coelho, hoje um destacado CEO da construtora Mota - Engil.
…Penafiel, Lousada, Vizela, Guimarães, Villa Hotel.
Motas guardadas na garagem, check-in feito, combinada a hora de encontro na recepção do Hotel para saída à procura de restaurante para jantar, tempo de sobra para arrumar a bagagem no quarto e tomar o retemperante e merecido banho de final de viagem.
Munidos de um mapa turístico da cidade e com a recomendação dada pelo recepcionista de irmos jantar ao Restaurante Mumadona, saímos do hotel rumo ao centro histórico de Guimarães.
“Espreitadas” duas ou três ementas em outros tantos restaurantes, resolveu o Nosso Grande Comandante perguntar a uma linda Moçoila que connosco cruzava, a localização do restaurante Mumadona. Lá nos informou, dizendo que ficava um pouco distante, mas, o melhor seria levar-nos lá. Foi o que fez, guiando-nos pelas típicas ruas e vielas de Guimarães.
Disse-nos que era um restaurante muito frequentado por estudantes, onde se comia bem e em conta.
Deus acompanhe pela vida fora aquela tão prestável e gentil moça. Aqui fica o registo de um sincero Bem Haja.
Sentadinhos com as ementas em frente aos olhos, escolheu a maioria bacalhau à moda da casa.
A meio da degustação irrompe pela sala um barulho ensurdecedor de cânticos e palmas. Perguntei ao empregado o que se passava,
- É um grupo de senhoras que estão numa sala anexa, a jantar e a comemorar o Dia Internacional da Mulher, porque não o puderam fazer no dia 11.
- Com tanto barulho?! Perguntei admirado.
- Sabe Senhor, já passaram por aquelas gargantas umas belas malguinhas de tinto verde.
Ah valentes cantadeiras.
Saímos satisfeitos e contentes.
No centro histórico uma tuna, que não identifiquei, alegrava os ouvidos de quem passeava, e a passear, descobrimos um bar acolhedor, por ali nos quedamos a beber umas caipirinhas pretas, caras e com falta de substância, farturinha só de gelo.
Em amena cavaqueira, destinamos o dia de sábado a visitar Guimarães, e, domingo, Braga.
Sábado 17
A alvorada foi ao toque de porraditas na porta do quarto dadas pela Lálá.
Se o não têm feito, e coisa impensável, o Nosso Grande Comandante tinha perdido o pequeno-almoço.
Por onde andou aquele valente madrugador-mor?
Informou-nos a Lálá que o dia estava de chuva. Veio-me à memória a viagem feita a Ronda e o sábado quase passado no interior do Hotel.
Pequeno-almoço tomado, saiu o grupo do hotel e entrou numa loja chinesa, muitas por ali imperam, para comprar guarda chuvas. Remédio santo. Espantaram a chuva.
Visitas à Igreja de Nª Sra. Conceição, Castelo de Guimarães, Capela de S. Miguel, Paço dos Duques de Bragança, e outros pontos de interesse.
Soube enfim, ouvido da boca da guia do palácio, no quarto da Dª Catarina, quarto onde, se diz, nunca dormiu, a razão porque os ingleses, a lenda assim o reza, ao chá chamam “Tea”.
Foi Dº Catarina quem introduziu o hábito em Inglaterra, ainda hoje muito em voga, de beber chá. Como os seus conhecimentos de inglês eram muito rudimentares, sempre que um chá oferecia, dizia:
- P’a ti.
Daí ao “Tea” foi um perdurar de nome no tempo.
Visita finda, e fomos apanhar o teleférico até à Penha.
Hora do almoço, e pela segunda vez ia o grupo comer bacalhau, o afamado bacalhau com broa no Restaurante Dan José, sim Dan, abreviatura de Danilo, um dos filhos do proprietário.
Deliciosas entradinhas, o bacalhau divinal, o vinho, um tinto Mata Loba, produzido e engarrafado em Malga, Cavez. A sobremesa, um misto de doces e frutas servida numa tábua redonda, estava um mimo. Tudo bom, e mais uma vez, notória a pouca clientela.
Um longo passeio pela Penha, e antes de regressar via teleférico à cidade, uma última malguinha de tinto verde na mui típica Taberna do Ermitão, sediada nas profundezas de uns colossais barrocos.
Para lanche dos duros, houve quem fosse bater uma sesta ao hotel, uns caracóis do mar, umas garrafinhas de tinto verde, Ponte da Barca, na cervejaria Martins, nas proximidades do Largo do Toural. Esta cervejaria foi-me recomendada por alguém que me reconheceu na rua, a Ângela, filha de um Amigo meu de longa data, também natural de Penamacor, o Tó Urbano, “Kelu” para os Amigos Penamacorenses, epíteto agora eternizado neste meu modesto blogue.
Toca o meu telemóvel. Despertos pela sesta, com fome, queriam saber onde estávamos para vir ao nosso encontro e se procurar restaurante para jantar.
Ouvira-mos falar num restaurante típico, o Cacos, famoso pelo malicioso vernáculo da linguagem usada pela dona. Fomos à descoberta do dito. Entramos e foi-nos dito pela dona que estava a lotação da sala esgotada.
Com pena saímos, e a pensar noutra solução, perguntamos a um casalinho que connosco cruzava se conhecia algum restaurante bom por perto. Era sua intenção jantar no Cacos, mas se já estava tudo reservado, disse-nos
- Venham daí, vamos ao Restaurante Piedade.
Caminhando a conversar, ficamos a saber que era um jovem calceteiro, e que até já tinha executado uns trabalhos de calçada por estas bandas do Alentejo.
Curioso, o restaurante era na mesma rua do nosso Hotel, mas do lado oposto.
Enquanto se escolhiam as refeições, foi-nos servido para entrada uma magníficas papas de sarrabulho, deveras elogiado pelo nosso anfitrião:
- A minha mãe faz umas papas de sarrabulho muito boas, mas estas são muito melhores. Se o moço o dizia…
Recaíram as escolhas dos comensais entre um bife de vaca e Polvo à Lagareiro para o restante grupo, saborosíssimo e tenrinho, que nada ficou a dever ao que de melhor já comi.
Entre os intervalos das garfadas, sempre mais espaçados que os da sua companheira, dá gosto ver alguém tão franzino comer com tanta satisfação e apetite, lá me dizia o João, assim se chamava o rapaz,
- Aos sábados há aqui quase sempre fados e guitarradas.
Sem ninguém o saber, já ele tinha telefonado a um amigo a convidá-lo a estar presente com a sua Guitarra Portuguesa.
Enquanto jantávamos mais duas ou três mesas se compuseram.
Findo o jantar, sentou-se numa mesa contígua à nossa o seu amigo, começa a dedilhar a guitarra portuguesa, evidenciando desde logo uma técnica apurada sem limitações no manejo do instrumento e brinda-nos com um vozeirão que a todos impressionou, cantando temas tão variados, desde Zeca Afonso até ao Cante Alentejano,
Canção de Embalar, Ora vejam lá, Uma Casa Portuguesa, Os meninos de Huambo, Eu ouvi o passarinho, O mineiro de Aljustrel…
Enfim, uma noite de canto que a todos encantou.
Na despedida, ouvindo os lamentos do dono da casa Piedade, pelo infortúnio de não ter na família quem queira continuar com a tradição do negócio que já leva 106 anos de existência, mimou-nos com um bem apaladado e explosivo cocktail. Tinha em excesso a “substância alcoólica- calórica” que faltou nas consumidas caipirinhas pretas da véspera.
De arromba. Sorte o hotel estar apenas a dois passos do outro lado da rua. Foi analgésico para uma noite dormida sem sobressaltos.
Domingo 18
Pequeno-almoço tomado, motas fora da garagem e iniciamos a viagem rumo ao Santuário do Sameiro, via rampa da Falperra.
Foi neste Santuário que se realizou o Dia do Motociclista em 2004, onde estive presente com o Nosso Grande Comandante e o Lázaro.
Partimos para nova visita e a um outro santuário, o Santuário do Bom Jesus do Monte, também referido como Santuário do Bom Jesus de Braga.
Este Santuário católico constitui-se num conjunto arquitectónico paisagístico digno de visita.
Nova viagem até Braga, agora com alguns pingos de chuva teimosamente a quererem humedecer os fatos, para a freguesia da Sé, onde se situa a Sé de Braga.
Na visita que efectuamos à Sé, levou o Nosso Grande Comandante uma reprimenda pelo facto de estar a tirar umas fotos no interior do templo. É proibido o uso de máquinas fotográficas.
Serviu contudo a reprimenda para abreviar a visita e acelerar a ida para o almoço.
Pertinho, à vista, situa-se a Churrascaria a quem a Sé "empresta" o nome. No ar um cheirinho que parecia chamar-nos. Entramos em boa hora, porque pouco tardou, e ao contrário de todos os restaurantes anteriormente frequentados, este encheu.
Comi umas saborosas costeletinhas, o vulgar entrecosto.
Para passeio de tarde, decidimos visitar o Mosteiro de São Martinho de Tibães, um dos mais ricos e poderosos mosteiros do norte de Portugal, Casa Mãe de todos os mosteiros beneditinos.
O Povo sofria e pagava para os Monges viverem faustosamente, tal como a Nobreza.
Regresso a Guimarães e ao Hotel.
Jantou com o grupo o Tó e a Lurdes, no Restaurante “Pedrinhas”, a escolha foi do Tó, a meia dúzia de quilómetros da cidade, (foram as Senhoras no carro do Tó, fomos os Homens das Motas no Táxi Salgado) onde o Bacalhau à moda da casa voltou a ser rei na mesa.
As sobremesas, variadas e à descrição, cada qual serviu-se do que mais gostou e a quantidade que quis. Faltou muito estômago para tanta fartura.
Irra, três dias por terras minhotas e outras tantas refeições de bacalhau.
Acabámos a noite no mesmo bar onde estivemos na noite de sexta-feira, a sorver as pobres e mal servidas, caras caipirinhas pretas.
Segunda 19
Dia de regresso ao Alentejo.
Repetido o abuso da gula do pequeno-almoço dos dois dias anteriores, o pecaminoso habitual alambazar de ovos mexidos, bacon frito, presunto, queijos… uma combinação perfeita destruidora da anatomia deste corpinho sofridamente edificado em bicicleta elíptica, bagagem colocadas nas motas, uma agradável surpresa:
Com um sorriso de encantar, disse-nos a recepcionista do VillaHotel que o parqueamento das motas na garagem era grátis.
Partimos com paragem agendada em Lamego.
Felgueiras, Lixa, Amarante, Mesão Frio, antes de Peso da Régua, uma pausa para umas panorâmicas fotos sobre o Rio Douro, sempre espectacular sobre o leito serpenteado, uns comentários sobre o excessivo trânsito visto a circular naquelas manhosas estradas, sobretudo camiões, o pagamento de portagens nas vias Scuts a isso os obrigou, Peso da Régua, Lamego.
Estacionamos as motas, duas por espaço, num parque com parcómetros na avenida frontal ás Escadarias que dão acesso ao Santuário dos Remédios.
Libertos dos capacetes, e sempre com a pressa do costume, partiu o Nosso Grande Comandante à procura de umas “lembranças doces”. Retirei com calma o bilhete de pagamento do estacionamento. Volvidos alguns minutos, abeirou-se de mim o guarda Municipal, vigilante dos parcómetros, que me disse não podermos estar ali estacionados.
- Porquê? Perguntei-lhe.
- Nos locais com parcómetros só os carros podem estacionar
- E as Motas?
- Só se tiverem um espaço identificado com placa de Parque para Motociclos.
- E aqui onde está?
- Não há, não existe neste parque pago.
Revelei-lhe com honestidade que tal desconhecia e que até tinha tirado o bilhete, que comigo mantinha. Disse-me ter visto esse meu gesto. Também desde logo me disse, e aos meus companheiros que se juntaram, que não nos iria multar e que tal só sabia, porque um colega seu, motard, o tinha informado.
Falamos da descriminação a que os pobres motociclistas estão sujeitos. Contei-lhe o meu exemplo. Pago o triplo em valor de selo que pago pelo carro e estou proibido, mesmo pagando, de estacionar A Minha Mota em parques com parcómetros; nas Scuts, rolo com duas rodas, ocupo metade do espaço, e pago como se rolasse com quatro e ocupasse o dobro do espaço. Só neste Portugal.
Chegou o Nosso Grande Comandante com o avio feito, informámo-lo do sucedido, desconhecia também a proibição de estacionar Motas em parques com parcómetros, a não ser que para o efeito tenham o respectivo espaço sinalizado.
Despedimo-nos do Agente da Autoridade, contentes por saber que ainda há alguém, que sem febre de multar, com classe e pedagogia nos ensina algo.
Desejou-nos Boa Viagem.
A-24, pela primeira vez ia pagar uns cobres nas recém portajadas Scuts, foi rolar sem ver um carrinho até entrar no IP3.
Almoço próximo da Barragem da Aguieira, tema de conversa, a situação vivida em Lamego, e, decidiu o grupo o trajecto final pela A1, Santarém, A 13 , A2, Vila Nova de Santo André.
Mais um grande passeio realizado em beleza, mais mil e duzentos quilómetros aos comandos da minha Kawasaki 1400 GTR.
O próximo será até Moreanes, dia 15 do corrente mês de Abril, para comer as deliciosas cabeças de borrego, de animais jovens, servidas desmanchadas no prato, e a divinal doçaria conventual, de origem alentejana, feito com ovos, leite, farinha, açúcar e canela, Sericaia com ameixa de Elvas.
Boas Curvas
e
FELIZ PÁSCOA
Zé Morgas
Um olhar atento sobre a terra que me viu nascer. As minhas viagens. Estados da Alma. Coisas boas da vida.
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terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Estados da Alma - 5
Aqui, algures entre S. Torpes e Porto Covo, espreito o mar, onde já vezes sem conta, o espreitei.
Sinto neste olhar de transe com o mar que as rugas da minha alma se vão, o que me dá alguma frescura e me permite com serenidade a leitura atenta dos jornais e revistas.
Uma das minhas características é ser demasiado organizado, sem contudo ser escravo ou obsessivo da minha organização. Por isso me sobra tempo para o improviso, passear, ver e ouvir o mar, ouvir música, estar só, tempo para o silêncio e para alguma escrita.
Qualquer ser humano prefere viver a escrever. Gosto de escrever neste modesto blogue o que me sai, liberto, sem grande grau de exigência, directo, chamar as coisas pelos nomes com sexo e calão à mistura de forma terapêutica, e sem o respeito pelo novo acordo ortográfico, que me parece um erro de base querer uniformizar uma língua, pois a sua riqueza reside justamente na diversidade. O acordo afasta as palavras da sua raiz e tem demasiadas coisas facultativas ou pouco lógicas.
Como diz o meu Amigo Changoto - "Agora deixa de ser uma língua novilatina e passa a ser uma novimultiforme. Sangraram de tal forma o seu mais típico , a sua vernaculidade e a matriz que, daqui a poucos anos, ninguém vai perceber que a sua mãe foi o latim".
Não quero perder o respeito pela literatura e pelos escritores, pessoas de talento
Neste paradoxo mundo da tecnologia, que cada vez nos aproxima mais de quem está longe, mas que nos afasta de quem está perto, alheio à crise e ao défice do País, que todos os dias é notícia de abertura nos noticiários nacionais, quero em silêncio preocupar-me com a minha dívida afectiva.
Vivemos num mundo onde conta muito a maneira como se fala, se aparece montado e se veste.
Coisas! que dão ”Status”, como me disse um amigo meu há dias.
Depois de uma faustosa jantarada, convidou-me para o acompanhar até à sua casa, queria “enrolar um daqueles que fazem rir”, lavar os dentes e encharcar-se de perfume, antes de iniciar a ronda pela “night”. Para espanto meu, na sala, observei que tinha a Tv sobre o caixote de transporte e, de sofás ou bancos nem vestígios.
Perguntei-lhe a razão de tão espartana decoração, ele que até têm um potente carro alemão, e, em termos de vestuário gosta de acompanhar a moda. Como afirma, se não veste as últimas tendências, pelo menos gosta de rustir coisas recentes.
Confesso que “rustir” não é verbo que faça parte do meu vocabulário.
-Sabes, o recheio da casa não se vê, não dá Status.
Percebi o recado e mais, entendi finalmente porque fala com tanta lamechice sobre a crise no país instalada, e a razão porque qualquer leve tropeçãozinho em pasto seco o derruba
Vivo no lado oposto da mesma linha.
Lá lhe fui dizendo entre o sério e a brincadeira, que por estas bandas a crise ainda não se fez sentir. Pelo que me toca, a escolha entre um carrão ou o conforto do meu ninho optei pela segunda opção. È com enorme satisfação que olho as variadas recordações que trouxe dos locais por onde já andei, são os selos que certificam as minhas passagens, as histórias, os momentos vividos.
Quanto a modas, o que pode um cheiinho corpinho, onde qualquer trapinho assenta bem, exigir? Nada, absolutamente nada, a não ser usar, gastar até à exaustão as fibras da lã e dos tecidos.
Carros… “curto maningue” o meu mobille hotel, Fábrica Ordinária Reparações Diárias.
Os anónimos amores que já ali foram sarados em ambientes de pura ruralidade.
Mergulhado na imensidão do oceano de olhos abertos, com uma revista aberta sobre os joelhos em que não me consigo concentrar, vêem-me ao pensamento depois de começar a ler um artigo intitulado:
“Adição: As histórias de uma dependência ainda mal conhecida”
Quando tudo se resume a sexo
as palavras que me assolaram há dias com um certo sentimento de culpa, e já não é a primeira vez, na subida da Serra de Grândola:
- Foi a última vez, nunca mais cá volto.
Com a devida vénia ao autor, permito-me a “copiar” o dito artigo:
Seduzir, conquistar, pagar se for preciso. A vida de um viciado em sexo centra-se na busca de parceiros por uma noite. Só quando a vida mergulha no caos se percebe que é preciso parar.
"Não disse nada aos amigos e no trabalho também não contei a ninguém. Se uma pessoa disser que é alcoólico é facilmente aceite pelos outros. Se disser que é toxicodependente, as pessoas percebem que há tratamentos. Mas ninguém compreende que alguém não seja capaz de controlar os seus impulsos sexuais". João (nome que escolheu para ocultar a verdadeira identidade), tem 55 anos e é viciado em sexo. Depois de um internamento numa clínica portuguesa diz que hoje consegue resistir aos impulsos e garante que já não tem relações sexuais há cinco anos. Mas o monstro que lhe consumiu a vida durante quase dez anos ainda vive na sua cabeça: "Tenho vontades. A minha preocupação é tentar fazer outra coisa que me distraia desses pensamentos".
Dependência sexual, desejo sexual hiperactivo, adição. Os especialistas defendem termos diferentes para um comportamento que João define de forma simples: "Durante anos eu só pensava em sexo. Era incontrolável. Recorria a prostitutas, chegava a ter relações sexuais pagas três ou quatro vezes por semana".
A obsessão de João começou pouco depois de o pai ter morrido. Tinha 42 anos. "Recebi algum dinheiro da herança e fiquei a tomar conta do negócio do meu pai. Nunca tinha tido tanto dinheiro e foi isso que me fez perder o controlo". Técnico industrial numa fábrica da região de Leiria, começou a frequentar casas de alterne e a responder a anúncios de prostitutas publicados nos jornais. "Era como um garoto. Nessa altura o dinheiro não era obstáculo, fazia tudo o queria".
João começava a planear ir à procura de uma prostituta de manhã e já não conseguia pensar em mais nada". Tinha de ir. Sentia prazer quando tinha sexo, mas depois ficava arrasado: "Mas que m*, pensava eu. Foi a última vez, nunca mais cá volto". Mentia a si próprio. Voltava sempre, mas nunca à mesma mulher. "Procurava pessoas diferentes. Queria sempre mais, experiências mais fortes, mas acabava sempre infeliz". Fechou a porta a qualquer relação sentimental. "Nunca procurei ter uma namorada. Só queria a satisfação da parte física e para isso tinha as prostitutas".
O mundo de João começou a desmoronar-se quando a família se apercebeu dos desfalques na conta bancária da loja. A irmã confrontou-o e ele não teve como escapar. "Contei-lhe tudo e ela deu-me duas hipóteses: Ou procurava ajuda para me tratar ou então ficava sozinho, sem dinheiro e sem apoio de ninguém".
A escolha não foi imediata, mas João acabou por se render. Aos 50 anos chegou à clínica Villa Ramadas, perto de Alcobaça, especializada em problemas de adição. Nos quatro meses seguintes ficou internado, a reaprender a viver. Hoje diz-se um homem diferente, mas ainda há temores que não passam. "Continuo a não ter namorada e não sei se quero ter. Nunca mais tive relações sexuais, tenho medo do que possa acontecer".
Eduardo Silva, psicólogo, é o responsável clínico da Villa Ramadas. Explica que já receberam cerca de 10 pessoas para tratarem problemas de adição sexual, quase todos homens e na sua maioria estrangeiros. "Fazemos terapias individuais e em grupo, em regime de internamento que pode ir até aos seis meses. Também trabalhamos com dependentes químicos (viciados em drogas) e misturamos os grupos nas sessões terapêuticas. O sintoma da procura do sexo é só o produto final de um vazio que já existe. A pessoa está incompleta". O psicólogo define a adição como "um hábito forte que se transformou em padrão. É problemático quando a vida familiar e profissional se torna um caos. Quem fica obcecado sexualmente mergulha num carrossel de emoções que não consegue controlar".
Luís Duarte Patrício, médico psiquiatra e ex-director do Centro das Taipas – que trata toxicodependentes – alerta para os vários perigos associados a comportamentos sexuais descontrolados. "A adição ao sexo é um comportamento que pode levar à dependência, sobretudo quando a ausência de sexo provoca sofrimento. Podemos falar em síndrome de abstinência, como acontece com as drogas". Um vício nunca é inócuo. O psiquiatra alerta ainda para outros danos, mais imediatos, "quem sofre este tipo de perturbações pode assumir comportamentos sexuais de risco. É fundamental falar de higiene e do perigo das doenças sexualmente transmissíveis".
É uma patologia mais frequente nos homens e associada a pessoas com alto poder de compra. A profissão também pesa: "Profissões ligadas ao turismo, hotelaria ou relações públicas são mais propícias a muitos contactos com outras pessoas, o que pode ajudar à progressão da patologia", explica Luís Duarte Patrício.
Em Portugal, a dependência sexual ainda é um conceito relativamente recente. Santinho Martins, endocrinologista e sexólogo, admite que teve pacientes que se queixaram de sofrer deste problema, mas ele não deu importância. "Eram pessoas que estavam a ser tratadas no âmbito de outras patologias. Na altura não havia muita sensibilidade em relação ao tema da adição sexual e desvalorizei esses comportamentos. Hoje talvez tivesse agido de outra forma", conta.
Os grupos de ajuda mútua, baseados no método dos doze passos – criado para alcoólicos e toxicodependentes – são frequentes noutros países. Em Portugal, existe pelo menos um grupo, a funcionar em Lisboa, que usa um espaço cedido pela paróquia de Santo António de Campolide. O coordenador explicou à Domingo que o grupo "funciona há cerca de três anos e meio e reúne pessoas com vários tipos de adição". Sob a denominação Adictos ao Amor e Sexo Anónimos (com o blogue http://www.aasalisboa.blogspot.com), o grupo tem recebido homens e mulheres que se confessam adictos ao sexo, mas também adictos ao amor – pessoas que vivem relações ou fixações amorosas que as fazem sofrer e das quais não se conseguem livrar. Apesar de se utilizar um espaço da Igreja, não há uma conotação religiosa nas sessões.
"Reunimos todos os domingos. O que faz funcionar o grupo é que as pessoas estão num ambiente anónimo e sentem-se à-vontade para partilhar as suas experiências e ouvir as histórias de outras pessoas que conseguiram ultrapassar o problema", explica o coordenador, que prefere não referir o seu nome. Já passaram por este grupo "cerca de 25 pessoas" com adição sexual, metade dos quais são mulheres. "Já tivemos casos de viciados em sexo com estranhos ou pessoas que recorrem à prostituição e mesmo à pornografia na internet", explica o responsável. Habituado a ouvir histórias de viciados, o coordenador do grupo aponta a dificuldade masculina em aceitar o problema: "A sociedade em que vivemos ainda é muito machista. Se um homem tem sexo com muitas mulheres é vangloriado, o que atrasa muitas vezes a consciência do problema". Mas não sente que as experiências de homens e mulheres sejam diferentes, quer na forma como se comportam durante o período aditivo, quer na forma como encaram a recuperação.
Em Inglaterra, os grupos anónimos de viciados em sexo estão espalhados por todo o país. ‘Mary’, de 51 anos e com dois filhos com idades à volta 20 anos, frequenta um desses grupos há três anos e meio. A inglesa conta à Domingo que tem desde sempre "uma longa história de "infidelidade mental, fantasias sexuais e paixões". ‘Mary’ confessa-se viciada em pornografia e erotismo literário, o que a levou a dar o passo seguinte – um dia, as intenções passaram à prática e dormiu com um colega de trabalho. "Estava casada há 20 anos e fiquei muito chocada por conseguir fazer uma coisa tão fora do meu código moral. Não tinha o menor sentido de culpa, estava preparada para mentir e enganar. Deixei o meu trabalho, pensando que isso seria o fim da relação extraconjugal, mas percebi que não conseguia deixar de ver o meu amante".
Viu na televisão reportagens sobre adictos sexuais e começou a investigar o assunto. Leu o livro de uma especialista e ficou convencida de que era uma dependente. Depois, descobriu os grupos anónimos de viciados em sexo e decidiu partilhar a sua história. "Cheguei sozinha à minha primeira reunião, que era exclusivamente masculina. Isto pode ser ou aterrador ou sexualmente estimulante para uma mulher. Precisava de um patrocinador, em relação ao qual não podia ter qualquer atracção, o que é um problema para uma mulher que entra numa comunidade maioritariamente masculina. Arranjei um patrocinador masculino que não estava interessado em mulheres".
O método dos 12 passo - em que o primeiro é a admissão de que existe uma dependência - resultaram numa "revolução espiritual" para ‘Mary’. Hoje diz que "para qualquer pessoa com adição há sempre o risco de recaídas", mas considera estar "mais apta a evitar os hábitos mentais de desenvolver fantasias ou um pensamento obsessivo".
Como em todas as adições, o reconhecimento do problema é fundamental. "No caso de se tratar de um pedido de ajuda por imposição de terceiros (família ou cônjuge), o processo terapêutico é de realização difícil, pois a pessoa não tem plena consciência da dimensão do problema, nem está mentalizado para um processo de mudança e introspecção", explica o psicólogo Vasco Catarino Soares, que já lidou com vários casos de adição sexual.
João, que gastou "pelo menos 20 mil euros, mas pode ser muito mais", nos anos em que vivia para o sexo com prostitutas, não vê grandes diferenças no comportamento de um viciado em sexo e um toxicodependente: "Desviei dinheiro, menti à família e amigos, fui desonesto com os outros e comigo mesmo. É tudo igual".
OS CINCO SINAIS DE ALERTA DA DEPENDÊNCIA SEXUAL
1. Toda a organização existencial está centrada no desejo ou apetite sexual. A pulsão de procura de estímulos sexuais leva a descurar obrigações laborais ou familiares.
2. A consumação do acto sexual torna-se um acto incontrolável pelo adicto sexual. Há uma incapacidade de interromper estes comportamentos.
3. Há uma experiência de prazer imediato narcisista e de breve prazo. A gratificação pelo acto sexual é negativa - só serve de apaziguamento do mal-estar psíquico.
4. Repetição reiterada do impulso, com intervalos curtos. O desejo pode nascer do stress, emoções negativas e estímulos como música, dança ou pornografia.
5. Verifica-se uma acumulação progressiva dos efeitos nocivos pessoais e sociais. Há um sentimento de culpa ou vergonha e incapacidade de manter relações estáveis.
O PADRE QUE AFINAL ERA UM PROSTITUTO
Samuel Martín, padre de Toledo (Espanha), caiu em desgraça. Primeiro vieram as suspeitas de desvio de dinheiro - faltavam 20 mil euros de donativos à igreja. Depois chegou a terrível explicação: o pároco tinha gasto esta quantia em chamadas para linhas eróticas, sites pornográficos e bordéis. Pior, Martín pôs anúncios em jornais em que oferecia serviços sexuais a troco de dinheiro. O padre está em tratamento e corre o risco de ser afastado pela Igreja.
PORNOGRAFIA NA INTERNET: A FONTE DE TODAS AS ILUSÕES
O padre anglicano “Charles2, de 40 anos, escondeu durante muito tempo um terrível segredo. "Passava todo o tempo livre a ver pornografia na internet. Tornou-se no principal foco da minha vida". Em Inglaterra os padres anglicanos podem casar-se e ter filhos, mas isso estava muito longe da mente de ‘Charles’. "Toda a minha visão das mulheres estava contaminada pela realidade fantasiosa que via na internet. Não conseguia ter uma relação normal com ninguém", conta à “ Domingo”.
Uma conversa com outro padre fê-lo perceber que não estava sozinho. Entrou num grupo de ajuda mútua e encontrou um ponto de equilíbrio na sua vida. Casou-se e tem dois filhos. Há dois anos que está “sóbrio”, mas não fala em cura: "Sei que vou ser um viciado durante toda a vida".
DEPENDENTE OU MERO OPORTUNISTA?
O maior prodígio da história do golfe tornou-se o bobo da festa das páginas cor-de-rosa. Um incidente doméstico revelou a vida dupla de um homem casado e com dois filhos: Afinal, Tiger Woods coleccionava amantes entre estrelas porno e acompanhantes de luxo. Anunciou que se ia tratar. Apontam-lhe o vício do sexo, mas há quem fale em mascarar uma vida de prazeres.
QUANDO O VÍCIO CRIA UM MONSTRO
‘John’ confessa por e-mail à “Domingo” a terrível realidade que já contou à família, amigos e vizinhos. "Durante anos lutei contra a atracção sexual por crianças muito jovens". Evita responder directamente se chegou a ter relações com menores: "Em resultado do que disse em terapia, fui abordado por um psicólogo forense, por ordem de um tribunal. Ele concluiu que eu tinha abusado de crianças no passado, mas graças aos esforços que fiz para me tratar já não represento um perigo para elas". Já foi espancado, há quem o evite, mas ele prefere contar tudo: "A honestidade é crucial para a minha recuperação."
"MUITAS VEZES NEM SE FIXA O NOME DO PARCEIRO SEXUAL" (Luís Duarte Patrício, Médico psiquiatra, foi director do Centro das Taipas, para tratamento de toxicodependentes. Tem larga experiência no campo das adições)
- Como se detecta que uma pessoa sofre de dependência sexual?
- A dependência verifica-se quando, na ausência de uma prática, surge o sofrimento da síndroma de privação. A adição não tem a ver com a quantidade de relações sexuais, mas com a sua qualidade empobrecida, tempo e energias despendidas. Pode levar a relações com desconhecidos, envolvendo, por vezes, sofrimento físico.
- Como se comporta um adicto sexual?
- Quando não consegue seduzir, manipula para conseguir ter sexo. Se não consegue, compra serviços. O sexo é sem sentimentos. Há intimidade física mas não psicológica. Muitas vezes nem se fixa o nome do parceiro sexual.
- É uma patologia mais associada a homens?
- Sim, é uma dependência normalmente associada a homens, mais novos e com alto poder de compra. Mas a mudança no estatuto da mulher, que se tornou mais liberta e activa na vida sexual, tem levado ao aparecimento de mais casos.
- Como é o tratamento?
- Há que tratar a eventual patologia que esteja associada, depressão ou outra. Também se podem usar medicamentos inibidores do desejo sexual. A supressão do comportamento aditivo não quer dizer total abstinência sexual, até porque, muitas vezes, estamos a falar de pessoas casadas ou com relações estáveis, que "abusam" devido à sua adição. O tratamento deve ser completado com sessões de psicoterapia.
CASOS
VICIADO: DAVID DUCHOVNY
O actor que se celebrizou com a série “Ficheiros Secretos” já esteve internado por causa da adição sexual. Agora brilha em ‘Californication’, sobre um homem que vive para o sexo.
ACTOR: CHARLIE SHEEN, O GRANDE SEDUTOR
O homem de quem se diz ter dormido com cinco mil mulheres já terá feito tratamentos.
VETERANO: MICHAEL DOUGLAS
Foi das primeiras estrelas a quem se colou o rótulo de viciado em sexo, o que ele negou mais tarde.
GOLFISTA: A QUEDA ABRUPTA DE TIGER WOODS
Apanhado em dezenas de relações extraconjugais, alegou sofrer de adição sexual.
NOTAS
INFIÉIS
A adição sexual conduz quase sempre a casos extraconjugais ou fora das relações existentes.
OBJECTO
Um adicto tende a ver os parceiros como objectos sexuais, sem estabelecer ligações afectivas.
CULPA
São frequentes sentimentos de vergonha ou culpa. O prazer só serve para atenuar a dor existente.
PARAR
O tratamento da adição passa pela abstinência sexual até se reaprender a viver com a sexualidade
…………………………………………………………………………………
Fantástico!
Conheço alguém com estas características, sei lá se qualidade, se vício, se dependência. Desconhecia era o adjectivo substantivo masculino que os define: adicto.
Enfim, todos os dias aprendemos algo.
Ao ler e reler o artigo fico com a sensação da necessidade de redobrar o cuidado com as ofertas oportunistas de psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, técnicos da segurança social, conselheiros conjugais, enfim, todos os que têm um molde e procuram aplicá-los a todos.
Um adicto não é um fumador. Fumei durante vinte e oito anos. Deixar de fumar é fácil e não tem drama. Ouço entre amigos fumadores que deixar de fumar é difícil, terrível, horroroso mesmo. Ninguém consegue, e o melhor é nem tentar. Interiorizam como certo que vão passar por um processo de sofrimento, e mesmo que resistam uns meses a recaída é certa. Contraponho com a minha experiência e dia dezanove de Março próximo, farei doze anos sem tocar no tabaco, pese o facto de andar por ambientes que a isso convidam.
Quanto à cura da adição, parece-me ser mais difícil.
Ao ler que: O tratamento da adição passa pela abstinência sexual até se reaprender a viver com a sexualidade, a coisa complica-se.
É difícil a um adicto reaprender a disposição para ouvir em discurso directo a mulher, a companheira, a amiga, contar as últimas histórias do trabalho ou do dia, sem vontade de ligar a Tv, e de preferência com um sorriso terno rasgado até ás orelhas, e nunca lhes negando toda a razão do mundo. Tarde ou nunca, as mulheres, perderão o mau hábito, depois de um dia extenuante e de os miúdos estarem na cama, não terem dores de cabeça ou, no caso de as terem, acreditar que as endorfinas são terapêuticas.
O adicto prefere ficar só que andar a pedinchar ternura.
Mas o verdadeiro problema está na forma como o adicto encara o sexo:
Quando é bom, é excelente; quando é mau, é sempre bom.
E para agravar o problema, grassa por esse País oferta de qualidade, fruto da crise.
Como resistir?
Eis a questão.
Zé Morgas
domingo, 18 de dezembro de 2011
Carta Aberta XXV - Sr. Presidente C.M.Penamacor
Começo esta Carta Aberta, partilhando um e-mail recebido na minha caixa de correio, de um Amigo, cujo nome remeto ao sigilo, para reflexão de Vª Exª. e seus Vereadores.
“Caríssimo Zé Morgas
Acabei de ler a Carta Aberta I que enviaste ao presidente da câmara de Penamacor e não podia deixar de te manifestar o meu apreço pela atitude.
Em traços gerais concordo com a esmagadora maioria das tuas observações e sugestões, designadamente o desperdício de dinheiro numa via estruturante que não vai estruturar absolutamente nada, bem como na questão dos incentivos à fixação.
O único ponto em que coloco algumas dúvidas tem a ver com o factor "turismo" e o instrumento "hotel".
Explico: o turismo tem vindo a ser utilizado praticamente por todas as câmaras como uma "grande aposta" e um "poderoso motor" do desenvolvimento sobretudo dos territórios do interior.
Estou cada vez mais convencido que não passa de uma panaceia sobrevalorizada em campanhas eleitorais por quem não tem outras soluções. Não estou com isto a querer dizer que o factor turismo não deva ser considerado, o meu problema é que ele é quase sempre equacionado na perspectiva errada.
Na minha opinião, Penamacor não tem a mínima hipótese de concorrer, em termos de oferta turística, segundo o modelo clássico, com os concelhos limitrofes, muito menos com os do litoral, logo, o modelo que passa pelo hotel, pelo pavilhão de congressos, ou qualquer outra megalomania, acabará sempre por se transformar em mais um mamarracho e disso, como dizes e bem, já lá temos.
Simpatizo muito mais com o modelo que tu afloras quando defendes que o antigo quartel seria muito mais interessante como Pousada do que como amontoado de serviços públicos, que ainda por cima são cada vez mais raros em Penamacor. Esse modelo está mais próximo daquele que eu entendo como mais interessante e que passaria pelo incentivo às pequenas unidades de inicitaiva privada, com gestão familiar em locais com algumas características que favorecessem a atracção de potenciais visitantes,
E aí, sejamos pragmáticos, só a Malcata e a área da Baságueda é que oferece essas caraterísticas.
Com o devido respeito por melhor opinião, fazer um hotel nos castelinhos é um óbvio suicídio para qualquer investidor.
Infelizmente, a CMP já lá enterrrou uns milhares.
Bem, esta discussão é interessantíssima, podia ser alargada à problemática do desenvolvimento dos territórios de baixa densidade, mas poderá ser mais produtiva e agradável com um secreto de porco preto e um tinto do verdadeiro à frente.”
Sr. Presidente
Além do sincero convite para reler a minha Carta Aberta I, pese o facto de saber que as obras em marcha do Hotel lhe devem consumir todo o tempo disponível, deixo-lhe aqui uma ideia para presentear o ”potencial de gente que pode vir a Penamacor” palavras do Vereador António Cabanas ao Jornal Reconquista, oriundas lá da localidade francesa do geminado jardim de Penamacor.
Há que eleger todos, e são muitos, os locais de interesse a visitar, tanto na Vila como em todas as freguesias, A norte, a sul e concelhos limitrofes, Idanha, Sabugal... - Miradouros naturais com vistas de rara beleza, Igrejas, Capelas, Conventos, Santuários, Museus, Castelos, Muralhas, Pelourinhos, Talefes, Fontes, Chafarizes, Barragens, Tasquinhas com petiscos típicos e pinga da boa, do melhor que por aí se faz, Baluartes, etc, etc.. e elaborar as respectivas rotas.
Sr. Presidente
Falando dos baluartes de Penamacor, Polé, Arcaz, Reduto, Moreirinha, e em especial do Baluarte da Polé
- Já pensou em classificar a área envolvente do Baluarte da Polé, como de interesse público e adquirir para demolição os edifícios que o envolvem, instalações de uma ex-oficina, casa do Ferrador, antigo posto público de telefone, erguer nesse local o Posto de Turismo do Concelho de Penamacor, e fazer do Baluarte da Polé um ponto inicial de visita e partida para as várias rotas a criar?
- Será necessário transportes, por exemplo, um comboio turístico, com três ou quatro carruagens e uma "locomotiva" com motorização todo o terreno.
- Já pensou em construir um parque subterrâneo com acesso pela Rua das Moitinhas, que poderia vir a ser o quartel-general do comboio turístico, haveria igualmente espaço para parquear umas bicicletas para alugar a turistas mais preparados fisicamente.
- Por cima do parque subterrâneo, criar a Praça de Táxis de Penamacor.
- Em suma, fazer da zona a Central de Transportes de Penamacor: Rodoviária Nacional (a falta que faz um parque sob o Pátio das Laranjeiras, com acesso privilegiado à Biblioteca Municipal), Praça de taxis, Comboio Turístico, bicicletas de aluguer.
Sr. Presidente
Vi na Selva da Republica o piso já em acelerado estado de deterioração, e, um canteiro aformoseado com relva.
É relva que foi a França “vitaminar” e regressou à base?
Ou, será uma prendinha de Natal aos Munícipes de Penamacor, desgostosos com a ausência de relva no seu querido jardim.
Termino, desejando a todos os naturais e residentes no concelho de Penamacor
VOTOS DE UM FELIZ E SANTO NATAL 2011
E apesar da crise
AS MELHORES ENTRADAS EM 2012
Zé Morgas
domingo, 4 de dezembro de 2011
Cueva de la Pileta - Setenil de las Bodegas
Com pouco mais de cinco mil quilómetros rolados na minha Kawasaki 1400 GTR, sempre com excelentes condições, ansiava por um passeio com chuva e frio para lhe fazer um primeiro teste para a sempre muito dura e violenta viagem à concentração invernal internacional, Pingüinos 2012, que se realiza em Janeiro próximo entre os dias 12 a 15, em Puente Duero, Valladolid.
Agendar um passeio para os primeiros dias da última deca de Novembro, é quase iminentemente certo que as condições que desejava se verificariam.
Com seis motas inscritas, seis aventureiros e três corajosas Penduras a hora de partida foi-se aproximando.
Jantava eu calmamente na quinta-feira, dia 17, no restaurante do clube de ténis, uma chispalhada de coentrada, quando o telefone toca. Era o H.M. e me informa do seguinte: O nosso homem do Caminhão - TIR, atento como sempre aos mais ínfimos pormenores que os sites meteorológicos fornecem, não teve dúvidas algumas em interiorizar que a viagem seria feita sob intensa e molhada tormenta.
A menos de trinta e seis horas da partida, já com a obrigatoriedade de pagamento da caução pela desistência da reserva dos alojamentos, tomou a decisão de não ir.
O H.M., acabou por secundá-lo na desistência.
Pensativamente fui continuando a jantar. A desistência do H.M. causou-me alguma estranheza. Tantas foram as viagens que já fizemos em tão más e adversas condições.
Mais, a data do passeio, que coincidia com a sua folga grande, fora por ele escolhida. Eu, para estar presente, tive que com exigida antecedência, "queimar" três dias de férias. Creio ter havido na decisão tomada, alguma “doce solidariedade chocolatistica”; soou-me que houve por aí algures uma feira com muito produto confeccionado com bom cacau.
Novo telefonema. Era o J.F.
A sua Pendura, ao tomar conhecimento da situação, não queria ser a única presença feminina na viagem. Em suma, as primeiras duas desistências “arrastaram” uma terceira, perfeitamente compreensível.
Telefonei ao P.C., que já tinha entretanto telefonado ao Nosso Grande Comandante. Estavam os dois na firme disposição de partirem, tinham também "queimado" dois dias de férias, qual a minha decisão? Perguntou-me.
- Qual decisão? Nunca ponderei não fazer o passeio, respondi-lhe.
Malandro não estrilha, aguente a pastilha. Poucos mas Bons.
Partiriamos apenas os três estóicos Duros, sem penduras, em duas Kawas 1400 e uma BMW 1200.
Com o reconhecido traquejo de experiente Lobo-do-Mar, o Nosso Grande Comandante, após cuidada análise dos mais recentes dados disponíveis na Net, ditou na véspera com a sua douta palavra a doutrina da partida:
– Se partirmos lá para as onze da matina vamos sempre a andar atrás da chuva.
Para essa hora combinamos o encontro na pastelaria Celeiro Doce.
Compareceu para ver a nossa partida o Homem do Caminhão - TIR.
Quase a terminar o pequeno-almoço e começa a chover com alguma intensidade.
Vestimos os impermeáveis, preparados para o que viesse.
Sabendo o destino e os quilómetros que tínhamos pela frente partimos a fugir aos olhares incrédulos e admirados dos clientes que aquela hora estavam na pastelaria.
- Grândola, Santa Margarida do Sado, Beringel, Beja e a primeira paragem em Vila Verde de Ficalho, para almoçar um sempre calórico e fortificante cozido de grão, de digestão de longa duração.
- Rosal de la Frontera, Cortegana, a temperatura baixou para os sete graus centígrados, começa a cascar uma forte chuvada, que nos acompanhou até Aracena.
Paragem para atestar as motas, qualquer delas tinha agora combustível para chegar até Ronda e decidimos que seguiríamos por Sevilha, Utrera, El Coronil, Algodonales, Serra de Grazalema, Ronda.
Na Serra de Grazalema, a cerca de trinta quilómetros de Ronda mais uma forte chuvada começa a lavar-nos os fatos, com a agravante que já era noite. Os coloridos “arco-iris”, formados pelos reflexos das luzes dos carros com que cruzávamos, nas gotículas de água que teimosamente se agarravam ás viseiras dos capacetes, obrigou-nos a cuidados redobrados na condução. É uma condução muito exigente, sempre no limiar do perigo, reconheço.
Sãos e salvos chegamos ao Hotel Reina Victoria.
O nosso Grande Comandante acertou em cheio. Rolámos com muita estrada molhada mas com pouca chuva. Apenas umas fortes bátegas nas serras de Aracena e Grazalema.
Motas parqueadas, banhinhos tomados, munidos de um guia dos melhores bares de tapas da Serrania de Ronda o destino foi o “Bar Maestro, La Bodega de Verdad”.
Eleito para prato principal o afamado rondenho “Rabo de Toro”, enfardamos primeiro quatro fartos pratos de entradas, tudo regado com duas garrafosas de tinto da zona, sobremesas, cafés e uns “chupitos” de poejo.
Foi o eficaz rastilho para uma noite ”ruminante”…
O dia estava sombrio e bastante chuvoso. Hora de tomar o primeiro pequeno-almoço no hotel. Muita variedade e de boa qualidade. Um perfeito chamariz para mais um abuso.
Entre as abertas da chuva a manhã foi passada no jardim do hotel que têm uma vista magnífica sobre as serras e os parques naturais que circundam Ronda.
Com tamanha instabilidade de tempo, decidimos que, mal a chuva abrandasse, iríamos almoçar ao “Bar Giralda”.
Entre petiscos, tombámos um tinto, Condado de Oriza, da Ribera del Duero.
Para ajudar a digestão uma caminhada pelo Passeio do Inglês, que São Pedro abreviou com mais uma descarada descarga de água. Molhados, nada melhor que ir bater uma sesta, afinal até estávamos no País onde batê-la é um imperativo nacional, e combinamos uma hora de encontro no bar do hotel para beber umas cañas.
Decidimos partir sem referências, à procura de um local para jantar. Em boa hora o fizemos, descobrimos um pequeno restaurante, tipo familiar, onde comi um saborosíssimo solomilho de cerdo. Um passeio pelas ruas desertas de transeuntes, e regresso ao hotel.
Um consulta na net ao boletim meteorológico, e a alegria de saber que as previsões para o dia seguinte eram animadoras. Um sedativo para uma noite calma, bem dormida.
Segunda-Feira
O dia amanheceu limpo.
Um temperado banho para despertar, e noto ao vestir o equipamento, que algo se passava com as minhas calças de cordura. Estavam demasiado justas ao corpo. Teriam encolhido com a humidade sofrida na viagem, ou os abusos gastronómicos por ali praticados já se faziam sentir? Ficou-me a dúvida.
Contudo e para não variar “atabojei-me” com um pequeno-almoço variado e bem entaipado. Os meus companheiros de viagem acompanharam-me na pecaminosa gula.
Satisfeitos, devidamente equipados, com bom tempo no horizonte, estavam então reunidas as condições para partirmos à descoberta e visita dos dois locais que tinham orientado esta viagem:
As grutas pré-históricas de “La Cueva de la Pileta”, com muitas pinturas rupestres, e um dos povoados mais assombrosos da geografia andaluza: Setenil de las Bodegas.
Saímos do hotel rumo ás grutas via Benaoján. Aqui brindou-nos o P.C. com uma das muitas rasteiras que o GPS lhe prega.
Uff!!! Que sorte o Homem do Caminhão - TIR e Pendura não terem ido. A Pendura ter-lhe-ia vituperado a Alma para os próximos trinta a cem anos. Os primeiros trinta já o foram, algures numa via municipal, escandalosamente esburacada, entre a Figueira da Foz e a Praia de Mira, lá para os lados de Quiaios, a caminho da Gafanha da Encarnação.
Mas, esperava-nos uma segunda subida, palmilhada a “penantes”. O trilho que vai do parque de estacionamento até à entrada da gruta, com piso “barrocal” da era paleolítica. Uma caminhada estafante e escaldante.
Feita a visita à gruta, (mantêm uma temperatura interior de 15 graus e humidade a 100%, constantes durante todo o ano; diariamente é feito o registo das leituras na primeira e ultima visita efectuadas), à luz de dois “petromaxes”, aqueles típicos candeeiros a petróleo, de camisa, sob a orientação do guia, nascido no vale no sopé da encosta onde se situa a gruta, onde os habitantes do paleolítico pastoreavam o gado, rumamos a Setenil de las Bodegas sempre por caminhos agrícolas, de condução divertida.
Observam-se paisagens lindíssimas.
Aqui mais uma pequena peripécia.
A uns dez quilómetros de Setenil, uma placa informava que havias obras na via. O P.C. o guia do grupo, arriscou avançar. Pouco tardou a pararmos, decorriam trabalhos de asfaltamento. Invertemos a rota.
Sem chatice, a malta o quer é andar de mota, conhecer, visitar, passear. Fizemos mais uns trinta quilómetros, e à hora de almoço já estávamos em Setenil de Las Bodegas. Dirigimo-nos para o centro, por ruas estreitas, à procura de um lugar onde estacionar as Motas e com um restaurante por perto. Convém sempre ter os olhos postos nas Motinhas. São facilmente cobiçáveis.
Parqueamos as Motas frente ao restaurante Dominguez.
Sem nada a apontar quanto à comida fornecida, apenas um reparo e que já não era virgem. Em nome da crise, abusando das mais esfarrapadas desculpas, furtam-se os industriais da restauração ao recebimento das despesas efectuadas, com pagamento através de cartões de crédito.
Dizem mesmo sem pudor, que lhe dá mais jeito receber em “pêlas vivas”.
Infelizmente por cá, neste cantinho à beira mar plantado também vai sucedendo o mesmo, cada vez com mais frequência,
Uma longa visita pedonal pelo povoado, há muito para ver, fotografar, filmar, para mais tarde recordar. O que chama a atenção no local são as casas que ficam bem perto, dentro ou até embaixo das montanhas. Sim, embaixo. Há construções feitas dentro de cavernas. Vale a pena visitar.
Com o escuro da noite já próximo, partimos para Ronda, atestámos as motas e ficaram no parque do hotel prontinhas para a viagem de regresso.
Ir a Espanha e não alimentar a “gota” com um delicioso “Pata Negra” é quase crime.
Dirigimo-nos para a zona mais comercial de Ronda, onde as ruas estavam apinhadas de gente, e entrámos no bar “Casas Rurales de Ronda” pertença de um antigo toureiro, as fotos expostas pelas paredes isso atestam. Com pouca clientela, por ser cedo, ou porque a crise para aquelas bandas também aperta, pedimos três cañas e um pires de “Pata Negra”.
Os pires, com o presunto cortado por habilidosas mãos, qualquer micro radiografia é mais grossa que a mais grossa fatia cortada, disposto a arregalar o olho e a fazer crescer a água na boca, são vendidos a preços proibitivos. Mas tivemos que o provar…e outras cañas se seguiram.
Soterrámos o “Pata Negra” com um jantar servido no restaurante do hotel. Antes de recolher ao vale de lençóis e a um merecido repouso, tempo ainda para o Nosso Grande Comandante consultar o estado do tempo para o dia do regresso à Lusa Pátria.
Terça-feira
Um acordar e um pequeno-almoço a papel químico dos anteriores. Sempre farto.
Com a quase certeza que só ”paparíamos” chuva no nosso Portugal, combinamos a saída por Moron de La Frontera para de seguida apanhar a auto pista de Granada - Sevilha, e acesso à A - 49 para Huelva, pela cintura Sul de Sevilha, com paragem programada na última bomba de combustível em território espanhol, onde a gasolina é muito mais barata.
Rotas introduzidas no GPS e à chegada a Sevilha é a vez do Nosso Grande Comandante fazer mais um dos seus erros de leitura, fruto da sua já “crónica distracção”. Com a indicação de saída à direita da auto-via Granada Sevilha, seguir em frente e virar num viaduto à esquerda, assinalado como segundo, virou no primeiro. Fomos parar à zona industrial pesada de Sevilha.
Mas que importa, o tempo estava óptimo e o dispendido pouco conta; que outra forma teríamos de visitar, conhecer aquela zona industrial de Sevilha.
Ah Grande Comandante! O que queremos é passear de Mota. Recalculada a rota via GPS, retomamos o trajecto correcto.
Paragem no posto de combustível fronteiriço onde os fregueses eram todos portugueses.
Não vislumbrei uma única matrícula espanhola.
Nova paragem em Castro Marim para almoçar.
A ouvir a informação do tempo na RTP, aqui sim, não tivemos a menor dúvida que seríamos brindados por São Pedro com uns valentes pingos.
Decidimos o trajecto de regresso por Mértola, Alcaria Longa, Castro Verde, Aljustrel, Mimosa, Grândola, Vila Nova de Santo André.
Não tardou a confirmação, ao sairmos do restaurante começou a chover. Manda a prudência que antes que se encharque o vestuário, o melhor é vestir os impermeáveis sobre o equipamento seco. Tal como na partida, isso fizemos.
Uns chuviscos, umas abertas, a estrada sempre molhada e eis que ali pela zona de Alcaria Longa se começa a vislumbrar no céu uma medonha nuvem negra. Vieram-me ao pensamento umas palavras tantas vezes ouvidas em pequeno à Minha Mãe Maria e à Minha Avó Conceição Pereirinha:
– “Vêm aí Borrasca da Grossa”.
Começa subitamente a descarregar água à caldeirada e a bater assustadoramente sobre o capacete e a viseira, o estrondo assemelhava-se a umas ruidosas morteiradas, sempre potenciado quando cruzávamos com o trânsito em sentido contrário e éramos bombardeados sem dó nem piedade, com os jactos de água disparados pelas rodas das viaturas.
Para agravar, quando alguma coisa corre mal, algo a piora ainda mais.
Entre Castro Verde e Aljustrel decorriam obras na via. Era grande o fluxo de camions e por três vezes paramos, porque a circulação apenas se fazia num só sentido. Era ver os óculos a embaciarem à vertiginosa velocidade dos relâmpagos.
A sova só parou na Mimosa.
Contudo cheguei sequinho a Santo André. Que abismal a diferença sentida entre viajar nesta Kawasaki ou na Velhinha Suzuki GSX-F.
Falta o teste derradeiro, já em agenda para o final da primeira quinzena de Janeiro do próximo ano: A ida ao Pingüinos 2012 com muita chuva e temperaturas abaixo de zero graus.
Tudo farei para estar presente.
Para começar passou a minha Kawasaki pelo Atelier CelCruMotos, fez a revisão dos 6000 Kms, e aguarda agora serenamente, na garagem o próximo passeio.
Não há sofrimento que abale o prazer de quem gosta de andar de Mota.
Viajar leva a um corte com a rotina e descomprime.
A todos os Companheiros e Companheiras das duas rodas, desejo:
Votos de Um Santo e Feliz Natal 2011
E que o ano de 2012 seja repleto de Bons Passeios
Boas Curvas
Zé Morgas
sábado, 15 de outubro de 2011
Carta Aberta XXIV - Sr. Presidente C.M.Penamacor
Já circula abertamente na internet o
DOCUMENTO VERDE DA REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL
“Uma Reforma de Gestão, Uma Reforma de Território e uma Reforma política” e o respectivo anexo, que pode ser consultado em:
http://www.anafre.pt/
http://www.anafre.pt/
Doc_Verde_Ref_Adm_Local.pdf
Doc_Verde_Ref_Adm_Local_Anexos.pdf
FREGUESIAS A MANTER.pdf
FREGUESIAS A AGREGAR.pdf
A ANAFRE vai encetar as negociações com o Poder Central, debatendo este documento e apresentando propostas de alteração e eliminação de alguns critérios.
Sr. Presidente
Ao ler todos os documentos, bastante extensos e pormenorizados, a minha maior preocupação foi conhecer as notícias do meu Concelho de Penamacor.
FREGUESIAS A MANTER.pdf
FREGUESIAS A AGREGAR.pdf
A ANAFRE vai encetar as negociações com o Poder Central, debatendo este documento e apresentando propostas de alteração e eliminação de alguns critérios.
Sr. Presidente
Ao ler todos os documentos, bastante extensos e pormenorizados, a minha maior preocupação foi conhecer as notícias do meu Concelho de Penamacor.
1º Lugar Nacional
- Índice de envelhecimento por lugar de residência; Nº de Pessoas com idade superior a 65 anos por cada 100 Pessoas com idade inferior a 15 anos: 538,7
2º Lugar no distrito de Castelo Branco
- No decréscimo Populacional Superior a 10%. Censos 2001 » Censos 2011: -15,11%
E...
E...
- Freguesias a agregar que não reúnem os critérios de organização territorial:
Águas.
Aldeia de João Pires
Bemposta
Meimão
Vale da Senhora da Póvoa
São só 5, alguém dirá. Num total de 12, são 41.66%, digo eu.
Duas da ala Norte e três da ala Sul.
Sr. Presidente
Fiz em Março uma sugestão em Carta Aberta dirigida a Vª. Exª. que passo a transcrever:
…Por todo o país se começam a desenhar novos mapas com redução do número de freguesias, afim de nas eleições autárquicas de 2014 os cidadãos já elejam os presidentes de acordo com o novo ordenamento territorial. Todos sabemos as dificuldades que o nosso concelho atravessa, não as vou enumerar, são demasiado conhecidas, a imprensa local disso nos informa. Urge garantir a continuidade do nosso concelho e a sua sustentabilidade, com a necessária redução de custos.
Deixo-lhe aqui, Sr. Presidente, uma sugestão para proposta a apresentar em reunião de Câmara, na Assembleia Municipal e até mesmo apresentar à discussão pública:
- Eliminação da Junta de freguesia de Penamacor, seria absorvida pela Câmara Municipal.
- Eliminação das Juntas de Freguesia de: Vale Da Senhora da Póvoa, Benquerença, Meimão, Meimoa. Dariam lugar à criação da Junta das Freguesias Norte.
- Eliminação das juntas de freguesia de: Aldeia do Bispo, Aldeia de João Pires, Aranhas, Salvador, Águas, Bemposta, Pedrógão de S. Pedro.
Dariam lugar à criação da Junta das Freguesias Sul.
Sr. Presidente
A título de curiosidade deixo-lhe aqui os seguintes exemplos: Lisboa tem 53 juntas para 480 mil habitantes. Está em curso um estudo para a redução das mesmas, e apontam três cenários: 27, 24 e outro com apenas nove. Madrid tem 21 para 3,2 milhões de habitantes; Paris tem 21 para dois milhões de habitantes.
O concelho de Penamacor tem 12 juntas para mais ou menos seis mil habitantes.
Sr. Presidente
Quando sugeri a ideia de criar um novo ordenamento meramente administrativo das freguesias no Concelho, nenhuma freguesia era agregada a outra, tinha apenas em mente a salvaguarda da identidade e características próprias de cada freguesia.
Apresentava-se estatisticamente aos olhos da Anafre e da impiedosa Troika um Concelho de nível 3, com uma área de 563,7 Km2 e administrativamente com apenas e só, 3 freguesias.
Agarravam-se ao “Totta”...
Pela proposta apresentada o Concelho de Penamacor ficará ordenado com sete freguesias:
Penamacor, (tipologia APU)
Aldeia do Bispo, Aranhas, Benquerença, Meimoa, Pedrógão de S. Pedro e Salvador, (tipologia APR)
Interrogo-me como se vão agregar, reunir, juntar; anexar, associar essas freguesias. Há um critério definido, mas sabemos como são as rivalidades ancestrais enraizadas no terreno.
Na ala Norte duas agregam duas.
Na ala Sul quatro agregam três.
Será que num futuro próximo vamos ter e permito-me a usar os cognomes dos habitantes das freguesias, sabidos ou os agora inventados, assim agregados:
Trepa-serras agregados aos Barrigudos,
Altaricos agregados aos Cágados,
Cucos agregados aos Xendros,
Aguadeiros? agregados aos Aranhiços,
Bempostados? agregados aos Garranos.
Sob o olhar dos Gravatinhas e dos Barrentos.
Constatei que o Presidente da Câmara Municipal de Penamacor é também um dos Vice-Presidentes da Comunidade Intermunicipal da Beira Interior Sul, que integra os Municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor e Vila Velha de Ródão.
Assim, têm o Sr. porque os dois cargos ocupa, a dupla obrigação de divulgar aos Munícipes do Concelho de Penamacor, o teor de todo o “Documento Verde da Reforma da Administração Local”, que se pretende ser o ponto de partida para um debate que se pretende alargado à sociedade portuguesa, com o objectivo de no final do 1º semestre de 2012 estarem lançadas as bases e o suporte legislativo de um municipalismo mais forte, mais sustentado e mais eficaz.
Sr. Presidente
Li no jornal Reconquista umas palavras proferidas pelo Sr. Vereador António Cabanas em Clamart, na inauguração do Jardim de Penamacor, (percebo agora porque temos uma selva na vila, a relva foi para França),
- “ Há ali um potencial de gente que pode vir a Penamacor…” a construção do Hotel em marcha…
O alojamento dos visitantes em concelhos vizinhos…por falta de capacidade hoteleira no município raiano.
O Hotel, essa tão estafada promessa durante anos, em campanhas eleitorais, não será ainda contaminado pelo vírus “paralisa - obras” do Muro da Vergonha e da Rotunda do Lar Dª Bárbara Tavares da Silva?
As palavras lidas serão tema em próxima carta, prometo.
Sempre ao Dispor
Zé Morgas
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